Terça-feira, Julho 31, 2007

Depois do acidente trágico com o avião da TAM, recebi mais de um e-mail com power point anexo mostrando os diversos acidentes ocorridos com aeronaves da companhia. Eu já trabalhei numa empresa ligada ao setor aéreo e, de fato, a fama da TAM não é das melhores. Dizem que manutenção não é mesmo o foco principal do primeiro escalão. Eu não acredito nem duvido. Minha formação de jornalista não me permite fazer afirmações que não possa comprovar.
Mas posso falar do que sei com certeza. E a declaração de princípios da empresa está na internet, para quem quiser ler. O primeiro e mais importante deles: "nada substitiu o lucro". E na seqüência: "a melhor maneira de ganhar dinheiro é parar de perder". Resta saber se para a estratégia da TAM a manutenção das aeronaves entrava na rubrica "investimentos" ou "despesas a fundo perdido". A conferir.

-Monix-

4:25 PM


Comentário supremo

Quesito gaaaaaatos. Eu montaria fácil uma seleção poliesportiva multiuso (odiei chamarem a arena assim, parecia produto de limpeza). Uma não, duas. Uma nacional e outra internacional. A equipe de vôlei americana por exemplo entraria quase toda... Mas o melhor foi uma amiga minha q disse que a vontade dela era ir pros estádios com uma placa "aceito refugiados cubanos"! hahahahah

Eu tive que postar esse comentário da Renata, que eu achei o fecho com chave de ouvro do Pan, cês não acham?

Helê

12:31 AM



Domingo, Julho 29, 2007

Pan - fim

I beg to differ. Mas é mesmo uma inglesa trocada na maternidade essa minha sócia, né, gente? Você tem toda razão, darling, não é uma coisa menor, eu também ficaria vermelha de bergonha, se a melanina permitisse.
*
Desta vez, na cerimônia de encerramento, a vaia às autoridades foi democraticamente repartida entre união, estado e prefeitura.
*
Que saber o que me emocionou nessa festa? Fernanda Abreu, DJ Malboro e as popozudas cantando funk. Eu fiquei pensando em que outra cidade um evento internacional e chapa branca feito o Pan abria espaço pra uma manifestação cultural da periferia, sem tentar estilizar ou folclorizar a coisa. Assim, em pleno maraca, com transmissão para as Américas, mandar que “eu só quero é ser feliz/andar tranqüilamente na favela em que eu nasci”? Achei lindo. Eu não sou fã do gênero, mas simbolicamente é muito interessante o DJ Malboro ter o mesmo espaço que o Lenine (maravilhoso como Jorge Drexler, cês viram?).

Helê

11:10 PM


No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio
Nelson Rodrigues

Helê, dessa vez vou pedir licença pra usar uma expressão que eu adoro: I beg to differ. Não acho que o vexame das vaias da torcida possa ser reduzido a uma galhofa que passou dos limites.
Na minha opinião, o que se viu foi um público mal-educado e pouco acostumado com competições esportivas outras que não o futebol - e nesse ponto você tem razão, esperemos que eventos como esse sirvam para educar a platéia carioca. Se o Maracanã está acostumado a abrigar vaias homéricas, memoráveis, rodrigueanas, tudo certo: o futebol é um esporte coletivo, jogado para a multidão, em que a vibração da torcida faz parte do jogo. (Embora eu prefira, sempre, o apoio positivo, com aplausos, à tentativa de desestabilizar o adversário com vaias.)

O caso é que nos esportes individuais, como ginástica, tênis, hipismo, atletismo, pega muito mal vaiar um atleta. É como receber um convidado em nossa casa para o jantar e passar a noite inteira o ofendendo.

De resto, a cidade se comportou como sempre, à altura do evento internacional: como costuma acontecer, o caos anunciado virou conto da carochinha, quase não vimos engarrafamentos, não houve incidentes de grande porte. Mas as falhas da organização - e mesmo as de infra-estrutura - somadas ao comportamento lamentável da torcida, que, diga-se de passagem, teve apoio até de ícones do esporte nacional, como Oscar Schmidt, na minha opinião mancharam um pouco estes jogos que foram considerados os melhores de toda a história da competição pelo próprio presidente da Odepa.

Parece que o ufanismo histérico de Galvão Bueno e seus pastiches contaminaram a todos, e de repente virou questão de honra nacional conquistar todas as medalhas de ouro, mesmo as que não merecíamos. Tem até quem defenda a vaia, vai entender.

Embora eu não seja uma pessoa muito esportiva, ao que me conste a idéia geral da coisa, conforme ditou o Barão de Coubertin na pré-história das mega-competições-fortemente-patrocinadas, o importante era competir. E que vencesse o melhor.

-Monix-

8:50 PM



Sábado, Julho 28, 2007

A beleza branca da L'Oreal

Soube pela Denise Arcoverde que a L’Oreal foi condenada pela corte francesa por discriminação racial. A ong SOS Racisme denunciou que empresa recrutou apenas e tão somente mulheres brancas em eventos e propagandas.
Imagina se a moda pega aqui, gente?

Helê

4:32 PM


As 10 Melhores Músicas de Amor - uma explicação.
Ou várias.


A Helê pediu, nos comentários, uma explicação, mesmo que breve, sobre as músicas que escolhi para o post aí debaixo. Em primeiro lugar, deixa eu esclarecer uma coisa: embora eu seja realmente conhecida por minha "proverbial discrição", como disse a sócia, o post sequinho foi muito mais resultado da falta de tempo de prepará-lo com calma, somada à pressa em postá-lo pra não perder o famoso "támin", do que a um desejo de ser hermética.
Isto posto, vamos lá.
Consegui fazer essa seleção com uma facilidade que me surpreendeu. Não costumo tirar listas do chapéu, pra mim é difícil lembrar de músicas/filmes/livros espontaneamente. Em geral preciso dar uma pesquisada, olhar meu acervo, dar buscas no google, ler listas de outras pessoas, até conseguir chegar na minha. Mas essa veio quase de uma vez só, com pequenos ajustes e idas e vindas. Nem todas as escolhas têm necessariamente a ver com a minha visão de amor, ou com momentos românticos da minha vida; simplesmente selecionei letras que me parecem falar de amores bacanas. Meu critério é basicamente o mesmo do Lulu Santos: "consideramos justa toda forma de amor".
O resultado final pareceu heterodoxo até mesmo para mim, quando terminei a lista. "Like a Virgin" é, de fato, uma escolha ousada, pra dizer o mínimo. Mas aí, quando fui procurar na Wikipedia informações sobre a canção, estava lá, nas palavras da própria deusa Madonna, num autógrafo dado ao Tarantino: "não é sobre pau, Quentin; é sobre amor".
"Enjoy the Silence", do Depeche Mode, também não parece pertencer a nenhuma lista de músicas românticas, porque está mais associada às nossas memórias new wave de danceterias e pistas de patinação, não é mesmo? Foi uma descoberta recente, por causa de uma gravação da Tori Amos, se não me engano. Pela primeira vez prestei atenção na letra e percebi como é linda. Daí procurei no You Tube e achei essa versão maravilhosa que mostrei pra vocês.
Outra que veio na categoria letras-que-descobri-de-repente é "Head Over Feet", da Alanis, que descreve uma paixão avassaladora por um homem (ou mulher, vejam aí) que com certeza merece. Intensa é o mínimo que se pode dizer dessa canção.
"Ain't No Other Man", da Christina Aguilera, espantou até mesmo a mim quando entrou na lista e não saiu mais. Leiam a letra e me digam se não é uma declaração de amor super bacana.
Para não dizer que não falamos dos sonhos de amor, incluí "Whole Wide World", que não conhecia e fui descobrir numa cena linda de um filme estranhamente romântico, como vocês podem conferir no link do You Tube.
Em homenagem aos amores impossíveis, botei uma pitada de "Bizarre Love Triangle", com a letra do New Order e a gravação do Frente, que são ligeiramente diferentes. Eu gosto das duas.
"It Had To Be You" canta o amor que estava escrito nas estrelas; "Let's Stay Together" é o amor realista, aquele que sabe das contas para pagar no fim do mês e do tédio de mais uma noite de sábado, mas ama assim mesmo - ou por isso mesmo. "Can't Take My Eyes Off You" é o deslumbramento dos primeiros dias, é aquele amor dos olhos brilhando. E last, but not least, "The End" está aí representando os Beatles, porque eles não poderiam ficar de fora de uma lista com esse título. Mas convenhamos que uma seleção musical heterodoxa como essa não poderia abrigar nada menos óbvio que "the love you take is equal to the love you make". E ponto final.

-Monix-

A lista brazuca está dando muito mais trabalho; acho que é porque as opções são infinitas e me vejo meio indecisa. Mas aguardem, ela virá.

11:38 AM



Quinta-feira, Julho 26, 2007

A partir de uma idéia da revista Entertainment Weekly, o pessoal do Rosebud é o Trenó criou uma lista das 10 Melhores Músicas de Amor.
Achei bacana, então aí vai a minha. Com direito a trilha sonora nacional e internacional, tipo novela da Globo. Começo pelo mundo; aguardem o Brasil.

1) It Had to Be You
Letra | Música | História

2) Like a Virgin
Letra | Música | História

3) Enjoy the Silence
Letra | Música | História

4) Let's Stay Together
Letra | Música | História

5) Bizarre Love Triangle
Letra | Música | História

6) Head Over Feet
Letra | Música | História

7) Ain't No Other Man
Letra | Música | História

8) Whole Wide World
Letra | Música | História

9) Can't Take My Eyes Off You
Letra | Música | História

10) The End
Letra | Música | História

-Monix-

10:11 PM


Clínica de abortos perde clientes em Oiã
"Oferta" em hospitais públicos faz diminuir recurso à unidade privada

Esta é a manchete do Diário As Beiras, da região central de Portugal, onde recentemente foi realizado um plebiscito cujo resultado foi favorável à eliminação da proibição da interrupção voluntária da gravidez. O balanço das primeiras semanas na legalidade vale a leitura.

-Monix-

2:15 PM



Panamenidades

Ninguém mais lembra – afinal, faz 10 dias! - mas a abertura foi muito bacana, com vaia e tudo. Eu me pergunto se para os de fora não foi tão chata quanto as outras foram pra mim, porque é sempre um show sobre o umbigo do anfitrião, né mesmo? E como é que a gente traduz a Adriana Partimpim naquela cadeirona cantando Caymmi? Como é que se legenda uma força feito o Cordel do Fogo Encantado? Só em português brasileiro é que dá pra sacar toda a poesia daqueles momentos.
*
Eu não sou a torcedora típica, vocês sabem que o Pacheco aqui de casa é outro. Mas depois do acidente da Tam o Pan passou a ser a melhor parte do noticiário.
*
A torcida andou dando uns vexames, vamos admitir. Bem coisa de carioca, que começa na galhofa, se anima, passa dos limites e perde a loção (agora o Marcos VP abriu deu uma risadinha ali que eu vi!). Mas um evento como esses acaba servindo também para educar as platéias, espero eu.
*
Prefiro destacar a as sacadas criativas, como acompanhar o Danúbio Azul com palmas (no jogo de vôlei masculino). Ou, a melhor de todas até agora: na cerimônia de abertura, o cartola mexicano cumprimenta a platéia, e inicia seu discurso:
- Hoy....
E faz a pausa que a galera aproveita e responde:
- OOOOOOOIIIIII!
*
A dispensa do Ricardinho virou um babado que eu vou te contar! De fato, é uma grande notícia que o recém eleito melhor jogador do mundo, capitão da seleção, seja dispensado etcetera e tal. Mas veja bem: o técnico já falou em desgaste, estress da relação, problemas de comportamento, atraso... O que mais precisa explicar, gentem? Precisam que soletre? Ou é a sede por detalhes sórdidos?
*
Eu não me acostumo com essa metamorfose do pingue-pongue, nesses eventos vira tênis de mesa!
*
O astral da cidade é maravilhoso, um clima assim meio copa do mundo, sabe? O povo animado, tomando o que lhe pertence: as ruas. Foi uma cena memorável pegar o metrô no sábado, às 9 da noite, e encontrá-lo cheio, com famílias, turistas, grupos de amigos.

*
Agora vem cá, memoráveis mesmo são os garotos da natação, heim? Aquele bando de menino sarado, criado a toddynho, com aqueles corpos intermináveis, amplos, belíssimos. O verdadeiro espetáculo do crescimento, benzadeus!

*
Só um lembrete: Obina voltou!

Helê

8:37 AM



Segunda-feira, Julho 23, 2007

Máximas mothernas

Ouvindo a amiga explicar pro filho que não, ela não pode falar com ele agora porque está ao telefone:
- Filho é tudo igual, só muda o nome (às vezes) e o endereço.

Para a mãe de dois que, na primeira vez em meses que fez um programa solo, ficou o tempo todo achando que estava esquecendo alguma coisa:
- A pessoa pode sair sem o filho, o filho não sai da pessoa.

Duas Fridas

9:46 PM


Ainda sobre o toptop

Várias pessoas discordaram, em maior ou menor grau, da minha opinião sobre o episódio do toptop. Eu gostei muito, sinceramente, porque a discordância enriquece o debate.
Eu queria apenas deixar claro que eu acho sim que o governo tem que responder pelo acidente, ou pela parte que lhe cabe nele – e esta parte não é pequena. Se há uma área em que o governo tem dados vastos atestados de incompetência é na da aviação civil, e quanto a isso os exemplos abundam.
Por isso mesmo é que a supervalorização do tal ‘gesto obsceno’ (eu me sinto uma senhorinha enrubescida escrevendo isso) parece-me desnecessária, além de suspeita. Senão vejamos: a imagem, por si só, não mostra nada. Nem se sabe o que os caras estão vendo na tv. Ninguém questionou como o cinegrafista conseguiu aquela imagem, nem porque o Marco Aurélio admitiu tão prontamente o que estava fazendo (quanta sinceridade, não? Honesto, ingênuo, comprometido?).
Na matéria da globo, conte o tempo da imagem do toptop e o tempo que o âncora usa preparando o telespectador para o que ele vai ver (sim, em tv cada segundo é contado e faz toda a diferença). Depois compare com o tempo que o senador (gaúcho) Pedro Simon leva sublinhando para o telespectador o que ele viu, descrevendo inclusive imagens inexistentes – ele fala em ‘comemoração’ e ‘braços erguidos’, o que não aparece.
Em resumo, a matéria foi evidentemente construída para defender uma tese: que o governo está se lixando para o acidente, para os parentes das vítimas, a nação, enfim. Não descarto essa possibilidade, mas não é aquela matéria que vai me provar isso, gente. Ainda que eu concorde com a conclusão, não posso assentir com a análise, entende? Porque eu não acho que os fins justificam os meios, não fico do lado bom de uma briga podre. A manipulação foi tão grosseira que eu me senti lendo a veja.
Se estivermos à procura de gestos que condenem o governo, há outros muito mais eloqüentes, como por exemplo, a Aeronáutica condecorando autoridades do setor aéreo na sexta-feira, quando ainda se procurava por corpos, três dias depois do acidente. Ali sim, eu vi um tapa na cara de cada um dos brasileiros atingidos, de uma maneira ou de outra, pelo acidente.

10:54 AM



Sexta-feira, Julho 20, 2007

Dia Internacional da Amizade

É hoje, gente, então eu deixo aqui um beijo estalado pra cada uma das leitoras e leitores que passam por aqui exercitando esta outra nova maneira de ser amigo, em que o blogue serve de pretexto, encontro e acolhida.

E um abraço apertado pra minha Sócia, que teve essa iluminada idéia e me pegou pela mão pra iniciar esta aventura.

Helemotiva

12:16 PM


A tragédia da imprensa

- Digam vocês aí qual é a relevância de observar com lupa a dor alheia? Porque exibir, fotografar ou filmar um ser humano recebendo a notícia da morte de um parente? Qual a relevância em saber se a vítima estava grávida, viajava com netos, tinha trinta anos? Para quê estampar fotos de uma família nas bancas de todo país? Por que tornar mais trágica a tragédia, mais sensacional e espetacular o que já é tristemente grandioso?

- Também não é um pouco demais estampar na capa do jornal as fotos do acidente, dos parentes das vítimas e da Marta Suplicy rindo? Eu também achei que ela falou uma m*rda sem tamanho, perdeu uma chance maravilhosa de ficar calada, mas fazer essa associação dois dias depois do acidente, na primeira página do jornal, foi de uma irresponsabilidade, falta de respeito, chega me deu vergonha.

- O sensacionalismo repugnante da imprensa também produz coisas que chegam a ser engraçadas, de tão toscas. Como o jornal do Rio (acho que o Extra) que estampou a manchete ‘Galã da globo escapa do vôo da morte’, ou coisa que o valha. Não, ele não perdeu o vôo no trânsito ou desistiu na última hora. Ele ligou para a Tam para comprar a passagem, mas como o telefone estava ocupado, ele viajou por outra companhia. Foi isso mesmo que você leu, criatura, foi assim que ele perdeu ‘vôo da morte’.

- E agora a globo consegue transformar em notícia o toptop de um assessor da presidência, como se isso fosse tão importante quando a apuração das razões do acidente! Mais: o gesto do cidadão transformou-se imediatamente em postura oficial do governo diante do acidente e das famílias das vítimas. Ah, francamente!

Helê

12:00 PM



Segunda-feira, Julho 16, 2007

Panamericano Lado B

Enquanto quase todo mundo aqui no Rio está garantindo seus ingressos para o vôlei, a ginástica artística, o patinete sobre grama, enfim esportes mais cotados em geral, esta que vos escreve foi assistir ontem a uma partida de beisebol.

Neste ponto, se você é uma pessoa normal, deve estar fazendo a indefectível pergunta: beisebol? Por que beisebol? Abafa.

Contrariando as expectativas, me diverti muito, e, acredite quem quiser, até consegui entender o jogo! Cheguei à conclusão de que beisebol não é um esporte para se assistir pela televisão - não dá pra entender nada. O primeiro jogo, Brasil X Nicarágua, foi menos animado, porque, afinal, é como se eu fosse assistir uma partida de futebol entre, sei lá, Guatemala e Nova Zelândia. A segunda partida do dia foi mais emocionante (acreditem! Há fortes emoções num jogo de beisebol): Cuba X México. A ilha de Fidel é o país do beisebol. Toda cidade tem seu estádio, as crianças jogam nas ruas, a seleção é forte, enfim, mais ou menos como nós nos relacionamos com o futebol. Vi quatro home runs (agora já sei o que é isso) e até uma briga.

O ponto fraco, infelizmente, foi a estrutura. Quem lê esse blog sabe que eu me ufano da minha cidade, mas já desde o início dos preparativos para esse Pan 2007 estava meio descrente da possibilidade de o Rio de Janeiro conseguir dar conta, num momento difícil como o que passamos, da organização de um evento internacional deste porte. Continua achando que a vocação natural da cidade é essa, e, de fato, apesar dos poucos contratempos, ainda acho que ao final o saldo vai ser positivo e tudo vai acabar dando certo, mesmo aos trancos e barrancos. Mas, imaginem, se até no tal de Engenhão tem gente reclamando de problemas, calculem o nível de tosquice do estádio de beisebol, que ainda por cima é provisório, montado com uma estrutura de metal na Cidade do Rock. Não tinha água para vender, os jogos noturnos tiveram que ser cancelados porque os postes de iluminação ficaram baixos demais e atrapalham os jogadores (alguém resolveu economizar no concreto, será?) e a cobertura da tribuna de imprensa voou com o vento (os pagantes ficavam a céu aberto mesmo, afinal, quem quer ir assistir beisebol tem mais é que sofrer com o sol e a chuva, não é mesmo?).

Por fim, o mais divertido foi a torcida. No jogo do Brasil, basicamente amigos e parentes dos jogadores, dando aquela força. Um dos torcedores corrigia o locutor, que, com sotaque carregadíssimo do interiorrr de São Paulo, anunciava a entrada do atreta Fulano de Tal, o tempo todo, das nove da manhã às três e meia da tarde. Ninguém merece.
No segundo jogo, dividimos a arquibancada com militantes pró-Fidel, que agitavam bandeiras, gritavam fora de hora ("quando eles fizerem um daqueles gols a gente canta Brasil, Cuba, um só coração", instruiu a coordenadora da manifestação) e agitavam cartazes pedindo a libertação dos "cinco heróis" presos em Miami.

No final das contas, foi um domingo divertido e super diferente. E como saldo, agora eu entendo todas aquelas piadinhas obscuras de beisebol que eles fazem nos filmes e séries americanas. Já é alguma coisa. :P

-Monix-

Comentário off-topic: Dá nojo ver a capitalização que o nosso alcaide está fazendo em cima da badalação dos jogos. Tá certo, o projeto foi dele, que se elegeu duas vezes com essa "plataforma", mas a verdade é que na hora de pagar a conta, quem compareceu de verdade foi o governo federal. O Lula tinha mais é que estar botando na praça dúzias de campanhas para, pelo menos, dividir os louros dessa história. Nessa tola discussão sobre Pan do Rio X Pan do Brasil, sei não, mas fica difícil defender a cidade. Até porque, se é tudo política, pelo menos escolho o político que menos me desagrada.

10:51 AM



Quinta-feira, Julho 12, 2007

Ser bom pai/mãe



Antes: "Aposto que aprendeu a lição sobre não subir em árvores"
Depois: "Deviam aprovar leis para tornar as árvores mais seguras"

E mais não digo, porque nem precisa.

-Monix-

10:46 PM



Segunda-feira, Julho 09, 2007

Minha metafísica é carioca: 'entre mortos e feridos, salvaram-se todos'.

A frase, beirando o genial, é do cronista José Carlos Oliveira, numa entrevista concedida a Clarice Lispector. (Depois eu falo mais sobre essa faceta da bela Clarice.)

O que prova que a entrevista é, definitivamente, uma arte perdida. Um entrevistado não diz uma pérola como essa simplesmente por inspiração divina. É preciso fazer perguntas que o instiguem a isso. E ouvir sua resposta com atenção. Conquistar sua confiança, deixá-lo relaxado, tranqüilo, a ponto de abandonar o discurso pré-fabricado, que todo mundo usa quando vai se apresentar para o mundo, e deixar o que está por baixo aparecer um pouco mais na superfície.
A propósito, a pergunta da entrevistadora, tão brilhante quanto a resposta, foi: Carlinhos, o que vem depois da morte? Por favor não tire a esperança dos que crêem.
Notaram que a partir dessa provocação só poderia vir uma conclusão à altura?

Também respondendo a uma indagação de Clarice, a artista plástica Fayga Ostrower falou sobre a dificuldade enfrentada pelos artistas e intelectuais para conseguirem viver exclusivamente do seu trabalho. Era exatamente o que movia sua entrevistadora, que, para garantir o leitinho das crianças, principalmente depois de se separar do marido, um diplomata, passou a colaborar com revistas como entrevistadora e redatora.

Quem quiser conferir esse lado pouco conhecido de uma das maiores autoras de literatura no Brasil - e provavelmente no mundo - pode conferir duas jóias raras lançadas recentemente por aqui: o "Entrevistas", de onde saíram as informações que cito neste post; e o delicioso "Correio Feminino", que reúne pequenos textos elaborados para revistas nos anos 1950 e 1960, sob pseudônimos, com o objetivo de aconselhar as jovens senhorinhas que começavam a engatinhar na revolução feminina (não a feminista, notem bem) e se viram ligeiramente desorientadas, já que os paradigmas da geração de suas mães já não serviam mais e o novo paradigma ainda não tinha sido negociado com a sociedade. Mas isso já é assunto para outro post. Quem sabe?

-Monix-

11:02 PM



Domingo, Julho 08, 2007



Duas Fridas Indicam:
Alô mamães e papais do Rio de Janeiro, trabalhadores do Brasil, preocupados com suas crianças entediadas durante as férias de julho, tentando escapar do videogame e da televisão...
A dica das Fridas é imperdível: as oficinas do Gato Mia, uma proposta criativa e divertida para meninos e meninas de várias idades. Os nossos já testaram e aprovaram!

Las Dos Madres

10:53 PM



Sábado, Julho 07, 2007



Eu e Letícia fofocando sobre o mundo potteriano. O gancho do papo é Molly Weasley.

Mônica: ela ainda cuida tb do harry e da hermione, pq os dentistas lá não dao a menor bola pra filha
a garota agora passa tb as férias fora de casa
Leticia: exato.. todas as férias la ta ela junto deles...
Mônica: não bastasse ir pro colégio interno o ano letivo inteiro
Leticia: exato. Ou seja, não vêem a guria
Mônica: isso é um ponto meio surreal da história, nunca entedi bem. mas enfim...
Leticia: é meio louco. Como Sirius fazia sentido, ele era a ovelha negra da família
Mônica: pois é
e ele era de família de bruxos, afinal
Leticia: Mas ela não parece ter problemas de relacionamento com os pais
Mônica: exatamente, não rola problema de relacionamento. então. vc é um casalzinho muggle normal, vivendo sua vidinha de dentista
Leticia: hahahahaha
Mônica: um belo dia chega uma coruja com um pergaminho e proclama q sua filha é bruxa
Leticia: casalzinho muggle normal foi ótimo
Mônica: sua filha de 11 anos, note bem
Leticia: hahahahaha
e vc libera ela pra ir pro colégio de bruxos
Mônica: bem, então vc fica toda contente, sua filha é bruxa, que legal! e manda ela pro colégio interno, onde vc não pode nem entrar pra ver como é
Leticia: cara, é muito surreal mesmo
pois é.... muito estranho...
Mônica: então. aos poucos, a menina vai se empolgando com a idéia
passa a não voltar pra casa nos feriados
e enfim, antes dos 16 anos completos, a rebelde decide que nem as férias ela vai passar com vc
Leticia: Ok, q eles tenham conceito de família diferente de nós, com 17 anos estejam mais é querendo voar mesmo e dar adeus aos pais, mas po, aos 11 não acredito que isso ocorra. Não podem ser tão precoces
Mônica: aliás, mesmo antes disso, porque teve um ano aí que ela foi pra uma escola de bruxaria na frança fazer curso de férias, se não em engano
a história toda é surreal demais, hahahahaha

5:10 PM


Gente, falando sério: preguiça desse negócio de show em prol das boas causas da humanidade. Muuuuita preguiça, eu tenho.

-Monix-

1:01 PM



Sexta-feira, Julho 06, 2007

''Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.''
Frida Kahlo

Hoje comemora-se o centenário do nascimento de nossa musa inspiradora, a artista Frida Kahlo, criadora da belíssima tela Las Dos Fridas, que ilustra nosso template e que inspirou nossa aventura pelo mundo blogue, nosso desafio de escrever de um jeito diferente, nosso desejo de fazer amigos e influenciar pessoas. :P
Frida foi uma mulher notável sob vários aspectos. Criativa, libertária, talentosa, carismática, ela fascina tanto quanto comove, pois sofreu a vida inteira com dores físicas e emocionais simplesmente incuráveis. Era uma mulher de extremos, como os
artistas costumam ser. Amou como ninguém: ao marido, Diego Rivera, considerado o pintor mais importante do México na época, e a muitos, homens e mulheres, que fizeram parte de sua vida. Nos últimos 100 anos, tanta coisa mudou que é até
difícil imaginar como seria um encontro hipotético entre uma mulher daquele tempo e duas mulheres dos nossos tempos. E embora nós sejamos pessoas bacanas, esclarecidas, progressistas e "meio intelectuais, meio de esquerda", a verdade é que levamos uma vida bem classe média mesmo, e caso esse improvável encontro acontecesse, sabe-se lá o que a verdadeira Frida pensaria de nós. Mas sabemos o que a gente pensa dela. Obrigada, Frida, por ter existido.

Las Dos Fridas

11:52 AM



Quinta-feira, Julho 05, 2007

Eu sei que não tenho sido uma blogueira muito participativa ultimamente. A impressão que tenho é que estou sem assunto, às vezes me dá a impressão de que já falei de tudo. Mas depois de voltar da viagem ao interior da Bahia, me dei conta de que na verdade o que está acontecendo é exatamente isso: uma viagem ao interior. Minha cabeça anda tão ocupada com o que se passa dentro de mim que pouco está sobrando para o mundo aí fora. Prometo que volto, e logo.

-Monix-

11:24 AM



Quarta-feira, Julho 04, 2007

Tratando dos cabelos

Moldura do rosto, obsessão feminina, símbolo de vaidade, ícone de rebeldia, local de afago, delator ou falsificador de idades. Os cabelos, esses “cilindros de espessura fina”, como definiu Arnaldo Antunes, têm diversificados papéis e finalidades, transitando da estética à política. Importante marca racial, poderoso critério de definição de negritude. Como também conferem feminilidade às mulheres, têm um valor decisivo para as mulheres negras. Pois no Brasil, ainda que a cor da pele possa ser alternadamente elogiada ou repelida, o padrão capilar é bem mais rigoroso: o bonito é liso; o crespo é mais que feio: é ruim (como se cabelo tivesse caráter, como dizia uma amiga).

É claro que essa ditadura tem contra-correntes e hoje já não é tão implacável. Foi preciso radicalizar, num primeiro momento, quando Gil recomendava: “Sarará cura dessa doença/de querer cabelo liso/já tendo cabelo duro/cabelo duro é preciso pra ser você crioulo”. Aqui o cabelo duro era imperativo – o que já despertava certa curiosidade. Logo depois o mesmo Gil cantou pioneiramente o Ilê Ayê, e ali o cabelo era parte de algo bacana, de um mundo negro específico “Temos cabelo duro somos bem legal/somos crioulo doido somos black power”. Ter o cabelo duro já não era uma obrigação, mas era, antes, legal, cool.

De lá pra cá muitas canções citaram o cabelo como afirmação de negritude. Verdadeiro hino negro, o pré-funk ‘Olhos Coloridos’ - do tempo em que Sandra era apenas Sá – foi regravado diversas vezes, e ainda hoje é “baba” em qualquer pista de dança. Agora os cabelos aparecem como objeto de desejo: “Seu cabelo enrolado/todos querem imitar”. A melhor gravação pra mim é do Funk ‘n Lata que, à frase “a verdade é que você tem sangue crioulo”, acrescentou com propriedade: ‘todo brasileiro tem!’.

A Paulicéia não ficou de fora: Max de Castro cantou com Paula Lima “O nêgo do cabelo bom”, que não aceita discriminação e “dita moda em Paris”. O genial Itamar Assumpção avisa de cara que tem “o cabelo duro/mas não o miolo mole”; a afirmação étnica vem logo depois: “Sou afro brasileiro puro/É mulata minha prole”.

É possível inclusive rever conceitos e canções, descobrindo nuances impensadas: o Planet Hemp revisitou “Nega do cabelo duro” de um jeito que a pergunta-chave, “qual é o pente que te penteia?” parece conter antes admiração que desprezo.

Há poucos anos reeditaram também a tal chapinha, antes coisa de preto pobre e agora artifício glamourizado pelas patricinhas todas. Não acho que alisamento seja sinônimo de alienação, isso seria apenas trocar os valores e manter uma imposição externa sobre a cabeça das mulheres negras. Embora pessoalmente não me agrade o visual boilambeu, defendo o direito à escova progressiva – aquela com a qual a funkeira pula e agita e que encolhe na chuva. Desde que seja isso mesmo, uma opção, entre muitas. Porque com já disse uma militante, de maneira brilhante: em se tratando de cabelo, não importa o que você faz, mas porque faz.

Cai como uma luva para essa discussão a canção que conheci recentemente, de India Arie. Com o sugestivo título “I am not my hair”, India fala de tudo que já fez no cabelo, em diferentes idades, do que já foi moda e atitude, pra lembrar que ela não é o cabelo, nem mesmo sua pele, é a alma “who lives within”. E aceita todas as possibilidades, do dreadlock de Marley ao alisado da Oprah.

Eu gosto mesmo é dessa democracia capilar celebrada pela letra do Arnaldo e a melodia de Benjor: ”Cabelo pode ser cortado/Cabelo pode ser comprido/Cabelo pode ser trançado/Cabelo pode ser tingido/Aparado ou escovado/Descolorido, descabelado”. Mas, numa sociedade que valoriza a textura do cabelo a ponto de fazê-la capaz de alterar o tom da sua pele... - quantas vezes me foi negado o direito de ser negra porque meu cabelo não é crespo? E essa negação me era ofertada como concessão e elogio, do qual demorei muito para declinar.

Bom, mas eu dizia que que devemos mesmo rever, questionar e ampliar conceitos e os padrões estéticos, além do valor que damos ao cabelos. Até porque, como já dizia meu avô, se cabelo valesse alguma coisa não nascia onde o sol não bate (não exatamente com essas palavras, mas vocês entenderam o Velho...).

Dedicado à Lia, Dora, Júlia e Natália, meninas negras e branca, que têm um longo caminho a percorrer na aceitação de suas particularidades, que eu tenho a pretensão de tornar mais curto e divertido, com este post inclusive.

Trilha sonora do post
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Helê

12:44 AM



Terça-feira, Julho 03, 2007

Não sai da rádio cabeça

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Rehab, Amy Winwhouse

Helê, sempre Roitman, testando novidades

9:24 AM


Instantâneos da felicidade


Foto:Martine Franck/Magnum


Esse é o nome da delicada exposição em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil, aqui no Rio, até o dia 15. Eu recomendo: são fotos belíssimas, divertidas, comoventes. Tá, é verdade que ter ido com a Dedéia garantiu mais que instantes felizes, numa manhã perfeita que começou com um café da manhã de melhores amigas. Mas mesmo que você não disponha deste, digamos, entorno afetivo, vai gostar.

Helê

1:10 AM




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