Sexta-feira, Março 31, 2006

From my Inbox:

e a naomi, que fez um ddd na cabeça da empregada e foi em cana??? bem feita!

Hohoho, essa Petita me mata de rir.

-Monix-

7:11 PM


Nem sempre é prazeroso criar uma obra de arte. Que o diga Camille Claudel. E nem sempre é prazeroso vê-la. Quem já viu a Guernica ao vivo e a cores, sabe do que eu falo. Não dá prazer. Dá medo. Dá raiva. Dá vontade de sair correndo e salvar a vida do seu filho, e só dali umas 4 quadras você se dá conta de que não tem filhos e de que roubou o filho duma turista alemã.

Vocês acharam que eu estava puxando o saco da Fal só porque ela é minha amiga, confessem. Agora me digam se esse aperitivo (em primeiríssima mão, tá boa, fia?) não prova o que eu disse antes? Esse curso é ou não é diversão garantida ou seu dinheiro de volta?
Corram lá, bobos.

-Monix-

7:07 PM


Desenhos animados - I

Como vocês sabem, eu sou do tempo em que cartun chamava desenho animado. Outros tempos, eu sei. Mas alguém por favor me diz se os desenhos que víamos também eram cheios de referências adultas como hoje e eu não sacava porque era criança? Porque descontados os desenhos pra gente grande, tipo South Park e Os Simpsons, eu encontro citações que definitivamente não são para serem decifradas pela minha filha, nem mesmo pelos meus sobrinhos, um tanto mais velhos. Se não vejamos:

- Num episódio das Meninas Superpoderosas, vários vilões se reúnem e formam os Beat all (cuja pronúncia é semelhante a beatles). O delegado convoca e imprensa para falar dos crimes do bando e faz uma apelo: 'Socorro, nós precisamos de alguém. Socorro, precisamos de qualquer um...' (sim, sim, a letra de 'Help'). E a única maneira encontrada para destruir o grupo foi arranjar uma namorada para um dos integrantes - chamada Mojo Ono.

- Já no Laboratório de Dexter, ficamos sabendo porque Madark, o antagonista, é tão revoltado e dedicado à ciência e à tecnologia: seus pais eram hippies radicais, que desprezavam todo tipo de modernidade. Além disso, para desafiar as determinações de gênero, colocam nele o nome de ...Susana.

Alguém me fala aí se na Corrida Maluca, no Ligeirinho ou no Papa-léguas tinha coisa semelhante? Não acho ruim não; é só pra saber.


Helê
A propósito: tem um desenho no cartum que chama-se Pixicodelics, em que o vilão quer tomar a internet. Sinal dos tempos...

12:07 PM



Quinta-feira, Março 30, 2006

O assunto é outro, mas de alguma forma sinto que estamos falando mais ou menos do mesmo tema:

acredito muito na capacidade humana de inventar desculpas pra não fazer o que seu coração sabe que deve ser feito.
tipo o paciente que eu mandava parar de fumar, e ele me disse que sabia que o cigarro fazia mal. ó vítima!
eu disse a ele:
- mas, o cigarro não faz mal!
ele me olhou espantado. continuei:
- o cigarro não faz nada, ele é um objeto inanimado. você é que vai lá pegar ele e acender. você é que se faz mal, entenda isso.


A dra. Badaud sabe das coisas, pessoal.

-Monix-

10:25 AM



Quarta-feira, Março 29, 2006

Culpa? Não, obrigada.

Culpa é, digamos, um bem comum, democraticamente distribuído. Todo mundo vez ou outra cede a esse sentimento estéril, mesmo que saiba de sua inutilidade. Estive pensando porque que a gente é assim (como já fez o Cazuza). Culpa pra quê? Qual a função desse sentimento pesado e opressor como um bloco de concreto sobre o peito? Ocorreu-me uma possibilidade: que a gente se culpa pra ter uma explicação. Frente ao injustificável, ao incompreensível, ao inaceitável, toma-se pra si a culpa pelo acontecido, para ter a ilusão da compreensão e do controle. Na falta de justificativa para o fim de um amor, para a morte de um amigo, para injustiça de uma criança doente, para aquilo que nos parece totalmente irracional, a gente racionaliza se culpando, das maneiras mais absurdas e patéticas possíveis.

Falsa e perversa solução. Talvez se, numa atitude mais zen, aceitássemos o fato de que não sabemos quase nada, se abríssemos mão da fantasia de que é possível controlar o incontrolável - a vida - nos culpássemos menos (a verdadeira culpa, a mais nociva, é a auto-impingida. A culpa que nos jogam no colo só se aninha se encontrar acolhida). Talvez, se pudéssemos ser menos arrogantes com a vida pudéssemos ser também mais generosos e solidários conosco.

A culpa, como qualquer fantasma, não resiste ao confronto. Na maioria dos casos, ela simplesmente não procede: nada que pudéssemos ter feito diferente poderia realmente mudar os fatos. Em outros tantos, jamais saberemos. Nos que resistem, se encarada com coragem e franqueza, a culpa fica do tamanho que tem, quase sempre menor que o imaginado. Para ter alguma serventia não deve ecoar insistentemente, apenas marcar em negrito uma advertência. Assim, deixa de ser uma bola de ferro amarrada no pé pra ser só um carimbo: não repetir.


Helê

11:09 PM



Helê

3:22 PM


Eu estudei na UFRJ porque meu pai cresceu em Botafogo, estudou no Andrews e na UFRJ. Ele estudou na UFRJ porque meu avô estudou engenharia no Instituto Eletrotécnico de Itajubá (turma de 1938) e trabalhou nas obras da Usina de Paulo Afonso, com a Chesf. Meu avô foi engenheiro porque meu bisavô, nascido na época da escravidão, saiu do Mato Grosso pra estudar no Colégio Militar, no Rio, onde foi primeiro aluno e tem uma plaquinha lá com o nome dele até hoje, depois formando-se engenheiro militar.
Em 1888, com 12 anos de idade, meu bisavô estudava na capital do Império, em um dos melhores colégios públicos do país, com bolsa integral, soldo e emprego garantido após a formatura.
Se, ao invés disso, nesse mesmo ano, ele tivesse sido libertado (leia-se posto pra fora de casa) com a roupa do corpo e sem nem saber ler, onde será que a cadeia de acontecimentos que foi dar na minha vida iria parar? Teria eu tido a chance de conhecer a Europa de primeira classe ou de estudar no colégio mais caro do Rio? Provavelmente, não.
Ou seja, dado que os efeitos nocivos da escravidão ainda se fazem sentir na pele dos descendentes das vítimas, não é tarde demais para serem indenizados pelo Estado.


O blogueiro Alex Castro mudou de opinião e agora é a favor das cotas para afrodescendentes nas universidades públicas. Leia os argumentos dele e saiba o porquê.

-Monix-

10:38 AM


Julices renovadas e novas imagens no Empadalheia

12:17 AM



Terça-feira, Março 28, 2006

Menino e Menina


Helê

11:46 PM


Marquetingue

Comprando camisinha na farmácia, o balconista falastrão tenta convencer meu marido a levar Viagra:

- Não é que você precise, mas é que ela merece!

Helê

11:32 PM


Matinais

. Caminhando pela manhã ao redor do Maracanã, constato o óbvio: eis o paraíso dos fora-de-forma (eu mesma na minha 367ª tentativa de retomar a atividade física). Azaração? Nem pensar: quando tem alguém que vale a pena, passa tão rápido que não dá nem tempo de fazer contato visual.

.Tá certo, eu não tô na pista*, eu sei. Mas eu gosto de observar o movimento, ora bolas.

. Não concebo fazer exercício sem música. É uma espécie de troca, ou chantagem, se preferirem: só vou de walkman (enquanto o Ipod não vem...). Posso caminhar sem boné, sem óculos escuros, de meia furada - mas sem música, sem chance.

. A música me ajuda a sair da cama, inclusive, eu digo pra mim mesma: 'Vamos, a gente vai ouvindo música e dançando'. E funciona.

. Durante a caminhada, eu não apenas escuto música, mas rádio - o que inclui notícias, comentaristas, o Zé Simão, mil coisas. Não raro tenho insights, lembranças, escrevo posts mentais (como parte desse). Pensando bem, fora o horário, a caminhada matinal é uma espécie de recreio no meu dia.


*Estar na pista: gíria carioca para designar situação de disponibilidade amorosa-sexual (uia, que dito assim nem parece sacanagem, né?).
Helê

11:13 PM


Eu já fiz e recomendo. Mesmo. Estudar Arte e História com a Fal é a coisa mais divertida que há, e, de quebra, você ainda fica um bocadinho mais erudito.

- Monix -

10:41 PM


Frase do dia:
"Ose devenir qui tu es", André Gide

-Monix-

9:04 PM




Meias Lacoste. Céus, deveria haver limites para a caretice alheia. (Que me perdoem os que gostam do jacarezinho, mas modernidade é fundamental.)

-Monix-

3:17 PM


Mais um momento da série Caminhos Cruzados: quando a Helê publicou a lista dos melhores shows da vida dela, de repente me veio uma lembrança fortíssima do show do Chico Buarque no Maracanãzinho - como pude esquecer um show inesquecível, Senhor? -, com direito a várias voltas do artista ao palco, atendendo a pedidos de uma platéia que se recusava a ir embora. Depois desse, me lembrei também do show da Legião Urbana também no Maracanãzinho, mais ou menos na mesma época. Do outro show da turnê Francisco no Canecão, que também assisti, poucos meses antes de revê-lo em versão multidão. Lembrei de um show do Tim Maia no Circo Voador, folclórico e histórico, e de outro, do Paulinho da Viola, porque aqui tudo acaba em samba. Relembrei do show do Caetano no Canecão, em que ele falava sobre o momento em que compreendeu o fato de que o golpe militar era algo que veio "das entranhas do ser do Brasil", puro caetanês. Lembrei de outro show do Lulu Santos no Canecão - caras, esse é bom de palco, acreditem -, e até de um incrível espetáculo do Antônio Nóbrega, que assisti com convite de imprensa porque ainda não sabia que cada centavo pago valeria a pena.
Eu realmente adoro assistir a shows. Já fazia tempos que tinha perdido esse costume, mas agora o hábito está novamente incorporado à minha programação. O último que assisti, recomendo de olhos fechados: Palavra Cantada. Sim, o show é infantil, mas saibam que por uma série de circunstâncias fui sem meu filho, e me diverti quase tanto quanto as crianças.

***

Ontem, remexendo meus guardados, encontrei o ingresso (meio rasgado) do esquecido show inesquecível de Chico Buarque no Maracanãzinho. Vejam que engraçado, quantas coisas já não mais existem: além dos cruzados com que o ingresso foi pago, a patrocinadora Globo FM já era. A Vasp e o Maracanãzinho ainda existem, mas quem se lembra deles?
Ainda bem que o Chico continua por aqui, firme, forte, e com o sorriso mais lindo do planeta.



-Monix-

9:00 AM



Segunda-feira, Março 27, 2006

Imperdíveis da semana (passada, mas e daí?)

*Cláudio, o carteiro, e o amor sensorial aos livros. Lindo.
*Denise Arcoverde falando sobre o ego na blogosfera - que, pensando bem, também poderia se chamar Umbigolândia, né não?
*Especialmente para quem leu 'Grande Sertão' e pra quem viu 'Brokeback', não perca a genial paródia do Serbon.
* A análise precisa e preciosa do 'Almirante' sobre bloguicídio.
Nos comentários a esse post fiquei sabendo do babado da semana: ele vai voltar, o biscoito fino promete voltar para a(s) massa(s). Aliás, já voltou. Alvíssaras.
*Alguém talentoso não quer fazer uma paródia de 'Ronda' falando das visitas aos blogues? Alguém se habilita? Christian, ainda tens a prática? Tá dada a idéia, se alguém aproveitar, me conta.

Helê

12:59 AM


Shows Inesquecíveis - Fridhelê

- Francisco e Paratodos - porque Chico Buarque é sempre inesquecível. O primeiro acho que foi em 88, havia muitos anos que ele não fazia shows. A temporada foi prorrogada, ele dava 3, 4 bis, e depois fez um show no Maracanãzinho, ao qual eu fui também.
- Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, Maracanãzinho, 89 - porque estávamos todos no auge da juventude, eu, eles e a platéia, e os shows foram maravilhosos.
- Velô, Caetano, Circo Voador, com meu amigo Vitor Santos - pelo show, pela companhia sensacional e pela tietagem no final (sim, eu fui falar com ele após o show).
- Paul MacCartney - pelo valor histórico (eu vi um Beatle tocar!)
- Ideologia, Cazuza - porque foi o último show dele, e quem estava lá teve certeza disso.
- Circuladô, Caetano Veloso, na Praça do Canhão em Realengo - porque Caetano levou para uma praça no subúrbio o mesmo excelente show que esteve no Canecão, e foi bacana observar a alegria de gente que estava tendo a oportunidade de ver pela primeira vez um grande nome da música.
- Tom Jobim, praia de Ipanema, aniversário da cidade - Precisa explicar? Um concerto, o povo educadíssimo, assistindo sentado na areia, cantando baixinho, uma coisa! Com direito a avião sobrevoando a praia antes de aterrisar ao som de 'Samba do Avião'.
- Tropicália, Gil e Caetano na Praça da Apoteose - porque o show foi ótimo e no final, quando Gil tocou 'Sítio do Pica-Pau Amarelo' a Apoteose virou um imenso playground de adultos.
- Família Caymmi, Imperator - porque Dorival Caymmi, aquela altura já com mais de 70 anos, foi o velho mais charmoso que eu já vi na vida. Revirava os olhinhos e pronto, a platéria estava a seu pés.
- Mais, Marisa Monte, com Andréia e Lucinha - pela companhia e pelo show impecável.
- Adriana Partimpim, Calcanhoto - porque foi o primeiro com minha filha e foi primoroso.
- Tim Maia no Circo Voador - porque ele foi!

Helê

12:29 AM



Domingo, Março 26, 2006

Revolucionária

Aliás, no meu livro de 'Regras para um casamento bem-sucedido' (acabei de inventar), vou incluir o rodízio de filhos. Mesmo casados, num finde, o pai sai com os filhos; no outro finde, a mãe. No terceiro, todo mundo junto. E no quarto, os filhos vão pra casa da avó e o casal curte sozinho. Não seria civilizado?

Renata Cunha, Supreme Hors Concours, num momento particularmente brilhante e bem-humoradíssimo, como sempre.

Helê

12:08 AM



Sábado, Março 25, 2006



Na minha próxima vida passada, quero vir melindrosa. É a coisa mais linda, mais feminina, mais sexy, mais ousada, mais recatada, mais tudo-ao-mesmo-tempo-agora, essa moda dos anos 1920.

-Monix-

11:09 PM


Geração 80

não é nossa culpa, nascemos já com uma benção
a gente não quer só comida
só lemos os quadrinhos dos jornais
somos burgueses sem religião
contra todos e contra ninguém
toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
eu quero lutar, mas não com essa farda
e um tiro só não vai me derrubar.

-Monix-

9:43 PM



Sexta-feira, Março 24, 2006

The Supremes


A doce Lígia disse que nós somos sublimes (peraí que vou levar o Egodizila pra passear!) e eu, seqüelada e debochada, imediatamente pensei nas Supremes e me imaginei de perucón, fazendo caras, bocas e coreografia com dona Mônica, cantando ''Ain't no mountain high enough''. Só tem um problema, elas eram três. Então tá lançado o concurso: quem quiser ser a terceira Supreme escreve pra cá e diz porquê. A melhor justificativa leva o posto e três mariolas light.

Atenção: a sócia avisa que a de braços levantados é ela, ninguém tasca. Poderoooooooosa!...

Helê

3:20 PM


Segunda chamada ou Cadê os meninos?

Agora, uma coisa: vocês viram quanta mulé nessa festa? Em 46 comentários, quatro hômis, menos de 10%, se não me falha a matemática. Seriam Henrique, Cláudio, Júnior e Flávio os únicos? Ou os meninos são mais tímidos na hora de comentar? Heim? Heim?


Estariam os meninos ocupados, Batman?

Helê

3:13 PM


Resumo da ópera ou Foi bonita a festa, pá

Gente, a festa de segunda-feira foi uma delícia, eu adorei (só aqui mesmo pra rolar festa nesse dia infame!). Sim, porque nós tivemos a impressão que foi de fato uma festa de (re)encontro, pautada por essa maravilhosa loucura que só a internet proporciona, que é dizer ''muito prazer'' pra alguém que já te conhece, sabe até as suas manias. A festa foi tão boa que tem gente chegando até hoje (e nós recepcionamos todos).

A casa está sempre de portas e braços abertos a quem quiser entrar em paz e for do bem. O que não significa que queiramos apenas aplauso e concordância; a bronca é livre, desde que não falte loção, digo, noção (muito em falta por aí; aqui, graçadeus, abunda).

Como Monix disse mui bem, a gente bloga porque tem leitores, do contrário escreveríamos em diários clássicos, trancados a chave e segredo. Não, nós somos a imagem clássica do exibicionista que abre o sobretudo - com a diferença que a gente se revela em letras.

Por isso comentários são tão importantes, pra gente saber o que vocês acham do que a gente tá mostrando. E pra gente observar um pouco de vocês também né, no melhor estilo eu mostro a minha, deixa eu ver o seu? (uia!).

Ah, e a gente tem complexo de Tim Maia, precisa sempre de retorno!

Helê

3:08 PM


Minha fantasia


A original e eu, no carnaval


Helê

2:00 PM


Enfim, uma rádio moderna.

-Monix-

11:42 AM



Quinta-feira, Março 23, 2006

As julices e as avós, ali.
Angeli, higiene, as mulheres e os óculos, acolá.
É que o Cabôco Postadô tem dupla personalidade. Aliás, tripla.
Helê

12:58 AM



Quarta-feira, Março 22, 2006

Apelo

Eu tive um tio chamado Antônio de quem eu guardo as melhores lembranças e as maiores saudades. Ele morreu cedo, porque 'os bons morrem jovens', já disse o Renato Russo - que também se foi cedo, vítima da mesma doença. Mas no tempo em que esteve entre nós meu tio Antônio foi o tio, para várias gerações da nossa família, de presença marcante para primos e irmãos mais velhos e mais novos, e ainda para os filhos deles. Ele foi, e ainda será por muito tempo, o fio condutor e o elo de ligação na ''Via-láctea da nossa família'', como ele me escreveu num cartão de agradecimento, transcrito abaixo.

Uma das lembranças mais doces e antigas que eu guardo do meu tio Antônio é de quando eu e meu irmão chegávamos na casa da minha vó, íamos correndo pro quarto dele e pedíamos para ele colocar pela milésima vez o disco do Pluft, o fantasminha, da Maria Clara Machado. Já era um disco diferente de todos porque era azul. Depois, tinha um elenco fantástico, encabeçado pela Louise Cardoso, que nos contava uma história genial sobre um fantasma que tinha medo de gente. Naquela época sem fita cassete ou dvd, aquela era a nossa história de estimação, que a gente conhecia de cor mas queria sempre tornar a ouvir. E hoje, quase trinta anos depois, eu sou capaz de lembrar de diálogos inteiros, das canções, do tio Xisto e da prima Bolha como se tivesse ouvido o disco ontem.

Eu gostaria muito de colocar esse disco pra minha filha escutar - porque é maravilhoso e por causa do valor sentimental que tem para mim. Já tentei consegui-lo via internet, em saldos; já encomendei ao meu irmão, que é perito em achar discos raros e também teria todo interesse em resgatar esse pedaço de infância da nossa vida, mas nada. Agora uso o blogue pra fazer esse apelo, meio que parafraseando o Exupéry que pede para avisá-lo se alguém souber do Pequeno Príncipe. Quem tiver esse lp e quiser vender, grava-lo, reeditá-lo, 'escreva-me depressa dizendo que ele voltou'. Será uma maneira simbólica de unir meu tio e minha filha, formando mais uma constelação da nossa família.

Essas palavras são de gratidão
e carinho
nada como ter o sol, o mar
florestas e sobrinhos.
Sobrinha minha, ponto + ponto
formando uma só linha
Que joga meu coração como pipa
ao mais alto céu que a vista 'via'
A via láctea da nossa família.

Antônio Luiz da Costa, dezembro de 1982

Helena Costa

11:52 PM


"O nível de ocupação dos chefes de família é ligeiramente maior entre os que moram em domicílios que participam de algum tipo de programa governamental de transferência de renda. (...)
O secretário de avaliação de gestão de informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Rômulo Paes de Souza, avalia os dados positivamente:
- A grande novidade é que as pessoas não estão deixando de trabalhar só porque recebem auxílio financeiro. Em vez de se acomodarem, elas entram no mercado de trabalho mais cedo e saem mais tarde do que aqueles que não participam de programas sociais - afirma o secretário."

O Globo, 22/3/2006



Enfim uma pesquisa com resultados interessantes! Gostei de saber disso. Quase todo mundo (com as melhores intenções, claro) repete, meio sem pensar, aquele discurso contrário aos "programas assistencialistas", "demagógicos", porque, afinal, "tem que ensinar a pescar" etc e tal.
Eu mesma já caí mil vezes nessa armadilha do discurso pronto e fácil.

Mas, pensando melhor e de posse dos dados do IBGE, até que faz mais sentido entender dessa forma. É preciso imaginar qual o impacto na auto-estima de um pai de família, ou, mais provavelmente, de uma mãe de família, poder pelo menos ter o básico que comer, ter o dinheiro da passagem, ter roupas decentes pra vestir. Sem esse básico, sem o essencial dos essenciais, não dá nem pra começar a procurar emprego, né, gente?

Eu já fui desempregada. Uma desempregada de luxo, com mesada do marido, aluguel na zona sul, contas pagas, até viajando nas "férias", olha que desemprego bão. Mas só eu sei do rombo que isso causou na minha auto-estima. Só eu sei quantas vezes pensei que não era capaz. Só eu sei das vezes que tive que me vestir bem, me maquiar, arrumar o cabelo, ensaiar o melhor discurso "eu-sou-boa-sim-me-contrate-por-favor", quando na verdade só queria ficar debaixo das cobertas assistindo mais um sitcom idiota, evitando o risco de mais uma rejeição.
Fico só imaginando como deve ser pra alguém que calçou um sapato furado e não tomou café da manhã.

-Monix-

4:20 PM


Sintonia Fina

Eu vinha no metrô pensando em fazer um pideite (como diz a Fal) ou mesmo um post lembrando que mi sócia, La Taurina, está em vias de cumplir años. Embora eu não tenha lembrado disso na hora de postar o texto das bonecas - que já tava escrito há dias (é o cabôco, é o cabôco) - nada impede de vir aqui e sugerir presente pra ela, já que tive a cara de pau de fazer pra mim mesa, ué.
Aí eu chego aqui e ela é que tem presente pra mim. Mas tudo bem, a gente já combinou que não vai comentar mais certas ''coincidências'', vamos fazer de conta que é assim mesmo, né, Mô?
E o Cláudio Luiz, gente, melhor carteiro da região, captou a mensagem antes mesmo dela ser explicitada - sintonia é isso aí!
Helê

Update da Monix: Presente? Oba! Se eu fosse um pouquinho mais cara-de-pau... ;-)

1:36 PM


A bonequinha da Frida Kahlo está, definitivamente, na minha lista de sonhos de consumo para um futuro próximo; pra minha sócia, queria dar isso aqui de presente.

Monix, misturando os posts

11:11 AM


Da série Favoritos das Fridas
Persongens de quadrinhos:


Mafalda, Monix


Calvin, Helê

12:56 AM


Bonecas - de novo!

Há pouco tempo que eu falei aqui sobre bonecas - uma lésbica e outra tida como, mas que na verdade era apenas simpatizante :-) . Se você achou a primeira muito muderna e a segunda, careta, pode optar pela mãe pós-moderna:

Será lançada nos EUA no Dia das Mães uma boneca que retrata a mãe moderna. Criada pela Happy Worker, estará vestida para ir para o trabalho, mas carrega um bebê nos braços. A mãe e a criança tem rostos tranqüilos e sorridentes, mas o kit inclui opção irritada (para o bebê) e exausta (para a mãe) - basta trocar as cabeças. Também fazem parte do brinquedo os acessórios da mãe - um celular, lista de coisas a fazer, um saco com compras de supermercado e um par de tênis, alternativa para o sapato formal que ela calça. A boneca SuperMom "explora os desafios e dificuldades da maternidade moderna", diz a fabricante, e reflete a realidade de "3/4 da mulheres que têm que se dividir entre filhos e o trabalho".

No site do fabricante, até onde meu inglês pôde me levar (e meu inglês é sedentário) a empresa dedica-se a fazer bonecos de heróis do cotidiano. Bacana, orginal, mas fiquei incomodada não apenas com a estreiteza rudimentar de fazer todos os bonecos homens - Bossman, Moneyman, Geekman - mas também porque neles não há nenhuma referência à paternidade. A única mulher a entrar na galeria precisa ser mãe pra ser super. Como se pais também não tivessem que se dividir entre filhos e carreira. Ok, este talvez não seja o padrão dominante, mas a gente não estava querendo fugir da mesmice comprando um boneco desses?

Mas se você quiser fazer a alegria das Fridas, nosso modelo favorito é esse aqui ó:


A Frida faz parte da coleção Pequenos pensadores, que tem ainda Freud, Einstein, Virginia Woolf e até Van Gogh com orelha removível, hahahahahaha! O site chama-se 'Associação de Filósofos Desempregados' - e é hilário, gente. Vale a pena a visita porque é engraçado, supercriativo e fofo.

Helê

12:46 AM



Terça-feira, Março 21, 2006

Aviso aos navegantes: todos os comentários feitos no post "Dia do Visitante Anônimo" estão sendo respondidos. Quem já escreveu pode ir lá ler sua resposta - quem não escreveu ainda... tá esperando o quê? :-)

Frida

9:59 PM



Segunda-feira, Março 20, 2006

Abecedário das Fridas
A partir de uma idéia genial dos Q2I

Almoços. Blogosfera. Crias. Dufas. Elegância. Fuxico. Gentileza. Humor. Irmãos. Justiça. Khalo. Livros. Música. Nobreza. Otra. Pussy Power. Quase tudo. Rio de Janeiro. Samba. Túnel. Una. Vênus. XX. Yin e Yang. Zona norte e Zona sul.

As Duas

10:46 PM


Dia do visitante anônimo

Nos últimos tempos o blogue tem batido recordes de visitantes - esperamos que seja apenas o começo do caminho para fama, fortuna e glória. Continuem acessando, recomendando, e principalmente, lincando, que isso é que ajuda a pessoa a aparecer bem na foto do Google.
Mas, acima de tudo, venham nos ler e comentem, amigos. Nós adoramos comentários - a gente confunde com boletim escolar, e se a galera não comenta a gente fica achando que tirou nota baixa. Zero comentário é pior que reprovação. E olha que as duas já tomamos bomba, sabemos do que estamos falando.
Por isso, vez por outra vamos decretar o dia do visitante anônimo se apresentar.
Começando hoje.
Oi, amigo(a) silencioso(a), quem é você? Por que você nos lê? Pode falar, puxe uma cadeira e fique à vontade, a casa é nossa.

Las Dos Fridas

12:11 AM



Domingo, Março 19, 2006

Enquanto eu preparo a minha lista - e finalizamos o nosso abecedário - passem lá no Azeitona pra saborear a empada nova. Mas cuidado, pode abrir outros apetites...

Helê

10:53 PM


Os Dez Melhores

1 - Rolling Stones, Praia de Copacabana, 2006
2 - Madonna, Maracanã, 1993
3 - REM, Rock in Rio, 2001
4 - Titãs e Paralamas (Hollywood Rock), Praça da Apoteose, 1992
5 - Paul Mc Cartney, Maracanã, 1990
6 - Legião Urbana, Jockey Clube, 1990
7 - Titãs, Teatro Carlos Gomes, 1986
8 - Blitz, Canecão, 1984
9 - Manu Chao, Fundição Progresso, 2000 Mano Negra, Arcos da Lapa, 1992
10 - Elton John, Estádio da Gávea, 1995 Lulu Santos (Hollywood Rock), Praça da Apoteose, 1988

E os seus? Quais são?

-Monix-

12:16 AM



Sexta-feira, Março 17, 2006

Talvez pra contrabalançar esse lado paz-e-amor do post aí debaixo, acabo de me lembrar de uma coisa que já devia ter contado aqui no blog há um tempão. Lembram da ditadura do limão? Pois é, a genialíssima Flávia, numa das vezes que fui a São Paulo, me deu uma solução maravilhosa e super eficiente - já foi amplamente testada, por diversas pessoas, e nunca falhou. É assim: em vez de pedir uma Coca "sem limão", peça uma Coca "só com gelo". Diz a Flá que é uma questão de neurolíngüistica: a gente diz a palavra limão e o garçom só retém essa informação, limão, limão, pronto, contaminou minha Coca-Cola.
Podem testar, la garantía soy yo.

Monix, que jura que tem bebido só uma Cocaláite por semana, mas não pode deixar de compartilhar a dica com os amigos

1:28 PM


Minhas naturebices preferidas

Pães integrais, shitakes e shimejis refogados na manteiga, com shoyu, missoshiro, tomates cereja, crus, fritos ou assados, com alho, uma boa salada verde, bem cheia de folhas, qualquer coisa com manjericão fresco, frutas tropicais, suculentas, tipo manga, a mais sensual de todas, torta de banana integral, batata baroa em qualquer apresentação, sopas cremosas.

Estão vendo, bando de incréus? Existe vida além do chocolate.

-Monix-

1:23 PM


Um homem jamais entenderá a plenitude de feminilidade que é passar batom se olhando no espelho retrovisor interno.

-Monix-

9:36 AM



Quinta-feira, Março 16, 2006

Invenções maravilhosas que fazem a alegria de uma mulher moderna (no caso, eu):
direção hidráulica
fraldas descartáveis
supermercado com delivery
desenhos animados com trilha sonora rock'n roll
cremes anti-celulite
tecidos sintéticos
telefone celular
listas de discussão
ar condicionado com controle remoto
guarda-chuvas dobráveis
garçons bonitões ;-)

-Monix-

Update: Um dia ainda hei de incluir nessa minha lista a depilação definitiva a laser.

9:34 PM



Quarta-feira, Março 15, 2006

Gosto sim, e daí?

Sempre que eu digo que gosto de funk é a mesma coisa: as pessoas me olham de um jeito estranho, como se estivesse dizendo que já fui a Júpiter ou coisa do tipo. Não é que eu conheça muitos funks - a Helê, a Letícia e o Emule me ajudaram muito -, nem freqüente o baile do Chapéu Mangueira, muito menos que vá sair por aí ouvindo o proibidão, que desse eu tô fora. Mas, preconceitos à parte, a batida é boa, embora às vezes meio tosca, e afinal, música é feita pra se dançar, não é?
Então pare de torcer o nariz e conheça alguns funks cariocas bem legais, antes de vir pra cima de moi com aquela mesma velha opinião formada sobre tudo. Hmpf.

É som de preto
De favelado
Mas quando toca ninguém fica parado
O nosso som não tem idade, não tem raça
E nem vigor
Mas a sociedade pra gente não dá valor
Só querem nos criticar pensam que somos animais
Se existia o lado ruim hoje não existe mais
Porque o funkeiro de hoje em dia caiu na real
Essa história de porrada isso é coisa banal
Agora pare e pense, se liga na responsa
Se ontem foi a tempestade hoje vira a bonança
(Som de Preto, Amilka e Chocolate)

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria que caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido a tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço à autoridade um pouco mais de competência.
Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
(Rap da Felicidade, MC Cidinho e MC Doca)


Conheça os funks que eu acho mais legais

-Monix-

7:48 PM


Estréia em grande estilo

(...) Então eu sorrio pra vocês, puxo o balde do poço da memória e derramo um dos meus começos favoritos, que permanece, não como um quadro, mas mais como o museu em si, onde a cada visita descubro uma ala nova, uma nova obra, um novo detalhe.

Eu, se fosse você, não perdia essa história; é tão bela quanto o jeito lírico como ela a derramou. Vale muito a pena o começo da Seal no Condomínio Brasil.
Helê

1:13 AM


Ainda as manias
O Ina ignorou (quem mandou a gente se metê com blog star?), mas o Cláudio obedeceu, a Marina respondeu, o Zé aceitou (e convidou o Outro dele) e o Fernando prometeu. E essa moça aqui inovou, costurando uma colcha bacana com os retalhos-mania que encontrou pelaí e por aqui. Gostei, Mariza. Ah, ::Fer::, aproveitando a metáfora costureira, sua viagem sobre o encontro entre Ben Harper e Marvin Gaye dá pano pra mangas, hein? Musicais e literárias...
Helê

12:59 AM


De cabo a rabo

Na lista dos "quatro cds que você adora"- em que enumerei doze - por favor, incluam Sobre todas as coisas, da Zizi Possi. Um disco bom do início ao fim, antológico, atemporal, imperecível. Por causa dele Zizi consquistou meu respeito perene. Com "Sobre todas as coisas" - que tem um projeto gráfico equivocadao, com ilegíveis letras dourado-escuras sobre um fundo vermelho - ela inscreveu definitivamente seu nome entre as grandes cantoras brasileiras.
Helena Costa

12:32 AM


Em algum lugar

Soube que a mulher do Super-Homem morreu na semana passada, vítima de câncer, aos 44 anos (Dana Reeves, viúva do ator Christopher Reeves, que com ele fundou a Paralysis Resource Center ). Fez-me lembrar dos inúmeros casos que ouvimos falar de casais idosos, em que, morto um deles, o outro não se demora muito por aqui. Eu não acompanhava o trabalho deles de perto; mas a morte de Danna tocou-me; lamentei com um suspiro, que seguiu-se a um sorriso terno. Não pude evitar pensar que os dois se reencontrarão - expressão inesperada de um espiritismo que eu não pratico e de um romantismo que eu não reconheço. Mas que de vez em quando me entrega, o safado.
Helê

12:31 AM



Terça-feira, Março 14, 2006

Eu sou uma gata que não gosta de água fria.

Mas em dia de conversão para gás natural, só restou encarar a ducha gelada. Ew.

-Monix-

3:55 PM



Segunda-feira, Março 13, 2006

Duas Fridas Informam

A quem interessar possa: nosotras enviamos para alguns amigos, eventualmente, um jabá-mail, isto é, um e-mail propaganda que avisa sobre as novidades do blogue. Não tem freqüência definida e dirige-se especialmente aos menos conectados, mas pode ser enviado para qualquer pessoa interessada. Se você quiser receber, escreva pro nosso e-mail pedindo para ser incluído na Lista das Fridas.

As Duas

4:02 PM


Cama e mesa
Homem eu prefiro ao ponto.
Mas se for pra variar, eu prefiro bem passado - não tenho a menor paciência para garotos crus...
Frida

Mesa e cama
Já eu, sou mais uma comidinha caseira. Mas bem temperada, claro.
Y Otra

3:51 PM


Da série Favoritos das Fridas

Os carecas que elas gostam mais:



Ed Harris, Helê



Woody Harrelson, Monix

2:56 PM



Sábado, Março 11, 2006

Notas Noturnas

U don't have 2 be rich
2 be my man
U don't have 2 be cool
2 rule my world
Ain't no particular sign I'm more compatible with
I just want your extra time and your
Kiss

***

Mulheres amam gays. Gays querem homens. Homens adoram mulheres. Do the math.

***

Meninos, eu ouvi. A bicha pro bofe, depois de levar um corte: "tudo bem, não te desejo mal. Só queria que te vendessem enlatado, pra eu te comprar todinho."

Aqui tem a trilha sonora do post

Frida glitter

5:21 PM



Sexta-feira, Março 10, 2006

Cada Frida

Uma gosta de funk
A outra tem mestrado
Uma não dirige
A outra joga na Megasena
Uma já pegou ônibus atrás da Central do Brasil
A outra, nunca
Uma faz ponto cruz
A outra tentou crochê, mas desistiu
Uma foi bolsista na escola
A outra, também
Uma tem um filho
A outra tem uma filha
Uma é a outra
A outra, ela mesma

Las Dos Fridas

As Fridas estão embaralhadas, porque não importa. Mas a gente já percebeu que vocês adoram tentar, então quem quiser descobrir, está cheio de pistas aí pelo arquivo. Fiquem à vontade.

2:40 PM


Post em dois tempos
Brokeback Mountain lado A


O maior defeito de Brokeback Mountain é a sua fama, decorrente de seu enredo insólito e iconoclasta. Portanto, a culpa não é do diretor, nem do filme em si, e o mesmo que o destaca o destrói. Achei um bom filme, mas saí do cinema decepcionada, pensando: 'Esperava mais'. Depois, refletindo e trocando impressões*, gostei mais um pouco. Talvez "Brokeback", mais do que qualquer outro dos indicados ao Oscar deste ano, sofra de uma espécie de síndrome de filmes muuuuito falados, sobre os quais você acaba criando expectativa enooorme - em geral maior do que eles podem suportar. E mesmo sabendo da injustiça em comparar diferentes obras de arte, ao sair do cinema eu não pude deixar de pensar que ninguém contou tão bem uma história de amor entre peões como Guimarães Rosa em "Grande Sertão Veredas".

Mas é preciso reconhecer que Rosa encheu de som e fúria o silêncio sertanejo, o demônio na rua no meio do redemunho. Por outro lado, Ang Lee lembra sempre que pode que filmou uma história de amor entre dois homens do interior, quarenta anos atrás. Com o perdão da generalização, interior é igual em qualquer parte do mundo: as pessoas tendem a ser mais contidas, reservadas, desconfiadas até. Não se pode assistir ao filme esperando que os caras discutam a relação; e sair do armário não é uma opção.

'Iconosclasta' parece-me uma palavra bastante adequada para o filme. Só eu já ouvi 17 diferentes tentativas de definições de homossexualidade e 33 de viadagem de gente que gente que foi ver o filme - a maioria, como eu, Simpatizante. E depois de concluir, não sem hesitação, quem era mais ou realmente gay na história, descobre o essencial: que isso não faz muita diferença, os dois sofrem e gozam na mesma medida - ainda que cada qual à sua maneira. É que a gente, por mais simpatizante, militante ou tolerante que seja, fica querendo uma âncora, se agarrar a algum parâmetro, for Christ Sake! Colocar num escaninho certo, homem, mulher, homossexual... Quando percebe que todos são falsos, e que rótulos são só isso mesmo, frágeis adesivos na superfície de tudo, a gente pode apenas ter com-paixão por aquelas pessoas e por aquele amor.

E quando você lê que um casal de homens foi agredido a socos e pontapés em Ipanema por trocar um beijo; quando você sabe o filme foi proibido não só não na China, mas que foi retirado de um cinema em Utah e outro em Washington, percebe que a intolerância e a repressão talvez não estejam tão longe quanto pensamos - no tempo e no espaço.

*Eu evito ler críticas antes de ver os filmes, vejo apenas uma resenha breve pra saber sobre o que o filme trata. Muitas vezes recorro às críticas após o filme, buscando novos ângulos que talvez tenham me escapado. Essa aqui, por exemplo, ajudou a gostar mais do filme, além de ser muito bem humorada .

BrokeBack Mountain lado B - colheita de abobrinhas

- Eu confesso que pensei que Brokeback tinha alguma tradução, que fazia alusão a algo ou que era algum trocadilho... eu sou podre, eu sei; constatei depois de perguntar a várias pessoas e saber que não apenas não significa nada como ninguém tinha pensado numa sandice dessas.

- Também acho que o sobrenome de um dos personagens, "Del Mar", é assim meio... meigo, parece sobrenome artístico de drag queen ou transformista. Mas tá bom, eu admito que é tudo maldade da minha cabeça.

- Mas vem cá: precisava botar o nome de um dos meninos de Ennis? Pô, ennis é pau de fanho.

Helê

12:43 AM


Mirem-se no exemplo

Eu acho que bom atendimento é tudo nessa vida. Tá, eu posso estar exagerando, mas eu acho, paciência. Eu sou aquela capaz de fazer uma compra se for bem atendida/seduzida, aquela que retorna quando bem tratada e volta sempre, mesmo; a que é capaz de escolher um restaurante que não tem a melhor comida do bairro, mas onde o garçom vai me arranjar uma mesa em 10 minutos e ainda me pedir desculpas pelo atraso, me dando um chope enquanto eu espero. Ou um pirulito pra minha filha. Pronto, ganhou.

Isto posto, a história é que no domingo eu resolvi escrever pro Blogarithm depois de alguns dias de serviço irregular, com atraso na entrega, não entrega ou falsas mudanças (se você não sabe, o Blogarithm é um serviço que informa diariamente por e-mail quais os blogues de sua preferência que foram atualizados). Pois eu escrevi uma mensagem breve, com meu inglês paraguaio, pedindo esclarecimentos, afirmando que a continuar assim eu não poderia mais indicar o serviço. Qual não foi minha surpresa quando recebi uma resposta no mesmo dia. No domingo. De alguém extremamente gentil, dizendo que meu inglês não era perfect mas era clear; pedindo sinceras desculpas, explicando as razões dos problemas e pedindo ainda um pouco de paciência; em seu favor dizia que esta era a primeira pane grave em 4 anos de serviços e deixando-me à vontade para novas reclamações.

Achei a resposta super cuidadosa e gentil, cheguei até a comentar com Monix. Respondi dizendo que qualquer má impressão havia se dissipado com o e-mail deles, que eu continuaria a usar e apoiar o serviço. Ao que eles responderam novamente, horas depois, dizendo literalmente: you made our day.

Eu quis escrever sobre isso aqui; depois achei que era paranóia de blogueira que quer fazer post de tudo. Mas quando eu lembrei que pago para o Blogarithm infinitamente menos do que para qualquer outra prestadora de serviço (como NET, Claro, Telemar e quetais) e mesmo lojas (como a a Americanas.com, que entregou uma compra que fiz com uma semana de atraso sem explicação ou desculpas) eu percebi o quanto era importante reconhecer a gentileza e atenção do Blogarithm Team - que me presta um serviço gratuito. Bom atendimento é tudo nessa vida.

Helê

12:33 AM



Quinta-feira, Março 09, 2006

Balanço do (quase) trimestre

Sorrir mais e franzir a testa menos
Cuidar da saúde
Pagar as contas
Acertar as contas
Segurar as pontas
Ver mais filmes
Ler mais livros
Escrever mais
Botar uma persiana na sala
Chamar o marceneiro para fazer o aparador
Comer menos chocolate
Beber (muito) menos Coca Light
Deixar menos furos com os amigos
Só aceitar os compromissos que possa cumprir
Cuidar bem do meu carro (Trocar de carro?)
Viajar nas férias (imprescindível) - em andamento
Fazer pelo menos um aporte para a previdência complementar
Mandar imprimir as fotos de 2005 que ficaram todas no HD do computador - em andamento
Organizar os álbuns de fotos
Esvaziar as duas últimas caixas da mudança (as mais chatas, com contas antigas e recortes de jornal)
Manter a casa em ordem
Manter a vida em ordem

Tô bem na fita.

-Monix-

11:38 PM


Ex-noivo impede britânica de usar embrião congelado
Do Independent, republicado pela Folha de S. Paulo

A Corte Européia de Direitos Humanos decidiu que uma mulher britânica que ficou infértil depois de submetida a um tratamento contra câncer não poderá utilizar seus embriões congelados para ter um bebê sem a concordância de seu ex-noivo.
Natallie Evans e seu ex-parceiro, Howard Johnston, usaram suas células sexuais para criar seis embriões durante tratamento de fertilização, mas, após a separação deles, Johnston retirou seu consentimento para que os embriões fossem utilizados.
Evans, 35, diz que os embriões representam sua única chance de ter um filho próprio e que o fato de lhe ser negada a permissão para usá-los constitui uma violação de seus direitos humanos.
Mas ontem a Corte Européia manteve uma decisão anterior da Alta Corte, segundo a qual o consentimento contínuo tanto do homem quanto da mulher é necessário durante todo o decorrer dos procedimentos de fertilidade.
(...)
Ontem, ela fez um apelo emocionado a Johnston: "Howard pode achar que já é tarde para mudar de idéia, mas não é. Por favor, Howard, pense sobre isso. Pense no que você está fazendo comigo". Ela acrescentou: "Já tentei todas as maneiras possíveis de falar com ele, mas nada funcionou. É claro que não estou dizendo que ele não tem direitos, mas ele sabia no que estava se metendo quando iniciamos o tratamento para fertilização "in vitro". Ele optou por se tornar pai no dia em que criamos os embriões. Foi escolha dele ser pai." Johnston afirmou que não pretende mudar de idéia.
(...)
Especialistas em fertilidade saudaram a decisão, dizendo que ela defende os direitos dos homens de não se tornarem pais de filhos que não desejam.
Johnston afirmou não ter dúvidas de que a apelação legal de sua ex-parceira vai fracassar: "O fator-chave, para mim, foi poder decidir se e quando eu crio uma família. Tudo se resume realmente a isso".



A mulher mais bonita do Brasil me mandou essa notícia e eu, sinceramente, não sei qual minha opinião sobre o caso. (E olha que eu tenho opinião formada sobre quase tudo, a despeito de ser uma metamorfose ambulante.)
Mas, só pra levantar o debate, digo que tenho uma certa dificuldade de aceitar que o Estado, por meio de seus tribunais, Poder Judiciário, sei lá o quê (Cam, me ajuda que eu sou leiga!), tenha o poder de interferir em aspectos da vida humana que são, essencialmente, privados. Como o aborto, por exemplo. Ou os direitos reprodutivos. Ou, para não ficar só nas causas politicamente corretas, até mesmo na violência doméstica.
Em teoria eu entendo, e é claro que, grosso modo, concordo com a regulação das atividades dos indivíduos que vivem em sociedade. Seria impossível conviver sem regras comuns a todos, blablabla.
Mas, sei lá, tem um lado meu que realmente não entende o que que é que os juízes têm a ver com o fim de caso alheio. Mesmo que esse fim de caso envolva laboratórios, criogenia, embriões fertilizados in vitro, mutações genéticas, alimentos trangênicos, enfim, essas coisas modernas da biotecnologia.
Viver no século XXI é um trabalho intelectual constante, vocês não acham?

-Monix-

PS - Cam, você tem razão, tem horas que só mesmo convocando as forças rebeldes. ;-)

12:09 PM



Quarta-feira, Março 08, 2006

E quem recusaria uma convocação da Megera?

Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.


Uma Frida

- Não posso usar decotes muito altos (gola rolê, em casos excepcionais, mas aquele decote T-Shirt tradicional é uma tortura), nem colares apertados. Gargantilhas, jamais. Desde pequena. Minha mãe ficava louca da vida porque eu deformava todos os uniformes, puxando a gola da camisa de malha pra baixo. Ficava uma beleza, tipo um decote em forma de papo de pelicano. :P

- Amo catar migalhinhas de pão, casquinhas de queijo derretido ou qualquer resíduo de comida que fique no prato. É uma coisa meio faminta, tipo etiópia, sabe? Total falta de classe. Pior quando eu me distraio e faço isso na frente de alguém que não sabe da minha doença mental, então sempre rola aquele papinho: "quer mais um pouco de (arroz, lasanha, torrada, o que for)?" E eu: "não, tudo bem, eu sou doida mesmo." Outro motivo de repreensões constantes por parte da mãe. Até o dia em que descobri que ela tem a mesma mania, só que sabe se controlar melhor que eu - e olha que isso não é pouco, em termos de auto-controle.
Outro dia descobri meu filho catando migalhas de pão, igualzinho. Acho que é um lance genético, hahahaha! Mas ensinei que esse é um segredinho nosso, ele achou divertidíssimo e pelo menos por enquanto não tem reproduzido a deselegância da mãe em locais públicos.

- Não permito que as várias pessoas na minha mesa no restaurante peçam pratos repetidos. Sim, a louca interfere nos pedidos alheios, quem costuma comer fora comigo até já sabe. Se alguém escolher o mesmo prato que eu, mudo meu pedido. Podem internar.

- Eu julgo as pessoas pela caligrafia. Pra mim, a letra da pessoa tem que ter um charme qualquer. Essas letras muito desenhadinhas, tipo professora, ou muito garranchentas, sei lá, me desanimam. Gosto de letras com personalidade, com estilo, com charme. Eu sou horrível, eu sei.

- Quando vou fazer alguma coisa que seja, para mim, minimamente importante, planejo minuciosamente, over and over. Redijo mentalmente os scripts dos diálogos, estudo mapas (se for uma viagem, por exemplo), preparo reações A, B e C, dependendo de como a situação irá se desenrolar, enfim, control-freak, eeeeuuu?
Desnecessário dizer que quase nunca as coisas saem como meu plano (mas às vezes rola, e é uma sensação de poder total). Embora isso não seja problema - sei que o fato de fazer um plano não significa que ele não possa falhar. Mas viver sem plano, sinceramente, eu não sei como.


Outra Frida

Mania...

...de ler no banheiro, durante as atividades mais prolongadas, digamos assim.

...de procurar revistas pra ler no banheiro (vi que era mania quando continuei procurando, mesmo depois de deixar as revistas à mão).

...de comer no cinema (pipoca, halls, mentos, amendoim, o que for. Se não tiver eu passo a sessão toda agoniada).

...de me cobrir pra dormir, mesmo com o calor senegalês do Rio. Eu posso até estar sem roupa, mas tenho que ter pelo menos um lençolzinho fino cobrindo.

...de ler coisas desnecessárias como "modo de usar" de xampus, condicionadores, hidratantes, bulas de remédios, etc

... de desvirar sapatos e roupas viradas ao avesso - provavelmente porque se dizia, quando eu era pequena, que se deixar essas coisas assim "a mãe morre"(!). Depois aprendi que morre mesmo, de vergonha da bagunça. Mas ainda assim eu preciso me esforçar muito pra não consertar.

...fazer listas: do que fazer, livros, cds e dvds que quero comprar, pessoas que tenho que encontrar, assuntos sobre os quais escrever, questões a resolver, mp3 que quero baixar, etc.

Nossos convidados:

Marina W

Cláudio Luiz
Inagaki
Fernando

2:55 PM


Confetes esquecidos

- Gente, nome de bloco é um capitulo a parte no humorismo nacional. O que eu mais gostei esse ano foi É mole mas é meu, cuja camisa estampa um peru (ave).

- Melhor frase carnavalesca que li no Slow Down : É hoje que eu só volto amanhã!!

Helê

11:12 AM


Julgando os jurados

Eu nem ia falar sobre isso, porque as injustiças nas notas do desfile das escolas de samba são anuais. Acontece que quando a campeão merece o título, não se fala muito sobre as notas separadamente. Mas, esse ano, embora poucos tenham contestado o títutlo da Vila, certas notas doram escandalosamente equivocadas. E como nossos leitores já se manifestaram (ai, esse plural é tão lindo! Nossos leitores), vamos lá malhar os jurados. Que esse ano se superaram e, depois de desagradar a mangueirenses e imperianos, aumentaram o tamanho da cagada (desculpa gente, não achei termo mais preciso) justificando os votos. Pra quem não soube:

JURADOS SE EXPLICAM E CRIAM CLIMA DE GUERRA
Se a abertura dos envelopes com as notas dos desfiles do Grupo Especial anteontem já tinha causado polêmica, a justificativa de alguns jurados para as avaliações serviu para pôr mais lenha na fogueira. (...)
Na Mangueira, que recebeu 9,5 em Conjunto do jurado Lula Vieira, a indignação era geral. Anteontem, Lula dissera que achou óbvio o mar verde e rosa, formado por fantasias verdes com nuances de rosa e rosas com nuances de verde.(...)
A explicação da jurada Cris Moura para a nota 9,7 em Alegorias e Adereços[da Unidos da Tijuca]. Cris disse que nem todos os carros da escola eram geniais.
- Os ETs, que eram bonecos, poderiam ser gente pulando. Poderia ter enriquecido mais. Já o carro do boneco poderia ter vindo com luzes dentro da chupeta - afirmou Cris.
A escola da Tijuca não conseguiu engolir também o 9,5 em Harmonia. Mas o jurado Benvindo Siqueira explicou:
- O samba-enredo tinha um cacófato em 'a música ganha'. Além disso, houve um deslocamento da tonicidade em 'minha Tijuca', pronunciado como 'minhá Tijuca'.
O Globo, 03/0306


Agora me fala, tem cabimento este publicitário (tsk,tsk,tsk) tirar pontos da Mangueira porque ela tinha muito verde e rosa? E me explica, por favor, se Benvindo Siqueira julgava harmonia, porque tirou pontos da escola baseado num cacófato do samba-enredo? E essa desenfeliz que quer dizer que o carro da poderia ser assim ou assado?!?!. Eu também que essa senhora e esses senhores poderiam muitas coisas... Se você também se revortô, desabafe aqui nos comentários, a bronca é libre.

Helê

11:05 AM



Terça-feira, Março 07, 2006

Oração da Patricinha
Wagner Teixeira, 12/6/1997

Faça de mim, senhor, a mais charmosa
das criaturas, sempre em evidência,
a desfilar, correta, vaporosa,
sem problema de fé ou consciência.

E que eu escolha grifes - só as boas -,
amigos ricos, sem complicações,
E que todos me adorem, cantem loas,
ou me tragam seguras emoções.

Ordene meu caminho, o melhor
entre os melhores já imaginados
ou pelo Homem um dia palmilhados,

Londres, Paris, eu saberei de cor
os endereços quentes da elite
para viver meus sonhos de Afrodite.

(postado por Monix)

9:55 PM




Quantos frames você vai demorar para descobrir do que se trata?

-Monix-

3:03 PM



Segunda-feira, Março 06, 2006

Oscarices

* Porque alguns jornalistas precisam dizer que Brokeback Mountain é um filme sobre ''o amor entre dois cowboys gays''? Não é meio redundante? Será a necessidade de ressaltar, pra evitar qualquer equívoco, que só (e somente quando!) um homem é gay pode amar outro? Eu posso estar viajando, admito. Mas será que falariam, por exemplo, ''a história de amor entre duas mulheres lésbicas?'' Sei não.

* Cara, que patriotada imbecil o Rubens Ewald Filho dizer ''Ganhamos!'' quando a Rachel Weisz foi premiada. Ah, fala sério! Se situa, Ru!

* Amei o bom humor e a cara de pau da Corinne Marrinan, que agradeceu à Academia por colocá-la ao lado do George Clooney no almoço dos indicados. E a carinha que ele fez pra câmera?! Meus sais, por favor!

* Um dos momentos mais engraçados e bacanas foi a montagem de trechos de filmes de cowboy que, fora do contexto, eram mais gay que as duas horas do filme do Ang Lee. Trechos como uma machão daqueles dizendo: ''Isso fica entre eu, você e o cavalo''. Hilário!

*Momento féxion:
- O laço do vestido de Charlize Teron foi tudo nessa vida, numa noite de muitos pretos - ainda que nada básicos. Aliás, o vestido todo, vamocombiná, a megera arrasô.

- Ninguém convidou a Cher? De quem é que a gente vai falar mal?

- Ah, já sei, da Naomi Watts usando um vestido cor-da-pele-dela - ô coisa mais sem graça! A Nicole (Kidman, claro) já tinha feito isso um tempo atrás; ontem foi de branco também xôxo. Tá, o vestido é lindo, mas branco sobre branco? Me poupe!

- Viva dona J-Lo de verde exuberante!

- Catherine Keener - que eu aliás acho linda - não podia ter penteado o cabelo, gente? O Tim Burton, tudo bem, que ele é muderno. Aliás ele e a mulher, que cujo cabelo é tão estranho e alto quanto, só que ainda tinha laquê na casa deles quando ela arrumou.

* Fiquei tentando fazer uma analogia (maluca, claro) entre a apuração do desfile das escolas de samba e o Oscar. Quem não têm nada a ver, exceto pelo fato de acontecerem uma vez por ano, começarem de tarde e serem transmitidos pela tv. Mas por outro lado têm, se você pensar na importância que tem uma e outra premiação para a cultura de cada país. O problema é que os americanos nos convenceram que aquela cultura também é a nossa (exceto quando a gente quer receberem em dólar, como eles). Por outro lado, a nossa premiação é mais transparente, a gente sabe quem julga o quê e o porquê da certas notas - embora isso às vezes revolte mais do que explique (mas isso fica pra outro).

Mas poderia ser bacana se a Liesa, a exemplo do que fazem alguns jornais cariocas, distribuísse prêmios para diversas categorias, além do principal. Você poderia ter, por exemplo, o melhor carnavalesco (Paulo Barros/Ang Lee) diferente da melhor escola (Crash/Mangueira). Claro que ia dar confusão do mesmo jeito, injustiças seriam cometidas - como também acontece lá - mas pelo menos haveria maior visibilidade e reconhecimento de um trabalho imenso e coletivo, cujos louros centralizam-se na figura única do carnavalesco.

Helê

11:25 PM


Curtíssimas

O Rio de Janeiro continua sendo.

***

Ontem arrumei minhas fotos antigas. Nossa, já fiz muita coisa bacana nessa vida. (E pretendo ainda fazer outras tantas.)

***

Sou Touro com ascendente Aquário. O que significa que, se fui uma jovem meio certinha (só meio, não toda), estou ficando, cada vez mais, uma velha totalmente porraloca. Preparem-se.

-Monix-

9:10 AM



Domingo, Março 05, 2006

Ah, é assim, é? Então eu vou com esse aqui:


George Clooney
Helê
PS: Eu reprovei o teste, Mô, que quis me empurrar o Daniel Day Lewis e o Clive Owen. Se é pra sonhar deixa que eu escolho, e já que você passou passou a perna na dona Jolie...

8:58 PM


Meu par perfeito para a noite do Oscar:



Brad Pitt

-Monix-

12:29 PM


Let The Sunshine In



Quando respondi ao questionário sobre os filmes que poderia rever infinitamente, sem querer deixei de fora talvez o mais importante, pelo simples fato de que talvez seja o único que realmente eu poderia ver uma vez por mês, sem enjoar: Hair, de Milos Forman.
Hair entrou na minha vida provavelmente em 1983, de um jeito meio torto, porque pra falar a verdade não me lembro nem se na minha casa já havia videocassete. Minha melhor amiga da escola tinha uma vizinha dona de um vídeo e de muitas fitas importadas. (Nossa, como a gente entrega a idade quando começa a relembrar certas coisas.) Um dia, fui convidada a assistir a um filme muito doido, sobre uns hippies que fumavam maconha e transavam uns com os outros no Central Park. Muito divertido. Eu não entedia xongas de inglês, minha amiga teve que me contar a história do filme antes de assistirmos, e ainda me ajudou durante e depois. Pensando bem, nem precisava: mesmo não entendendo nada, entendi tudo.
Nossos leitores que viveram os anos 80 (suponho que todos) devem se lembrar do clima da época. Tudo era mezzo glitter/mezzo dark. A cultura new wave imperava, Morrisey ansiava por morrer atropelado por um ônibus, imaginem só. Vivíamos sob o signo pop da material girl, da febre das academias, da neura yuppie, do "câncer gay". Tenho a impressão que foi nessa época que inventaram as abomináveis listas In e Out. A gente realmente acreditava em certo e errado, então.
Imaginem, nesse contexto, uma menina-zona-sul típica, de 13 anos, entrando em contato, através da magia do cinema, com a liberdade, as cores, a alegria, a inconseqüência do movimento hippie. Descobrindo que a Era de Aquário estava pra chegar, e que esta seria uma época de harmonia e compreensão, empatia e confiança abundantes. Aprendendo que nem todo mundo precisa viver o mesmo modelo, que é possível ser feliz sem fazer concessões e que o certo às vezes é o errado e vice-versa. Tudo isso embalado por uma trilha sonora avassaladora e pela coreorgrafia desbundante de Twila Tharp. O filme é de 1979, estávamos a quatro anos de seu lançamento, o que nem era tanta defasagem para os padrões da época. Os hippies já não ameaçavam mais. A Guerra do Vietnã era, finalmente, um erro histórico. A Broadway e Hollywood já podiam empacotar a contracultura e transformá-la em entretenimento de massas.
Mas e daí?
Hoje sei que assistir a Hair na casa da vizinha da minha amiga foi uma das experiências que me ajudou a me transformar em mim mesma. Aos 13 anos, só curti de montão um filme muito doido.

Estou feliz demais porque hoje, finalmente, consegui comprar este DVD.

-Monix-

2:44 AM



Sexta-feira, Março 03, 2006

Ah, querida, mas o Rio tem know-how de eventos internacionais e glamurosos. Pessoal off-Rio: sempre, sempre, sempre que rolar um evento de grande porte por aqui e vocês estiverem a fim de vir, venham, venham mesmo. Não vale showzinho no Circo Voador que por esses eu não me responsabilizo. Mas mega-evento não tem erro, é tudo de bom, a cidade reassume seu lugar natural no mundo e arrasa, arrasa de com força.
(O tema ainda é o show dos Stones, mas o comentário que eu deixei lá no Torpor ficou tão legal - modesta, eeeeu? - que não resisti a compartilhar com vocês.)

-Monix-

6:28 PM


Pochete, não, né, rapazes? (Este blogue às vezes fica meio papo-mulherzinha, mas graças a Deus tem uma cota de testosterona circulando pelaí.)
Então, vamo lá, todos repetindo o mantra: pocheeeete nãaaaao, pocheeeete nãaaaao.
Entenderam, né? Ah, bom.
Na dúvida, leiam o manual de estilo do bofe bem, das bloggetes, não tem erro.

-Monix-

5:51 PM



Quinta-feira, Março 02, 2006

A maioria das pessoas selecciona as recordaçõespara usar como bóias: aqui fui feliz, é aqui que vou ficar, parado no meio do imenso e ignoto mar. Ou então: aqui fui infeliz, e daqui não quero passar. Distinguem-se assim, para uso quotidiano, optimistas e pessimistas - recordadores profissionais.

O trecho é do livro Fazes-Me Falta, da portuguesa Inês Pedrosa, que me foi dado de presente pela Ju.
Recomendo a todos que tenham intensidade na alma e sabores no coração.

-Monix-

10:02 PM


Momescas

* Sábado de carnaval, o cidadão na concentração do Prazeres da Vida, o bloco Daspu, e toca o celular. Desculpe aê, pessoal, mas era um paulista:
- Fulano, tô precisando do arquivo tal.
- Pô, cara, hoje é carnaval, eu tô na rua, brincando...
- Mas eu preciso disso, é urgente!
- Tá bom, vou mandar assim que der...
- Ó, mas é urgente!
- Tá bom, tá bom, segunda-feira, dia 6 sem falta tá chegando aí...

* Por uma dessas chamadas ''coincidências'' da vida, as estrelas do primeiro dia de desfile foram Maradona e Joãosinho Trinta, citados aqui na semana passada pelas surpreendentes recuperações que tiveram em 2005. Vieram celebrar na Passarela, misturando todos os posts da última semana. Adorei.



* Uma amiga me telefona às 23h50 no domingo de carnaval. Retorno a ligação meio assustada, mas ela só queria convidar para uma feijoada na casa dela na terça. É que ela estava voltando da praia, passou no Empolga às nove (bloco), tava indo pra casa e aí resolveu ligar... ou seja, tava o fuso horário do carnaval. Errada era eu, de estar em casa um hora daquelas!

* Eu vou escrever sobre isso noutra ocasião, inclusive ampliando a falange; mas que fique registrado: Jamelão cantando o samba da Mangueira aos 93 anos, com aquele vozeirão, é uma entidade, gente.

* Você fica com dó quando o carro alegórico quebra na avenida? Você não tem loção do que é estando lá: todo mundo fica tenso, sua vontade é descer da arquibancada e ir empurrar, seja que escola for. É um drama que comove todo mundo, e o desfecho, seja qual for, é sempre ovacionado pelo público.

* Pessoas, atenção: a Salgueiro é imperdoável, viu? O nome da escola é Acadêmicos do Salgueiro, o nome da árvore é um substantivo masculino (taqui o Houaiss que não me deixa mentir), eu não sei de onde certas pessoas (digamos, não-cariocas, pra não dizer que eu tô implicando) tiraram isso, que chega ofende os ouvidos!

* Gente, vamos combinar: o bigode do Max Lopes é o melhor adereço (ou seria alegoria) do carnaval, nénão?

* Sabe aquele folião bêbado igual a um gambá (que, pensando bem, eu nem sei se bebe) e fica ali, se mexendo sem sair do lugar, simulando um movimento que nem ele sabe qual é? Pois é, funciona que nem tubarão: se parar afunda.

* Eu saí de Frida Kahlo. Tranças, sobrancelhas, xale. Juro. Muléstia a parte, foi um sucesso.

* Pai, eu blasfemei: cheguei a dizer um dia que não gostava de carnaval. Não sei onde que eu tava com a cabeça, juro. Como diria mestre Cartola, 'Sim, deve haver um perdão para mim/senão nem sei qual será o meu fim'.

Helê

1:02 AM


Virunduns do carnaval

- Mangueira, teu senado é uma beleza...
Chico Buarque contou que, quando garoto, era assim que cantava a ''Exaltação à Mangueira''.

- No balanço das ondas, eu vou/no Marechal da Saudade, amor
Assim cantava meu cunhado favorito, que achava estranho esse marechal, mas samba-enredo às vezes é meio esquisito mesmo... (a letra correta é 'no mar eu jogo a saudade', samba do Salgueiro ''Explode Coração")

- Luciano confessou que achou durante um bom tempo que o bloco chamava-se Simpatia, Paz e Amor. É. Faz sentido. (Simpatia é quase amor é o nome de um importante bloco carioca).

Helê

12:15 AM


Utilidade pública

Diante da iminência de um engarrafamento inevitável (como esses de carnaval e feriadão), prepare-se como quem toma um Engov antes de beber: na noite anterior, pratique sexo memorável (meia boca não vale, irrita mais ainda). Não sendo possível, pelo menos um... ensaio técnico bem executado, digamos assim. Garante bom humor no trânsito e um sorriso mei besta no rosto - o que, convenhamos, sempre ajuda.
Baseado em fatos reais (Assim me contaram, porque nesse carnaval eu não... viajei - hahahahhaha!)
Helê

12:04 AM



Quarta-feira, Março 01, 2006

A boa notícia é que a Vila Isabel venceu o Carnaval 18 anos depois de Kizomba, o enredo inesquecível das Fridas, e isso é bem bacana. A má notícia é que, hello-oo, DEZOITO ANOS DEPOIS? Socorro.
-Monix-

8:10 PM


Diário de um Carnaval

Angra dos Reis
Crianças deliciosas, mães divertidas
A pousada do Aylton e do Arides
Batalha de confete
Praia ruim, praia boa
A primeira ilha de Caras
Peixe frito, churrasco, penne ao gorgonzola
Boas risadas
Serenata dos sapos
Calor
Chicotinho queimado
Pouco samba
Muito bom
Pra tudo se acabar na quarta-feira.

Algumas private jokes que não podem ficar de fora: São Gonçalinho; a Giu perdendo direito a voto; momento-Marcelinho e Meu Bem Volto Já. Meninas, me diverti demais da conta.

12:06 PM




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