Terça-feira, Fevereiro 28, 2006
Os versos mais emocionantes que ouvi nesse carnaval - e que levantaram as arquibancadas da Passarela do Samba:
A carranca na Mangueira vai passar
Minha bandeira tem que respeitar
Ninguém desbanca minha embarcação
Porque o samba é minha oração
Mangueira, Carnaval 2006
"Das águas do Velho Chico, nasce um rio de esperança",
Henrique Gomes, Gilson Bernini e Cosminho
Helê
11:11 AM
Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Mas é carnaval...
Eu já recebi hoje dois e-mails desejando um bom carnaval. Não era na despedida, como você fala ''até segunda''; a mensagem era só para desejar um bom carnaval. O que dá a dimensão do que significa o evento pra nós brasileiros, e o quanto esta festa ainda é popular, a despeito de toda a modernização$, do marquetingue e outros menos votados.
Farei minhas (nossas) as palavras da doce Mara, que teve a gentileza de enviá-las:
Se forem beber não dirijam, se dirigirem não bebam. Cuidem bem de seus amores, das pessoas queridas que precisam de vocês. Saiam nos blocos ou Escolas de Samba. Usem camisinha. Façam retiro espiritual. Leiam um bom livro. Tomem sol. Assistam aos filmes do Oscar ou aos DVDs mais queridos. Mas, acima de tudo, divirtam-se! Cada um a sua maneira. Aproveitem o tempo porque ele já é - Carpe Diem, a hora, o minuto, o segundo! Para todos: bom carnaval!
Só um adendo, Mara: se dirigir, não beba - se beber, me chame!
Helê
PS: O Cabôco Postadô continua enconstado, mas eu vou cantar pra ele subir. Ou melhor, sambar pra subir.
3:05 PM
Evoé, Momo!
- Alô, comunidade! Chegou a hora!
- Vinha eu para o trabalho, quando surge na minha frente, no metrô, um frade (ou frei, um daqueles com aquelas roupas). Considerei rapidamente a possibilidade de ser uma fantasia, mas o traje era completo e quente, achei que se fosse fantasia ele estaria pelo menos de havaianas. Quando acabei de concluir isso, um segundo frade (ou frei) juntou-se ao primeiro. Aí eu fiquei de olho: mais um e virava um bloco!
- Comme il faut, o modelito de hoje: flores discretas e carnavalescas (?!) no cabelo e minha camisa rosa, com colarinho verde e a inscrição ''Mussum forevis'' sob a foto do mesmo. Trabalhando, mas sem perder la candência jamás.
- Os versos mais belos que eu ouvi nesse carnaval são do samba da Mocidade Independente de Padre Miguel (eu não ouvi todos, mas isso não vem ao caso). Além de ser uma declaração de amor derramada, possui uma melodia linda e elegante, e qualquer um gostaria de dizer o mesmo de sua escola:
''A vida que pedi a Deus
A Mocidade me proporcionou''
Helê
PS: Gente, eu amei o Cabôco Comentadô que baixou por aqui!
2:51 PM
Sem querer criar polêmica, mas já criando, estava lendo o Globo Online e vi a seguinte pesquisa:
Por que o desempenho do presidente Lula melhorou nas pesquisas?
Ele está fazendo um bom governo: 41%
O povo tem memória curta: 32%
Não há candidato definido pela oposição: 10%
A crise política afetou mais o Congresso do que o governo: 10%
Ele tem inaugurado muitas obras e aparecido muito na televisão: 7%
Sei lá, essas pesquisas de sites são pouco confiáveis, mas fiquei pensando que se quase a metade dos leitores do Globo acham que o Lula está fazendo um bom governo, então vai ver que o papel da imprensa na formação da opinião pública é mesmo bem menos importante do que a gente pensa.
-Monix-
12:51 PM
O nosso carnaval inesquecível
Ontem as Fridas tiveram um blog dinner, comemorando nossa meia página de fama (mais oui, nós também semos pheeeeenas), e entre babados e fuxicos, descobrimos que temos em comum outro carnaval inesquecível: 1988, Kizomba a Festa da Raça. No ano do centenário da abolição, quando várias escolas escolheram o mesmo tema, a Vila Isabel conquistou o campeonato com o desfile que foi, para nós, o mais original e impactante da era moderna (entendam por "era moderna" o período a partir de 1984, quando a Passarela do Samba foi inaugurada e nós duas já tínhamos idade pra assistir e entender). Em lados diferentes e distantes da cidades, em pontas opostas do túnel, tanto una quanto la otra assistia pela tv. Sozinhas, emocionadas, com os olhos marejados, testemunhamos o desfile de uma escola que nem era nossa, mas conquistou o direito de receber nossa torcida e nosso respeito.
Las Dos Fridas
PS - Como esse carnaval foi na era do gelo - antes da internet - não foi possível encontrar, na rede, fotos desse desfile histórico. Se alguém tiver, manda pra gente, o e-mail está aí na coluna da direita.
11:24 AM
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Assim caminha a imprensa
Serjones: "83% dos jornalistas brasileiros que trabalham em redação declaram: os assessores de imprensa ajudam muito mais do que atrapalham. 42% acham que eles ajudam muito o trabalho da redação. A pesquisa é da ABERJE e ouviu 405 jornalistas. Se liga, leitor. As assessorias de imprensa plantam, os jornalistas publicam e você engole."
***
Marina W: "Talvez os colunistas de jornal tenham inveja da gente porque não temos chefe, censura, linha editorial, obrigação de escrever, nada. Porque eu posso entrar lá e escrever espinafre. E tudo bem, porque é um espaço onde posso falar qualquer coisa que eu estiver a fim. E acho que a gente tem um pouco de inveja deles porque eles recebem."
Sábias palavras.
-Monix-
2:39 PM
Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006
Este ano completo 36 anos (ainda faltam alguns meses), ou seja, segundo o axioma de Sally, agora são quase 40. Como disse uma amiga, ao completar quatro décadas: "aos 30, a gente ainda pensa que tem 20. Mas aos 40, a gente sabe muito bem que não tem 30." Ou seja, é muito melhor. Sou balzaca mas sou feliz, mais velho é quem me diz. Lalalala.
Monix, em dúvida, meio velhota, meio debilóide
10:22 PM
Juju e a febre.
2:55 PM
Uma palavra, um nome, um linque e um muxoxo
* Eu implicava com empoderamento. Achava feio, modismo de militante de movimento social, desnecessário e talz. Mas vê se não tem diferença entre dizer que é preciso "fortalecer as mulheres" e "empoderar as mulheres"? Ainda considero feia a palavra, mas acho cada vez mais necessária - palavra e ação.
* Ouço no notíciário esportivo que o Goiás vai jogar hoje com o The Strongest, da Bolívia. Gente, não é novidade, quase toda Libertadores os caras disputam, mas eu não me conformo com esse nome! Pelamor, que excesso de auto-estima! Pretensão e água benta etceterá.
* De onde menos se espera... Seal, querida, também estranhei o silêncio sobre a Betty Friedan no blogosfera - ou pela parte dela em que eu orbito (ui, existe esse verbo, gente?). Quem escreveu um texto muito interessante foi o Tio Fil, dá uma olhada lá.
* Cara, ainda nem começou o carnaval e o povo já sumiu, Monix? Poucos comentários, tudo abaixo de cinco, assim não vamos passar de ano (cês sabem que eu confundo comentário com nota, né? Só fico realizada com 10, nota dez!) Se hoje tá assim, imagina no carnaval! Já vi que vou ficar falando pra paredes, quer dizer, pro templeiti. E eu com postador aberto. Humpf.
Helê
Update da Monix: Pois é, Helê, eu também estou me sentindo reprovada, com tanta nota baixa! Cadê esse povo, meu Deus? Aliás, você meio que roubou uma idéia minha, que é convocar o visitante-que-não-comenta a se apresentar, mas acho que podemos deixar isso pra depois do Carnaval, né? Quando todo mundo voltar à programação normal.
2:34 PM
Ah, o Rio...
No sábado fomos atrás de um bloco infantil, o Gigantes da Lira - uma tradição mothern carioca, por assim dizer. Depois de 10 minutos no local achamos que havia algo de errado, porque ainda não encontráramos nenhum conhecido. Não marcamos com ninguém, mas isso é absolutamente desnecessário: no Rio, em qualquer evento você sempre encontra pelo menos um par de conhecidos. Inexplicavelemente, quanto maior o babado maiores as chances de encontrá-los. Pode ser no carnaval, em clássico no Maracanã, show dos Roling Stones, praia lotada, o que for. E o detalhe é que as pessoas com quais você encontra não são, necessariamente, frequentadores daquele pedaço da praia, fãs daquela banda ou torcedores daqueles times.
No sábado, por exemplo, eu não encontrei nenhuma mothern carioca (que pena, Fer !), mas logo depois de reclamar encontrei com uma amiga... que mora em Brasília. Mais dois passos e reencontro outra amiga que não vejo há anos - que não tem filhos e está morando na divisa com Minas Gerais - tava ali só dando pinta, como ela gosta de dizer. Avistei duas conhecidas que moravam em Madureira, do outro lado da cidade... E isso, como eu disse, é típico e louco, porque o Rio, afinal, não é Joinville, tem mais de 10 milhões de habitantes! Vá entender!
***
Imagina a cena: fim de tarde de verão, Rio, bloco sem carro de som (aleluia!), bairro das Laranjeiras, crianças fantasiadas, clima de paz&amor total, nenhum rascunho de tumulto e uma pequena multidão entoando ''Carinhoso''. Comovente.
***
Falando do Rio, a trilha sonora do meu verão, até aqui tem Jack Johnson (uhu! eu gosto de algo contemporâneo!) e o delicioso cd ''Letra e Música'' do Lulu Santos. Além do revival 'Popstar', tem 'Vale de lágrimas', que eu adoro e só consigo cantar bem alto e uma bela declaração à Maravilhosa com os singelos versos:
''E te devolvo em respeito o que me dás em alegria
Rio, sou a sua cria''
(Zerodoisum)
Helê, com o Cabôco Postadô
12:03 AM
Terça-feira, Fevereiro 21, 2006
Lembrar:
Não postar bêbada (Se beber, não poste.)
Não fazer revizão revisão de resssssaca ressaca.
Manternha uma sócia abstêmia (ou quase).
Helê
11:55 PM
Boa Noite, Boa Sorte.
Recomendo fortemente a qualquer dos nossos leitores que tenham alguma ligação profissional ou emocional com a atividade da comunicação social, ou qualquer tipo de interesse na área. Sério. Não percam.
-Monix-
Update: no mesmo cinema, sessão seguinte, ia rolar o lançamento de Carnaval, Bexiga, Funk e Sombrinha, um documentário sobre os blocos de clóvis do subúrbio carioca. Estava bem animado, e também fiquei bem a fim de assistir o filme. Deve ser legal.
10:03 PM
O carnaval inesquecível de La Otra
Meu carnaval inesquecível foi o de 1993. E, por uma dessas coincidências da vida, a escola que me proporcionou essa emoção indescritível foi o Salgueiro, que vem a ser o berço de Joãozinho Trinta, na década de 1970, quando seu nome ainda se escrevia com Z. Foi nessa época que a escola consagrou o lema "nem melhor, nem pior: apenas diferente". Mas nada disso tem a ver com a história do meu momento-mágico-carnavalesco - só queria registrar o fato.
No início dos anos 1990, Carnaval já era puro show-business. O Sambódromo (sempre preferi o nome Passarela do Samba, mas agora é tarde) completaria seu 10º aniversário no ano seguinte, os cronômetros já ditavam as regras, as transmissões televisivas já dominavam a festa popular. Meio desconfiada, resolvi me agregar a um grupo de fanáticos por samba e conferir de perto o que era esse tal Carnaval na Avenida que tanto se comentava.
Fui levando meus preconceitos, inerentes aos 22 anos. Achava que todos os desfiles seriam iguais, todas as escolas trariam a mesma (des)animação, todos os enredos seriam tão confusos quanto a gente pensa que são assistindo pela TV. Quebrei a cara, caí o queixo.
Assisitir ao Carnaval na Avenida é a única forma de compreender o que é um enredo. Antes de chegar, eu estava meio na dúvida sobre como poderia acompanhar os desfiles sem a narração da Leci Brandão, mas descobri que os carnavalescos são artistas muito mais talentosos do que supõe nossa vã filosofia, e que no caso a narração é que atrapalha. Descobri (e na época eu nem sonhava em trabalhar em televisão) que as transmissões confundem o público, porque é preciso preencher os intervalos de tempo provocados pelo desfile linear, então as câmeras vão e voltam, sem nenhum seqüência lógica. Porém, o desfile tem seqüência lógica.
Existem enredos ruins e enredos bons. Existem escolas que evoluem bem e outras que são um desastre. O mais incrível é imaginar que por trás da festa e da alegria existe uma logística complicadíssima, um planejamento minucioso, que permitem a encenação do equvalente a dez Broadway shows por noite, sem ensaio geral.
Só a experiência de estar no Sambódromo, ao lado do recuo da bateria, conseguindo finalmente entender o funcionamento do grande espetáculo da minha cidade, já seria suficiente para marcar para sempre o Carnaval de 1993. Mas nada me preparou para o Salgueiro.
Quem nunca foi ao Sambódromo não sabe que é necessário aguardar por longos intervalos de tempo entre uma escola e outra. Eu estava no setor 11, um dos últimos, quase na Apoteose, portanto só quando a escola se aproximava da metade do desfile conseguia ver o carro abre-alas e os primeiros componentes, ao longe.
Mas quando o Salgueiro pisou na Avenida, o mundo parou. É impossível explicar, mas acreditem: a sensação foi física, uma onda de euforia se propagou no ar e chegou até nós. Eu não conhecia o samba, eu não sou salgueirense (devo à Portela de 1981 minha introdução no mundo do Carnaval, e certas coisas a gente não esquece), eu nem fazia questão de estar ali, mas naquele momento tudo ficou diferente.
Meu coração explodiu e nunca mais foi o mesmo.
-Monix-
10:31 AM
Meu carnaval inesquecível
Debutei no Sambódromo em 2001 - sim, porque ao contrário do que a Globo informa, amigo leitor do interior de Pernambuco, os cariocas não desfilam todos na Sapucaí todos os anos, tampouco vão à praia todo dia. Bem, como dizia, em 2001, eu, mi maridón e uma família amiga fomos pras arquibancadas populares, as que ficam antes do início do desfile pra valer. Aquela da farofa, que a galera chega às 4 da tarde e leva farnel, travesseiro, isopor...
Vi ao vivo - e com sabor totalmente diferente, claro - tudo aquilo que já havia me acostumado a ver pela TV: a Luma de Oliveira levantando o povo, eletrizante; Luiza Brunet, rainha nobre e majestosa, respeitada mas distante; o gari sambando para delírio da platéia; minha verde e rosa florindo a avenida.
Eu já havia dormido e acordado, e manhãzinha, dia clareando, preparava-se para desfilar a última escola, Grande Rio - que, não sendo uma escola tradicional, prendia muita gente na arquibancada apenas porque tinha como carnavalesco ninguém menos que Joãosinho Trinta - aplaudido de pé pela platéia das arquibancadas, num reconhecimento espontâneo e emocionante por tudo que ele já aprontou naquela avenida.
Tudo pronto para o início do desfile, comissão de frente a postos, arrumadinha à nossa frente, tudo certo e de repente... um barulho ensurdecedor... e toda a avenida atarantada passa a procurar de onde vinha aquele som e zuuuuuuuuuuuuuuuum!!! , passa um homem avoando na minha frente. Gente, eu ainda me lembro da minha emoção e excitação na hora (e quase sinto novamente), os olhos marejados, apertando o braço do Luciano e exclamando: ''O cara tá voando! O homem tá voando, Lu!!!'' Eu me senti como uma criança, realmente; fiquei maravilhada com a emoção de ver algo tão inusitado pela primeira vez; ser colhida, arrebatada assim pelo inesperado, sem ter tido a menor suspeita de que poderia acontecer. As reações ao redor eram semelhantes: várias pessoas gritaram, assustadas e excitadas; a comissão de frente desmanchou, assim como as primeiras alas, pulando de alegria e entusiasmo; os jornalistas corriam para registrar e entender. Foi um momento absolutamente mágico.
No dia seguinte eu li jornais e revistas, assisti a todos os telejornais possíveis, mas nada conseguiu traduzir, nem de longe, a emoção daquela surpresa que nos fez, por breves segundos, recuperar a inocência, a capacidade de admirar-se com o novo e de vibrar com descoberta. Por essa emoção, Joãosinho Trinta, sou-lhe profundamente grata e devedora. Você fez daquele o meu carnaval inesquecível.
Helê
Curiosidade: Encontrei a foto que ilustra o post num site em que o repórter Luiz Carlos Azenha conta a sua versão da mesma história. Li depois de ter escrito o texto e é bacana como as sensações são semelhantes, vale a a pena comparar.
12:00 AM
Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
De Bob Dylan a Bob Marley - um samba-provocação
Gilberto Gil
Quando Bob Dylan se tornou cristão
Fez um disco de reggae por compensação
Abandonava o povo de Israel
E a ele retornava pela contramão
Quando os povos d'África chegaram aqui
Não tinham liberdade de religião
Adotaram Senhor do Bonfim:
Tanto resistência, quanto rendição
Quando, hoje, alguns preferem condenar
O sincretismo e a miscigenação
Parece que o fazem por ignorar
Os modos caprichosos da paixão
Paixão, que habita o coração da natureza-mãe
E que desloca a história em suas mutações
Que explica o fato da Branca de Neve amar
Não a um, mas a todos os sete anões
Eu cá me ponho a meditar
Pela mania da compreensão
Ainda hoje andei tentando decifrar
Algo que li que estava escrito numa pichação
Que agora eu resolvi cantar
Neste samba em forma de refrão:
"Bob Marley morreu
Porque além de negro era judeu
Michael Jackson ainda resiste
Porque além de branco ficou triste"
Monix, ecumênica
Ouça aqui!
9:21 PM
Monix, em clima "pedras que rolam não criam limo"
10:36 AM
Domingo, Fevereiro 19, 2006
Pérolas da internet
Mas o corpitcho do Maracujagger eu acho muito magrinho...
- Fernanda Fonseca, titular do saboroso Mais Canela, por favor
Esses feios que ficam bonitos quando cantam me lembraram de um show do Zeca Baleiro (adoro) em que uma moça mais entusiasmada na platéia gritou "LINDO !!" e ele respondeu, tranqüilo e na veia : "Que é isso, querida, são seus ouvidos..."
- Causo delicioso contado pela Cynthia (prefeita de CynCity) num dos quartos (nos comentários) que eu tive que contar aqui na sala de estar.
- A frase eu vi pela primeira no ObjetoAbjeto. Depois soube pelo Google que já é antiga, tem gif e tudo - mas eu achei sensacional e irresistível:
Helê
11:30 PM
Recuperações surpreendentes
Fosse o título um troféu e Maradona teria conquistado a versão 2005 sem concorrência. Depois de aparições tão esporádicas quanto dramáticas, em que inflava e definhava a olhos vistos, editores mais precavidos já haviam rascunhado seu obituário. Parecia uma questão de (pouco) tempo receber a notícia de sua morte.
No entanto ele reapareceu muitos quilos mais magro, sorridente, aparentemente saudável, comandando um programa de TV de sucesso. Maradona não chega a ser um ídolo para mim, mas qualquer pessoa que entenda minimamente o que acontece num campo de futebol não deixa de sentir, pelo menos, uma ponta de reverência e admiração ao ouvir esse nome.
Mas o que eu gostaria de celebrar aqui não é sua já decantada genialidade no futebol, mas o excepcional drible que ele deu na morte iminente, a reviravolta na trama que parecia fadada a terminar em dramalhão latino. Maradona proporcionou a todos nós uma agradabilíssima surpresa ao demostrar a imensa capacidade de superação de que um ser humano é capaz.
A imprensa, sempre mais disposta a retratar a tragédia que a superação, noticiou a recuperação do ex-jogador com parcimônia, em comparação à cobertura feita nos anos de decadência do craque. Parece estar ainda a espera de um deslize ou recaída. Basta uma busca simples na internet para constatar que ara cada 15 fotos de corpo inteiro Maradona obeso há um close dele hoje.
Pois eu quero aqui celebrar a volta por cima desse homem genial e genioso que, contrariando todas as expectativas, rescreveu sua história quando ela parecia ter-lhe escapado.
***
Outro que contrariou prognósticos é o mago Joãosinho Trinta, que permaneceu em coma durante mais de dois meses, vítima do segundo derrame. A notícia que li dizia que a criatividade do carnavalesco, mais uma vez, era o diferencial, pois partes de seu cérebro estavam assumindo funções novas.
Mangueirense que sou, sempre tive por Joãosinho Trinta a admiração e o respeito que se tem por um adversário poderoso. Além disso, admirava a paixão com que defendia suas idéias e convicções. Mas a partir de 2000 passei a nutrir por ele também uma gratidão profunda, por ter sido ele o responsável por uma das emoções mais genuínas que já senti, naquele que foi um carnaval inesquecível. Mas fica pra outro post - ou série, não é Sócia?
PS: Esse post foi rascunhado no final de 2005, e ficou meio que esquecido num caderno; foi resgatado há poucos dias. Comprovando minha crença de que coincidências não existem, o texto reapareceu logo agora, que eu tenho uma forte candidata pro troféu desse ano. :-)
O táimin do post, às vezes, segue um tempo não-linear, mas não menos interessante...
Helê
10:59 PM
Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006
Venha conhecer a vida
Porque a vida vale a pena (apesar de o pão ser caro e a liberdade, pequena)
Porque a roda do mundo não pára de girar
Porque esta foi uma semana de emoções intensas
e principalmente porque o Bem vence no final...
Bem-vinda, Dora, que a gente tava te esperando!
E já que os de bom gosto vão citar essa canção durante toda a sua vida, sejamos as primeiras:
Dora rainha do frevo e do maracatu
Dora rainha cafuza de um maracatu
Te conheci no Recife dos rios cortados de pontes
Dos bairros, das fontes coloniais
Dora, chamei
Oh Dora, oh Dora
Eu vim à cidade pra ver meu bem passar
Oh Dora, e agora?
No meu pensamento eu te vejo requebrando pra cá
Ora pra lá
Meu bem
Os clarins da banda militar
Tocam para anunciar
Sua Dora agora vai passar
Venham ver o que é bom
Ô Dora rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra nem dança melhor do que tu
Dorival Caymmi
E não esqueça: nascer aí foi uma contingência - você é carioca!
Parabéns, DaniK, Felipe e Lia !
Duas Fridas
12:57 AM
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
De raiz
Uma mulher deve ser capaz de perguntar, sem se sentir culpada, "quem sou eu e o que eu quero da vida?" Não pode se sentir egoísta e neurótica se quiser objetivos fora do marido e dos filhos.
Betty Friedan 1921-2006
Há pouco tempo conversávamos, as duas Fridas, sobre feminismo. Também nisso, temos experiências semelhantes, já que nossa Xuxa foi a Marília Gabriela - o que, vocês hão de convir, faz toda diferença: não é uma mera troca de louras.
Antes de ir para a escola, assistíamos TV Mulher, um programa feminino bastante inovador para os padrões da época (pensando bem, ele seria ainda mais inovador hoje). Tinha o esquema culinária-casa-beleza, mas também um viés jornalístico importante, entrevistas com a craque Gabi, participação de figuras como Henfil, que fazia o hilário quadro TV Homem, e a então sexóloga Marta Suplicy, falando pela primeira vez na TV brasileira sobre orgasmo às 10 e meia da matina.
Assistimos também à Malu Mulher, que transformou Regina Duarte na "divorciadinha do Brasil"; ao especial Mulher 80, com várias cantoras brasileiras no auge da carreira naquele momento; ouvimos Rita Lee, que depois de ser Ovelha Negra e de andar com Esse tal de roquenrol, previu que a Miss Brasil 2000 seria "uma senhorita que nunca se viu" (infelizmente, nem foi). Na abertura do programa da Gabi, Rita avisava: melhor não provocar esse bicho esquisito, que todo mês sangra.
Mas, acima de tudo, somos a primeira geração de meninas criadas pela primeira geração de mães que trabalharam fora. Portanto, o feminismo foi ou uma conseqüência óbvia (como pra Monix, que já se sabia feminista aos 12 anos) ou uma identidade tão naturalizada que levou tempo pra ser, de fato, assumida (como pra Helê, que descobriu que era negra muito antes de descobrir que era mulher). Há ainda uma long and widing road para percorrer, mas não podemos esquecer das pioneiras desta trajetória - como Betty Friedan, que morreu no dia 4 de fevereiro, aos 85 anos, merecendo dos jornais um obtuário honesto, nada mais que isso. Uma mulher que ousou dizer a frase aí de cima, e sofreu horrores por isso, para que hoje ela soe banal.
Duas Fridas
10:31 AM
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
Atendendo ao convite da Bia Badaud (que está entre nós novamente, salve, salve) e à provocação do glorioso Cláudio, segue o questionário que a preguiça impediu-me de responder antes:
Quatro locais onde viveu
1. Vila Valqueire
2. Num quarto e sala com banheira (maravilha!)
3. Numa casa de fundos, em que a proprietária megera morava na frente.
4. No Flamengo (não é lindo dizer isso?)
Quatro empregos que teve na vida
1. Professora particular ("explicadora")
2. Operadora de telemarketing
3. Assistente de pesquisa
4. Recepcionista/telefonista
Quatro filmes que poderia rever
1. Alfie, um sedutor
2. Thelma e Louise
3. De volta para o futuro (a trilogia)
4. Malcom X
Quatro locais que visitou de férias
1. Pipa, Rio Grande do Norte
2. Ilha Grande, Rio de Janeiro
3. Joinville, Santa Catarina
4. Visconde de Mauá, Rio de Janeiro
Quatro programas de TV que você adora assistir:
1. E.R.
2. A mansão Foster para amigos imaginários
3. Queer eye for a straight guy
4. Esquadrão da Moda (original)
Quatro comidas favoritas
1. Batata (de qualquer jeito, menos palha e chips)
2. Manga
3. Rabanada
4. Camarão graúdo
Quatro livros que você relê de vez em quando:
1. Grande sertão, Veredas - Guimarães Rosa
2. Solte os cachorros - Adélia Prado
3. Qualquer um do Luis Fernando Veríssimo
4. Qualquer um de Dame Agatha Christie
Quatro blogs que você visita diariamente:
1. Pausa para o cigarro
2. Blowg
3. Megeras Magérrimas
4. Bloggete
Quatro lugares onde preferia estar
1. Numa praia do nordeste
2. Na Ilha Grande
3. No espaço sideral
4. Na praia de Grumari, aqui no Rio
Quatro álbuns que adora
1. Eu me transformo em outras, Zélia Duncan
2. Cantoria (os dois)
3. Tea for the tilerman, Cat Stevens
4. Tenda dos Milagres, trilha sonora da série
5. Tears of Joy, Tuck and Patti
6. Paris, Supertramp
7. Nove Luas, Paralamas do Sucesso
8. She, Charles Aznavour
9. Senhas, Adriana Calcanhoto
10. Grande Coisa, Premê
11. Cartola (o que tem "Disfarça e chora")
12. Cinema Transcendental, Caetano Veloso
Essa é a pergunta mais difícil de ser respondida - como é possível escolher apenas 4 álbuns? Ficam 12 porque eu me esforcei pra parar...
Helê
7:20 PM
Da série Favoritos das Fridas
Feios que a gente adora:
Mick Jagger, Monix
Lenine, Helê
3:07 PM
Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
1º CONCURSO LITERATURA PARA TODOS
Numa iniciativa inédita, o Ministério da Educação criou o concurso literário Literatura para Todos. Com o objetivo de estimular a produção de livros escritos para jovens e adultos recém-alfabetizados, o concurso vai selecionar oito obras de diferentes gêneros literários que serão impressas e distribuídas pelo MEC para alunos das turmas do programa Brasil Alfabetizado.
Os livros deverão ser inéditos e podem se encaixar nas modalidades conto ou novela; crônica; poesia; biografia ou relato de viagem; ensaio ou reportagem; textos da tradição oral; esquetes, scripts, peças teatrais, roteiros de vídeo, cinema, quadrinhos; ou textos utilizando linguagem das Tecnologias de Informação e Comunicação (e-mails, blogs, comunidades virtuais, grupos de discussão, etc.)
A comissão julgadora vai selecionar oito obras, uma por modalidade, para serem editadas e distribuídas para todo o país. Cada livro terá uma tiragem inicial de 300 mil exemplares. Os autores dos livros escolhidos receberão prêmio de R$ 10 mil cada. Os textos deverão considerar as especificidades dos jovens e adultos em processo de alfabetização, contendo uma narrativa atraente a este público.
Os interessados em inscrever suas obras no concurso deverão fazê-lo entre 16 de dezembro de 2005 e 16 de março de 2006. Os textos deverão estar de acordo com os critérios previstos no edital do concurso (disponível para download) e devem ser enviados em três cópias impressas e uma em disquete para a Coordenação-Geral de Alfabetização do Departamento de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação no endereço Esplanada dos Ministérios, Bloco L, sala 710, CEP: 70.047-900, Brasília, DF.
Eventuais dúvidas poderão ser sanadas pelo endereço eletrônico concursoliterariosecad@mec.gov.br.
Mais informações no Portal Secad.
Helê
2:25 PM
Para Beth
Não digam que isso passa,
não digam que a vida continua,
e que o tempo ajuda,
que afinal tenho filhos e amigos
e um trabalho a fazer.
Não me consolem dizendo que ele morreu cedo
Mas morreu bem
( pois sei que não quereria uma morte como essa)
Não me digam que tenho livros a escrever
e viagens a realizar.
Não digam nada.
Vejo bem que o sol continua nascendo
nesta cidade de Porto Alegre
onde vim lamber minha ferida escancarada.
Mas não me consolem:
da minha dor, sei eu.
(Lya Luft)
2:15 PM
Para Dani
Ó Maria Santíssima, vós, por um privilégio especial de Deus, fostes isenta da mancha do pecado original, e devido a este privilégio não sofrestes os incômodos da maternidade, nem ao tempo da gravidez e nem no parto; mas compreendeis perfeitamente as angústias e aflições das pobres mães que esperam um filho, especialmente nas incertezas do sucesso ou insucesso do parto.
Olhai para mim, vossa serva, que na aproximação do parto, sofro angústias e incertezas.
Dai-me a graça de ter um parto feliz.
Fazei que meu bebê nasça com saúde, forte e perfeito.
Eu vos prometo orientar meu filho sempre pelo caminho certo, o caminho que vosso Filho, Jesus, traçou para todos os homens, o caminho do bem.
Virgem, Mãe do Menino Jesus agora me sinto mais calma e mais tranqüila porque já sinto a vossa maternal proteção.
Nossa Senhora do Bom Parto, rogai por nós.
-Monix-
11:32 AM
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
Frida Kahlo inspira blog
Obra da pintora mexicana dá nome
a um blog tão instigante quanto ela
Curitiba - Ele surgiu há quase dois anos, depois de um acordo entre as amigas virtuais e companheiras de pitacos no livro de visitas de um outro blog. Como as mensagens e pensamentos aconteciam mais ou menos na mesma vertente (o que não significa que eram exatamente semelhantes), as cariocas Monica Chaves e Helena Costa decidiram criar o próprio espaço virtual. Era ótimo ver os comentários das duas no LV do Mothern (www.mothern.blogspot.com), mas logo que elas criaram um blog próprio com o sugestivo nome de Duas Fridas (www.duasfridas.blogger.com.br) não demorou para elas serem adicionadas aos favoritos de outros espaços na rede.
Não foi um começo tímido, já no primeiro post elas passaram a escrever sobre coisas do cotidiano de cada uma, sobre violência urbana e psicológica e atiçar a curiosidade dos leitores blogueiros para um próximo post, sem explicar muita coisa. O esclarecimento sobre a escolha do nome, aliás, veio numa postagem bem mais a frente.
No texto sobre o tema elas explicam: ''Não sei dizer exatamente quando foi que o quadro da Frida Kahlo capturou meus olhos e meu coração, mas um dia, me deu um estalo. Descobri que me identifico muito com essa mulher partida em duas, a inglesa discreta e a mexicana explosiva. O coração da Frida Vitoriana foi arrancado de seu peito, as artérias estão expostas, a Frida Mexicana está tomando conta dele, agora. Mas quem controla o fluxo do sangue, com uma pinça, é a outra. E eu, que andava namorando a idéia do blog próprio há algum tempo, enxerguei aí o nome perfeito para essa experiência, esse encontro com um tipo de texto que eu nunca soube se era capaz de escrever''. Mas ela (s) sabem.
Desde o início, o blog seguiu pegando ganchos de notícias e datas pontuais para comentá-los como quem pinta um quadro. Como o post recente que falam das cabrochas, uma espécie de mulher que, segundo as fridas, só aparece no carnaval. O texto diz: ''Negras, altas, fartas, essas mulheres chegam em partes: primeiro os seios, depois elas mesmas, e quando você pensa que acabou, chega a bunda. Poderosas, onde quer que apareçam estabelecem um raio de atração que ofusca qualquer outra infeliz que desafortunadamente esteja por perto. E quando você pensa que não é possível alguém ter uma presença tão marcante... elas sambam. Ah, elas sambam. Aquela profusão farta de cabelos, sorrisos, carne, dentes e luz evolui com leveza e graça impensáveis, a despeito do ritmo acelerado da música''.
Com descrição assim, é possível até achar graça no Carnaval e ver com outros olhos os canais da televisão aberta nessa época do ano. Pois esse é o sentido das fridas, elas chegaram na rede para fazer os internautas que caem no seu blog a enxergar as coisas com mais graça. O blog tem navegação simples e arquivos, desde 2004, organizados por datas, não por assuntos. Mas não se trata de uma pesquisa temática e sim de entretenimento com conteúdo, então é só passear pelos arquivos e deliciar-se com os textos bem escritos das moças.
Kátia Michelle
Folha de Londrina, 12/02/2006
2:43 PM
Sábado, Fevereiro 11, 2006
Para Ivan, para P.
Aderindo à feliz idéia disseminada pela sempre solidária Denise Arcoverde.
Duas Fridas
7:13 PM
Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006
O que dá pra rir, dá pra amparar
Há algum tempo eu vi o ator americano Will Smith contar, em uma entrevista, qual foi a cantada mais desconcertante que recebeu: uma mulher o olhou bem dentro dos olhos e disse apenas: Anytime, anywhere, anyway. Eu adorei e guardei para falar quando encontrar o Denzel Washinton ou o Jude Law, ou qualquer outro improvável desses. :-)
***
Hoje a mesma frase surgiu pra mim com um significado totalmente diferente e importante, e eu não achei nada mais adequado e sincero pra dizer a uma amiga muito querida, que passa por um momento dificílimo.
A qualquer hora, em qualquer lugar, de qualquer jeito, Dedéia: conte comigo; conte conosco.
Helê - e Monix também
7:28 PM
O Jogo do Currículo foi uma invenção da Marina W que ganhou a rede e de vez em quando volta à moda. Eu adoro. Já fiz três, inéditos e impublicáveis. Agora me empolguei de novo, mas desta vez em versão para as massas. Enjoy it.
Já voei de classe executiva (e foi duro voltar pra econômica)
Já andei de Trem de Prata, da Central à Estação da Luz
Já estive cara a cara com o Lombardi. E com o Silvio Santos.
Já assisti um desfile de escolas de samba, do início ao fim, ao lado do recuo da bateria, antes de o Setor 11 ser exclusivo dos gringos
Já fui ao Maracanã, e gostei, mas não pretendo voltar
Já vomitei no chuveiro (grávida)
Já tive preguiça de atravessar uma rua, em Roma (lá não tem sinal de trânsito e os carros são assassinos com vida própria)
Já atravessei a faixa em Abbey Road, que nem os Beatles
Já virei (várias) noites conversando
Já comi caviar, já bebi champanhe francês, e adorei ambos (claro!)
Já comi feijão com maionese (e quem nunca, que atire a primeira pedra)
Já fui a (várias) passeatas
Já sonhei em inglês e em francês
Já fiz mapa astral com 4 astrólogos diferentes
Já acreditei em mentiras sinceras
Já fui viciada em revistas femininas
Já fui viciada em TV
Já assisti uma gravação no antigo teatro Fênix
Já vendi colares fosforescentes num show na Praça da Apoteose (era a Withney Houston, o que a gente não faz por dinheiro quando se é estudante...)
Já votei mal
Nunca pintei o cabelo
Nunca fiz as sobrancelhas
Nunca comi jiló (e não gostei)
Nunca li O Senhor dos Anéis
Nunca assisti A Lagoa Azul
Nunca fui a um centro espírita
Nunca fui a Salvador (mas quero ir)
Nunca fiz pós-graduação
Não assisti ao vivo a queda do World Trade Center (estava em um teste psicológico admissional e quando saí, as torres já estavam no chão)
Nunca gostei de dar satisfação
Nunca fui fumante
Nunca gostei de uísque
Nunca aprendi a tocar violão direito (mas tentei)
Nunca aprendi a fazer crochê (também tentei)
Nunca usei o Skype
Nunca esquiei
Nunca voei de asa delta
Nunca aprendi a tabuada (ontem fui fazer um cheque e perguntei: 8X4=36, né? Hohohoho!)
Nunca vi disco-voador
Nunca fui boa em esportes
Nunca me conformei por não ter ido ao primeiro Rock in Rio
-Monix-
1:41 PM
Mais uma do Google: ensinar meu filho a gostar de livros.
Dica das Fridas: leia na presença dele. E não vale revista Caras. Depois volta aqui e conta pra gente.
-Monix-
1:38 PM
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
Eles por ele
Fato número 1: diante de uma bela mulher, todo homem, que já não é muito provido de inteligência natural, torna-se mais aparvalhado ainda. (...)
Fato número 2: diante de uma bela mulher, homens agem como insetos cegos que buscam o calor de uma luz, batendo com a cabeça em lâmpadas e paredes vez após vez, até que caiam estatelados no chão frio dos rejeitados. (...)
Fato número 3: poucas coisas causam tantos estragos neste mundo quanto uma mulher que possui plena consciência de sua beleza. E que se torna tanto mais perigosa à medida em que se compraz com o seu poder de fascínio perante os homens. Porque bastam um belo par de pernas e um sorriso sugestivo para que toda a nossa racionalidade seja aniquilada em um piscar de olhos.
Trechos d'A eterna Arapuca, texto inteligente e instigante sobre os homens, escrito pelo Alexandre Inagaki. (Eu adoro diarices dos meninos!)
Helê
Atualização: Trilha sonora do post: Garotos, do Leoni (muito bem sacado pela sempre perspicaz Vera G.)
7:49 PM
Ele vai
Esse aí ao lado, Major Marcos Pontes, é, digamos, meu herói pelos próximos meses. Menos pela nacionalidade que pela profissão: ele é o primeiro astronauta brasileiro a viajar pelo espaço. Isso deve provocar uma ampla cobertura jornalística, colocando em evidência um dos meus assuntos favoritos: viagem espacial (embora não goste muito de ficção científica, como gênero. Vá entender...).
Eu tento imaginar o que pode ser para uma pessoa estar no espaço sideral, ver a Terra como "nas tais fotografias/em que apareces inteira"... Tento, mas é em vão, não existe nada que possa se comparar a isso. Não sei se é verdade ou lenda urbana que os três primeiros que pisaram na lua voltaram meio gaga(rin) (Desculpem, não resisti!), mas o fato é que deve ser impossível passar por isso e voltar o mesmo. Ou não, como dizem o Caetano e mi Sócia. Mas que eu queria descobrir, ah, queria!...
Quem está certo mesmo é o sempre sensato e iluminado Herbert Vianna:
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
mas de bailarinos
e de você e eu.
Helê
7:22 PM
Comassim, Sócia?! Jogando contra a patrimônio? Nananinanão.
Vieram ao lugar certo, pessoas; fiquem à vontade, a casa é nossa.
G(r)atas pela preferência ;-D
Helê
7:17 PM
Chegaram aqui buscando as mais gostosas do mundo.
Obrigada, pessoal; também não é pra tanto. ;-)
-Monix-
2:43 PM
Frase do dia (estampada numa camiseta):
"Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a sofrer em paz."
-Monix-
11:15 AM
Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006
Imagina, que no outro dia a coluna Radar fez uma listinha com os livros prediletos de cada um dos candidatos à presidência. Sobre o Lula, escreveram "que se saiba o presidente nunca leu um livro na vida". Carácoles. O cara não morreu. O certo não seria ligar para sua assessoria e perguntar, em vez de supor? Que revistinha péssima.
Marina W - onde é que eu assino?
-Monix-
3:15 PM
Mamãe eu quero ira Cuba, quero ver a vida lá. La sueño una perla encendida sobre la mar.
Monix, apud Caetano Veloso
3:06 PM
Sacanagem
Veja bem, o cara nasce América (sim, porque ninguém escolhe ser América, você nasce assim. É algo, em geral, que você herda, como alguns herdam fortunas, outros, diabetes). Aí o cidadão passa não sei quantos anos torcendo para que o time chegue a uma final, qualquer final - que pra torcer pra ser campeão ele precisa passar primeiro nessa etapa. Então o América vence uma semifinal dramática, decidida nos pênaltis depois de nove cobranças, e no dia seguinte o que está na capa do jornal? A família do Romário. Foi o que fez O Globo ontem. É ou não é sacanagem?
Que fique claro que eu não sou desses opositores de plantão do Romário. Também não tenho nada contra família, muito menos a dele. A foto é inclusive bacana, mostrando as gerações unidas na torcida, e merecia destaque - não são muitas as famílias ilustres que torcem pelo América. Mas não deveria estar na capa, roubando do torcedor o prazer insubstituível de ver seu time na capa do jornal após uma vitória sofrida.
***
Dando ''uma no cravo e outra na ferradura'', como se dizia antigamente, vale a pena ler a reportagem ''O cartão vermelho que despertou o juiz negro'', publicada pelo mesmo Globo, no domingo, dia 5. Ainda é possível encontra-la on line. Um caso de racismo clássico num texto extremamente bem escrito pela repórter Dorrit Harazim.
Helê
2:17 PM
Terça-feira, Fevereiro 07, 2006
Cabrochas
A estação já começou. Mas assim no início vemos poucas, ainda não maduraram por completo. Eu vi uma meia dúzia outro dia, na feijoada da Velha Guarda da Portela. Mas florescem mesmo é no carnaval, as cabrochas. Uma espécie de mulher que só dá no carnaval. Não, não, eu não estou falando no sentido sacana do verbo; elas dão como frutas e flores que surgem numa certa época do ano, em certos lugares e condições específicas - e apenas dessa maneira.
Negras, altas, fartas, essas mulheres chegam em partes: primeiro os seios, depois elas mesmas, e quando você pensa que acabou, chega a bunda. Poderosas, onde quer que apareçam estabelecem um raio de atração que ofusca qualquer outra infeliz que desafortunadamente esteja por perto. E quando você pensa que não é possível alguém ter uma presença tão marcante... elas sambam. Ah, elas sambam. Aquela profusão farta de cabelos, sorrisos, carne, dentes e luz evolui com leveza e graça impensáveis, a despeito do ritmo acelerado da música. E sambando revogam vários códigos e leis, incluindo a da gravidade e o nono mandamento. Os homens intimidam-se; outras mulheres as respeitam, todos as reverenciam e elas desabrocham nos bailes, nas ruas, nas escolas de samba, despertando paixões, ereções, beliscões enciumados, olhares hipnotizados.
Eu já vivi esta que é uma experiência sensorial: observá-las de perto e em movimento. São uma força da natureza em ação que, acreditem, nenhum take televisivo - nem o close obsceno nem a panorâmica completa - consegue reproduzir.
O maior mistério sobre essas mulheres é onde elas passam o resto do ano. Não sei se murcham ou desfolham, se são raptadas por argentinos, se permanecem disfarçadas de merendeira numa escola pública do subúrbio. Já procurei várias vezes por diferentes localidades no Rio de Janeiro - onde elas são endêmicas - e não encontrei. Mas talvez isso não seja tão importante quanto simplesmente apreciá-las em floração. Se você está no Rio, fique atento: a estação já começou.
Trilha sonora do post: ''Os passistas'', Caetano Veloso.
Pideite das ilustrações: Ninguém melhor que o Lan pra retratar as cabrochas. Quem quiser conferir seu traço erótico-elegante e as belas esculturas que o artista plástico Wellington Fernandes fez a partir desses desenhos deve visitar na Casa França-Brasil, no Rio, a exposição Sempre carioca, onde se pode contemplar as ilutras deste post ao vivo e a cores.
Helê
7:58 AM
Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006
Títulos
Eu sou apaixonada por títulos. Sou capaz de comprar um livro, visitar várias vezes um blogue, procurar uma letra de música na internet apenas por um título bem feito, original, impactante. Às vezes o que atrai é o humor; noutras a sonoridade; outras ainda a surpresa; muitas vezes nem sei definir ao certo. Mas o fato é que de um bom título eu não escapo. Eis alguns da minha coleção:
Vem buscar-me que ainda sou teu - uma peça que não vi mas que jamais esquecerei (de Carlos Alberto Soffredini). O título é o verso de uma canção de Vicente Celestino (!) chamada Coração Materno.
Nunca te vi, sempre te amei - um clássico na categoria títulos.
Tesouros da blogosfera:
*Uma dama não comenta - é quase um quadro, eu até imagino uma ilustra de uma dama início do século passado, ruborizada, fazendo fofoca com a mão em concha.
*Ao mirante, Nelson - um trocadilho delicioso, e eu não resisto a um bom trocadilho.
*Mothern - um achado, sintetiza numa palavra origem, mensagem e público.
A pessoa é para o que nasce - tem um sotaque nordestino que me é bastante familiar, embora também tenha um quê de Guimarães Rosa.
Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá - título de uma peça de Fernando Melo. Pra quem não é do Rio: Irajá é o nome de um subúrbio da cidade, lugar humilde e simples. O contraste entre a diva suprema e o suburbão é impagável.
Premeditando o breque - banda paulista de canções engraçadíssimas, que eu conheço graças à vastíssima cultura musical do meu irmão (eu, como a Calcanhoto, presto atenção ao que o meu irmão ouve...;-).
Mar de Espanha - na verdade é o nome de uma cidade... em Minas Gerais! Fala sério, isso não é nem título nem um nome, é uma utopia!
Pé Limpo - botequim pésujíssimo no Largo do Machado, aqui no Rio.
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos - quem não os teve, quem não as sentiu?
Cordel do fogo encantado - nome de uma banda que traduz seu charme, sutileza, origem e encantamento
Livro - um bom nome para um... um cd. Da categoria "imperdíveis do Caetano".
Mar de histórias - coleção contos do Aurélio Buarque.
Old habits die hard - belíssima canção de Mick Jagger para o filme Alfie e uma verdade duríssima, quase intranponível...
Helê
7:08 PM
Sem enfeite nenhum
Dia desses assisti Dois filhos de Francisco. Como quase todos os meus conhecidos, rendi-me ao filme a despeito de não gostar da música da dupla. Muita gente comentou sobre a força daquela história, a luta daquela família, sobre uma certa brasilidade retratada no filme, que escapa do eixo rio-são-paulo-nordeste, mais presente no cinema. Impossível não destacar a atuação do elenco em geral, de Ângelo Antônio em especial, cujo simples olhar consegue passar torrentes de sentimentos.
Aliás, o que mais me emocionou e inquietou no filme foi exatamente aquele pai áspero, mais grosso que lixa zero, rude e seco, mas capaz de um amor profundo e incondicional, capaz de apostar todas as suas fichas, literais e metafóricas, na carreira dos filhos. Um amor sem enfeite, sem chamegos e agrados, mas ainda assim, amor; quase irreconhecível, porém inconteste. Como se estivesse sendo dito em outra língua, como se usasse outra roupagem, muito estranha e quase avessa ao esperado - mas ainda assim, amor.
Fez-me lembrar desse poema da Adélia Prado:
Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Helê
Ainda estamos devendo um post sobre o MM, eu sei, mas esse aí já estava prontinho e assado. Devemos não negamos; pagaremos quando pudermos.
6:27 PM
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