Terça-feira, Novembro 29, 2005

Hai cai quase que cai

Pela graça alcançada
Valeu,
(São Judas) Tadeu!

Helê, devota debochada

3:38 PM


Est arrivé!

Ó, vou ali ler meu Harry Potter, quando terminar eu volto, valeu?
Fui!



Helê

12:10 AM



Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Jabás - alheio e pessoal

Carinho - é quando a gente bota o coração na mão e passa na cara da mãe.
Rapidez - é uma coisa que eu tenho. Quando minha mãe grita ''não faz'', eu já fiz.


Um dos livros mais engraçados, bacanas e inspiradores que li últimos tempos chama-se ''Dicionário do Humor Infantil'', do Pedro Bloch (Ediouro). Reúne pérolas de inteligência, sacação, ingenuidade e poesia perpetradas por crianças. Algumas pessoas conseguem eventualmente entrar nessa freqüência infantil de ver e entender o mundo - como o Arnaldo Antunes, a Adriana Falcão e recentemente a Adriana Calcanhoto. Outras, como o Bloch, têm a sabedoria de recolher e registrar suas falas, que são imbatíveis, insuperáveis e inimitáveis. Quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, e já reparou nesses mini-super-poderes infantis utilizados para lidar com a vida vai perceber que, embora o autor não cite nomes ou idades e não tenha tido nenhum rigor científico no recolhimento e na adaptação das falas, só crianças poderiam ter dito aquilo, daquela maneira. Eu me diverti e me comovi sinceramente, intensamente. Recomendo dicumforça.

Ah, e de quebra me convenceu, finalmente, a colocar no ar um blogue da Júlia - é, eu também sucumbi ao gênero blogue-exaltação. Além de satisfazer minha imensa corujice, atende alguns apelos por uma versão digital do Notícias da Júlia - famoso e incerto hebdomadário sobre a vida da pessoa minha filha. (Embora, em princípio, não estejam previstas fotos, que eu não acho internet um lugar seguro para crianças). Em Julices e outras estórias haverá sobretudo as tiradas da Júlia e de outras crianças, com o mínimo possível de intervenção minha, para registrar esse maneira tão desconcertante, filosófica e engraçada dos filhotes estarem no mundo. Espero que vocês se divirtam tanto quanto eu.

Helena Costa

11:53 PM


A pottermania é a beatlemania dessa geração. Um fenômeno mundial, adolescente, mas que mobiliza também os adultos e movimenta milhões de dólares. Trata-se, logicamente, de um acontecimento da cultura pop. Pura indústria cultural. Mas é inegável que, marketing à parte, o menino bruxo provoca sentimentos e emoções muito intensas.
Eu fui numa das seções da estréia, na sexta-feira, com um grupinho bacana de pré-adolescentes. E, sabem de uma coisa? Lamentei muito que nos meus 12 anos não houvesse nenhum ídolo capaz de gerar tamanha comoção. Adorei me sentir tão viva.
-Monix-

11:05 AM



Sábado, Novembro 26, 2005

Três desejos para o Gênio da Lâmpada

- Voar
- Fazer um gol no Maracanã lotado, jogando pelo Flamengo.
- Viajar pelo espaço sideral.



E os seus, quais são*?

Helê

*Não vale ganhar na loteria, que é dificílimo, mas não impossível. Tem que ser inexeqüível (ui!) .

11:45 PM



Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Falando nisso...

Há pouco tempo publicamos aqui listas de livros marcantes. Na minha constava 'Solte os cachoros', da Adélia, que foi o primeiro dela que li e que de fato provocou abalos sísmicos na minha cabeça. Mas o que me levou a soltar os cães foi o poema que transcrevo abaixo. Apresentado nas "oficinas-experimentais-feministas" chamadas "Espírito da Coisa", às quais eu tive a sorte de participar, foi ele que detonou em mim uma série de questionamentos e inaugurou o interesse e atenção para as questões de gênero. Foi tão marcante que ainda hoje, passados vários anos, muitas leituras e referências depois, permacence intacto como gênese. Espero que você também gostem.

Com licença poética
Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


Helena Costa

7:09 PM


Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. É hoje. É todo e qualquer dia. Está rolando uma blogagem coletiva, muita gente boa escreveu citando fontes, números, estatísticas alarmantes.
Eu queria falar de outra coisa.
É que mesmo tendo lido e ouvido mil vezes que a violência doméstica é um fato concreto em todas as classes sociais, que está mais perto do que a gente imagina, que blablabla, eu sempre tive a sensação íntima de que na verdade isso era coisa que só acontecia com "os outros".
Até que um dia eu conheci uma mulher que foi vítima de agressões físicas pelo marido. E outra. E mais outra. (Isso sem falar nas vítimas de agressões verbais e morais, que essas a gente ainda nem está contabilizando.)
É que ainda existe uma relação de poder entre homens e mulheres. Por acaso ou serendipity, estava buscando uma informação no Google e achei outra: vocês sabiam que até 1962 o Código Civil brasileiro impedia as mulheres de abrir uma conta em banco sem autorização do homem responsável (marido ou pai)? Gente, 1962 foi anteontem, foi poucos anos antes de eu nascer, minha avó tinha 40 anos (quase a minha idade atual), minha mãe estava no colegial. Não faz taaanto tempo assim!
A gente fica pensando que o feminismo está ultrapassado, que as barreiras já foram superadas, que a desigualdade se resume a uma pequena diferença no salário médio entre homens e mulheres. Mas o buraco é mais embaixo.
A violência doméstica é a face mais cruel dessa história de dominação. E fica ainda pior quando pensamos em quantas mulheres sofrem em silêncio, por motivos que me doem só de pensar: medo, humilhação, insegurança; por acharem que é isso que elas merecem, por não acreditarem que existe outra forma de serem amadas.
Não é fácil falar. Mas pelo menos não estamos mais em silêncio. Juntas, de mãos dadas, talvez sejamos ouvidas.
-Monix-

3:20 PM


Às vezes eu penso em criar outro blogue. Manter esse, mas iniciar uma carreira solo. Um blogue anônimo - o que seria um contrasenso, não fossem a internet (em geral) e a blogosfera (em particular) a Terra do Mostra-Esconde.

Daí pensei que posso escrever aqui sem me identificar. Sim, claro, ou sou eu ou é ela, mas de qualquer modo, não assino embaixo. Nem ela.

Não sacia meu desejo - que eu nem sei realmente qual é. Mas inaugura uma nova maneira de postar, pelo menos.

Se ela topar, claro.

Frida, propondo a série 'Post-atentados' - aqueles pelos quais ninguém assume a autoria.
PS: Isto não é um teste.

12:43 PM



Quinta-feira, Novembro 24, 2005

O racismo e o mundo da propaganda. Dica excelente da Surya.

-Monix-

6:13 PM


Gula

Nasci numa família de cozinheiras de mão cheia. Até hoje me lembro do gosto dos sequilhos da minha bisavó, que morreu quando eu tinha 16 anos. E da gemada que ela me ensinou a fazer e até hoje eu sei. E da ambrosia, leve, nunca comi outra igual.
Aliás, minha memória gastronômica é bem antiga, lembro de quando viajei para a casa do meu avô em Brasília (com uns cinco anos de idade) e ele nos dava leite condensado pra "mamar na lata" e queijinho para "abrir o apetite" antes do almoço. Minha avó ficava louca da vida.
Minha avó é outra quituteira de mão cheia. Quando eu era criança, ela ocupava dois apartamentos do mesmo andar, ligados pelas cozinhas. Era uma mega-cozinha cercada de apartamento por todos os lados. As lembranças da minha infância são cheias de lanchinhos na copa, comidinhas gostosas, bolos (amor em pedaços, cuca de banana), docinhos, pãezinhos com queijo, sanduíches em camadas, tipo canapé, nas festas e nos domingos. Pasta de ricota com cenoura, que delícia. No meu aniversário, eu tinha direito a pedir o Bolo Campeão, uma receita que só a minha avó tinha, um chocolate cremoso com uma cobertura macia, nossa, uma coisa divina, de só parar de comer por decreto.
Minha mãe é a rainha do improviso na cozinha. Era uma cena comum vê-la remexendo a geladeira, misturando um restinho disso com um pouquinho daquilo, temperando, batendo com ovos e, voilà - uma comidinha nova. Fora isso, eram livros e mais livros de receitas, fichários, coisas recortadas de revistas e embalagens de maizena, anotações, dicas. Não existe nada que minha mãe ponha a mão que não fique simplesmente divino. Até para fazer um sanduíche ela inventa uma coisinha diferente, um toque criativo, um charme - pode ser um molho, uma combinação diferente, o jeito de cortar o pão...
Ou seja, Carol: eu não aprendi a cozinhar, eu cresci sabendo.

-Monix-

Update necessário - Minha família tem uma certa quedinha pelo matriarcado, e eu sem querer repito o padrão, às vezes ignorando solenemente os homens (aaaanos de análise e certas coisas não mudam!), mas é importante esclarecer que além dessa mulherada toda, também temos nossos mestres-cuca super talentosos. Um tio-avô era dono de um restaurante que marcou época na região serrana fluminense; um tio é especialista em chili com carne; meu irmão (que lê este blog) faz um estrogonofe delicioso e os melhores sanduíches do mundo, sempre um igual pra mim. :-)

10:28 AM


Eu queria ser a Samantha Jones, claro - liberada, bem resolvida, quase vulgar mas nem um pouco preocupada com isso; glamourosa... Mas eu sei que estou mais pra Miranda Hobbes, a mais neurótica, racional e menos atraente das quatro mulheres do finado Sex and the City. No que eu mantenho, aliás, um padrão infantil: aos 10, 11 anos a gente brincava de As Panteras e eu era a Sabrina, a menos bonita porém inteligente.
Mas a vida é real e de viés, diria o Caetano, e eu sei que participo mesmo é da Grande Família. Como figurante.

***

Falando em seriados: será que um dia alguém vai reprisar Os Waltons? Saudades de John Boy, Mary Helen e seu indefectível ''Boa noite!'' E uma grande curiosidade para ver se, com os olhos de hoje, aquilo é tão bom quanto parece pelas lentes do passado (eu gostava deles ou do ritual de assiti-los com a minha mãe e meu irmão?).


Helê
PS: Agora a música tema não pára de tocar na rádio cabeça... Como pode uma melodia tão antiga, que eu não ouço há tanto tempo, permanecer aqui nos arquivos mentais?

1:05 AM


Você sabe que está ficando velha quando observa o Rodrigo Santoro na tevê e pensa: ''Ele é lindinho, mas quando envelhecer mais um pouco vai ficar muito melhor!''

***

Acontece que ele tem a combinação imbatível de um corpo másculo e aqueles olhinhos de menino pidão. Como o Richard Gere, o The Edge (do U2)... E com o passar dos anos o contraste fica cada vez mais interessante.
(O que justifica a especulação, mas não esconde o fato de que estou realmente envelhecendo) .

Helê

12:28 AM


Outra resenha fora de hora

Confissões de Schimdt é um bom filme, embora melancólico, triste mesmo. Bem feito pra mim, que fujo dos dramas explícitos (órfãos, guerras, cânceres) e aprendi que um filme pode ser muito triste sem nada disso, apenas falando de uma vida ordinária. Ah, e o Jack Nicholson trabalha muito bem, mesmo não fazendo ele mesmo.

Helê

12:24 AM



Terça-feira, Novembro 22, 2005

Alvíssaras

Ouro Preto muda bandeira "racista"
Considerada racista e motivo de constrangimento para os moradores, a bandeira da cidade histórica de Ouro Preto (89 km a sul de Belo Horizonte) ganhou ontem um novo texto. A frase em latim "proetiosum tamen nigrum" (precioso ainda que negro), referência ao ouro coberto por óxido de ferro encontrado na região, foi substituída por "proetiosum aurum nigrum" (precioso ouro negro). A lei que mudou a bandeira de 1931 foi sancionada ontem pelo prefeito Ângelo Oswaldo (PMDB).
Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2005



Mais subsídio

Brasil dos negros é o 105º de ranking social
Um estudo divulgado ontem pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostra que, se os negros brasileiros formassem um país, ele ocuparia a 105ª posição no ranking que mede o desenvolvimento social no mundo, enquanto o Brasil "branco" seria o 44º. (...) Se brancos e negros do Brasil formassem países separados, seriam 61 posições de diferença. O ranking liderado pela Noruega tem 173 países. O Brasil "unificado" fica em 73º.
Folha de S. Paulo, 19 de novembro de 2005


Helena Costa

5:17 PM


Tenho em mãos um material de divulgação da Fundação Abrinq que reúne dados sócio-econômicos sobre o Brasil. Pára o que você está fazendo e prestenção porque a coisa é séria:

O Brasil é a 15ª economia mundial (na época do Milagre Econômico chegamos à oitava posição, lembram?), mas nosso país ocupa a 9ª posição no ranking da desigualdade social. Agora, os números:
- 10% mais ricos têm 50% da renda = R$ 571,00 mensais per capita
- 40% estão na classe média = entre R$ 131,67 e R$ 571,00 per capita
- 50% mais pobres têm 10% da renda = menos de R$ 131,67 per capita
Existem 56,9 milhões de pobres, sendo 24,7 milhões vivendo em extrema pobreza.

Números, números.
Agora vamos pensar. Segundo esses dados (replicados de fontes confiáveis, como IBGE e PNUD), uma empregada doméstica que ganhe dois salários mínimos, casada com um vigia que ganha um salário mínimo, e apenas um filho (eu conheço uma família assim), está na classe média brasileira. Uma secretária que ganhe dois mil reais, mãe solteira de dois filhos, está na faixa mais alta de renda, junto com o Antônio Ermírio de Moraes.

Então vamos parar com essa mania de achar que dá pra comparar o Brasil com Estados Unidos (ou com a Suíça, como recentemente fez a pouco respeitada revista Veja).
E não venham dizer que a culpa é (apenas) do governo Lula, que eu dou um grito.

Update: Segundo a mesma fonte, mais da metade das crianças brasileiras são pobres (segundo o critério dos cento e poucos reais por cabeça). Setenta por cento dos indigentes são negros. Mas é claro que no Brasil não existe racismo.

-Monix-

2:46 PM


O Henrique deixou o seguinte comentário a respeito do prêmio Valeu, Zumbi:

"Tem um filme que é altamente didático nessa questão. Ele consegue esfregar na cara da gente um fato que passa despercebido aos olhos da maioria - a falta de negros na mídia. Isso justamente se trata não de uma presença, mas sim de uma ausência, um ruído na comunicação, um significado nas entrelinhas. Esse filme é "A cor da fúria". Não é nem o caso de discutir se é bom ou não. O mais importante é a idéia básica de inverter os papéis, mostrando uma sociedade em que os negros são a elite, enquanto a classe proletariada é de maioria branca. Através dessa brincadeira, o roteiro faz saltar aos olhos situações que nos são pouco perceptíveis. Só uma cena já vale o filme: O John Travolta fica trocando de canal na TV, e nas novelas, filmes, noticiário, só aparecem negros. É uma coisa com que vivemos normalmente, no sentido oposto, e só os mais politizados conseguem enxergar."

Não vi o filme, fiquei curiosa. E me lembrei de um programa que assisti no GNT (e que teve como efeito colateral a aproximação de duas queridas) sobre o experimento realizado pela americana Jane Elliot. Chama-se Blue Eyes, Brown Eyes Exercise. A professora reúne um grupo de participantes e os classifica a partir da cor de seus olhos. As pessoas que têm olhos azuis são identificadas como o grupo inferior, recebendo todos os estereótipos negativos normalmente atribuídos aos negros. No grupo mostrado pelo programa, as reações foram muito fortes. Uma das moças de olhos azuis se retirou da sala aos prantos. Os olhos-castanhos diziam frases como "eu não sou racista, tenho até mesmo um grande amigo olhos-azuis."
Foi assistindo a essa experiência que entendi que racismo é um conceito subjetivo. Mesmo. Consegui ver, perceber, constatar, enfim, enfiar na minha cabeça branca-moça-zona-sul, que se um negro grita: discriminação!, é porque ele sentiu assim. E não, eu não tenho condições para julgar.

Estamos apenas engatinhando.

-Monix-

1:10 PM


Papo com o DJ: "os ingleses são estranhos, ninguém se beija, a festa acaba e tá todo mundo sozinho. Às vezes rola de umas mulheres se pegarem. Mas aí pode. É que todo mundo sabe que elas estão só brincando, e que não vai rolar sexo depois." É. Estranho é pouco.

-Monix-

10:11 AM



Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Desperdício

Esta noite sonhei que estava numa deliciosa cena de sexo com... meu marido!
Se é pra ser com o marido, por que sonhar ao invés de fazer?
Se é pra sonhar, por que não o Brad Pitt ou com Denzel Washington?
Ô inconscientezinho sem ambição!



PS: A foto do marido não rola - vai que cês sonham com ele também?

Helê

11:24 AM



Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Da série Favoritos das Fridas

Nossas cenas favoritas: Harry e Sally



A já clássica "Cena do orgasmo". Pelo conjunto da obra: a encenação da Meg Ryan, a cara de babaca do Billy Cristal e a velha (mãe do diretor Rob Reiner) pedindo ao garçom o mesmo que ela. Genial e hilária.
Helê



No carro, indo para Nova York, acabam de se conhecer e Harry lança a questão polêmica: homens e mulheres não podem ser amigos, "por causa do sexo". A Sally discorda, mas eu não. Adoro esse desvelamento de um assunto familiar a (quase) todo mundo, mas nunca verbalizado com a naturalidade que deveria. A tensão sexual é um fato. O que vamos fazer com ela, é outra história.
Monix

5:43 PM



Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Condecoração

O 20 de novembro, dia nacional da consciência negra, este ano cairá num domingo - o que diminuirá a visibilidade da data, ajudou a dividir o já belingerante movimento negro em duas marchas à Brasília e, horror dos horrores, roubou dos cariocas um feriado.

Como o movimento por aqui cai bastante no finde - ainda bem, sinal que cês tem coisa muito melhor pra fazer do que ficar em frente ao computador no sábado e domingo - fica registrada hoje a minha condecoração Valeu, Zumbi (que eu acabei de inventar, of claro). Vai para o cineasta Jorge Furtado, que me deu a oportunidade tardia, mas não menos importante por isso, de assistir a um filme bacana, muitíssimo bem feito, onde um negro é protagonista sem fazer "papel de preto". Você sabe o que eu quero dizer: não é escravo, nem guerreiro, nem jogador de futebol, nem faz discurso sobre "ser negro" e coisas do gênero. É pobre, mas poderia ser um pobre branco e nenhuma linha do filme precisaria ser reescrita. Em O homem que copiava o brilhante (e belo) Lázaro Ramos protagoniza uma história absolutamente verossímil sem ter que, em nenhum momento, fazer qualquer menção à sua cor ou etnia.

Considero importantíssimo que o cinema, a televisão e todos os outros produtores e reprodutores de iconografia, memória e cultura (entre outras coisa) abordem as mais variadas questões relativas aos negros - incluindo aí biografias de destaque para além dos gramados e dos palcos. Em que pesem estas demandas, no meu mundo ideal, o mais importante não seria uma filmografia sobre a história negra ou elencos majoritariamente negros. A regra - e não a exceção ou a concessão - seriam filmes onde os negros atuassem apenas por dois critérios: existência e talento.

Helena Costa

10:29 PM


Ginástica tem que ser em academia ultra-mega-power-flex. Você conhece o tipo, né? Equipamentos modernos, professores empolgados, instalações modernas, banheiros luxuosos, de preferência com pequenos mimos como secadoras de maiô, sabonetinhos, balanças digitais e secadores de cabelo. E gente bonita, muita gente bonita.
Não dá pra malhar na academia da esquina, baratinha, meio antiguinha. Pode ser muito confiável, pode ser mais econômica, pode ter gente séria trabalhando para meu bem-estar, mas num rola.
Eu já não gosto nada-nada de atividade física. Se é pra ir até uma academia, que seja pra achar que me transformei na Angelina Jolie, daí pra mais. Pra olhar em volta e ver gente como a gente, melhor ficar em casa mesmo, pelo menos é de graça.
É por essas e outras que eu não malho, como vocês podem perceber.

Monix, politicamente incorretíssima

5:11 PM


A idéia original é da Marina W. Mas quem lê esse blogue a essa altura já percebeu que nós adoramos uma brincadeira. Alguém mais quer aderir?

Coisas deleitáveis

gargalhada de criança feliz
sons de criança brincando com pai

dormir na rede
fazer amigos na (grande) rede

banho de chuveiro
banho de banheira

pipoca de microondas
massa de bolo que a gente tira com o dedo e lambe

ler na cama
trepar na cama

edredom de hotel, de preferência bem branco
lençol de hotel, aquele beeem esticado

dançar em festa de casamento
dançar música que a gente gosta

cantar junto com o rádio
cantar alto com fone no ouvido

subir a serra
olhar a Terra (do espaço)

sushi e sashimi em dia meio deprê
feijoada e cervejal em dia alto astral

bom papo
altos papos

cuidar da mini-horta
arrumar livros e cds

fazer fuxico
fazer fuxico

ir pra varanda espiar o movimento da rua
sentar na calçada espiando o movimento da rua


coisas deletáveis

Jornal Nacional
Domingão do Faustão

acordar com o sol batendo na cara
ficar com os pés molhados em dia de chuva

perfume forte
duelar com a morte

falar no telefone por mais de 5 minutos
tentar falar com alguém por telefone por mais de 5 minutos

sair mal na foto
foto 3x4 (você sempre sai mal)

descer a serra
enjoar descendo a serra

mergulhar na piscina gelada
água fria, sempre

roupa suja
louça suja

papo chato
papo furado

pregar botão
fazer bainha


Monix e Helena

11:46 AM



Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Escorregar não é cair ...
... é um jeito que o corpo dá.

Sabedoria Popular Capoeirística


Helê, improvisando uma embolada digital com mi sócia

11:54 AM


Aprender a cair com classe é uma arte. Metaforicamente falando - ou não.

-Monix-

8:11 AM



Terça-feira, Novembro 15, 2005

Alô, Pessoas todas, habitantes da blogolândia - proprietários, locatários, grileiros, leitores anônimos: participem da Pesquisa Verbeat Blogosfera Brasil. Leva menos de 10 minutinhos e é uma iniciativa bacana que tenta conhecer melhor esse espaço/tempo que todos nós estamos inventado.
A pesquisa fica no ar só até o dia 25 de novembro.

Helena Costa

11:10 PM



Domingo, Novembro 13, 2005

Do berço pra cama

Meses de demora entre a decisão e a compra de uma cama para filha já não tão pequena. Quando a cama chegou, levou mais um tempo para o berço sair. Eu não conseguia desmontar o berço sozinha. Depois faltava fronha, colcha, lençol. Mais uns dias, que ainda precisava da capa pra proteger o colchão. Agora tá tudo certo. Mas e esse nó na garganta de ver filho crescer, desmonta como, cobre com quê, protege de que jeito?

Helê

12:25 AM



Quarta-feira, Novembro 09, 2005

Da série Favoritos das Fridas

Nossas cenas favoritas



Antes do Pôr do Sol, a cena final. Não posso contar, porque estraga a surpresa, mas... bateu Casablanca e Quanto Mais Quente Melhor no quesito melhor frase final de todos os tempos cinematográficos.
Monix



George (Ruppert Everett) explicando como conheceu Juliette (Júlia Roberts) - num hospício onde Dione Warick estava internada. Acaba fazendo todos cantarem ''I say a little prayer for you''. Hilária! Em O Casamento do meu melhor amigo.
Helê

11:29 PM



Terça-feira, Novembro 08, 2005

10 Livros que marcaram minha vida

- Coleção Para gostar de ler, da Ática: existe até hoje (ôba!). Tenho certeza que o fato de ler crônicas do Drummond, Rubem Braga, Veríssimo, Paulo Mendes Campos me ajudou - e muito - a gostar de ler.

- Ed Mort, Luís Fernando Veríssimo. Na verdade é a obra, mas acho que foi o primeiro dele que li. Apesar do título, reúne outras crônicas que não se resumem a este personagem. Com o Veríssimo constatei que o humor faz cócegas no cérebro - e até mesmo no coração. Ele tem lugar cativo no bloco dos meus pensadores favoritos e virou até tema da minha dissertação de mestrado.

- Solte os cachorros, Adélia Prado. Até então nunca tinha experimentado uma prosa tão poética; e nunca o feminino tinha sido um tema relevante pra mim.


- Grande sertão veredas, João Guimarães Rosa. Definitivo, marcante, mexeu com a maneira de olhar o mundo, de estar no mundo. Consulto como alguns consultam a bíblia, como um livro cheio de sabedoria, portador de todos os estilos (poesia, drama, épicos, etc.) e que sempre tem algo a me dizer. É mais que um livro, é um lugar, pra onde sempre retorno e de onde nunca mais saí.

- Sem açúcar com afeto, Sonia Hirsch. Mudou minha maneira de encarar alimentação, pra sempre.

- Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector. Indicado por uma professora de português inesquecível, chamada Alair, mineira, que me apresentou esse e outros tesouros.

- Ópera do malandro, Chico Buarque. Eu li o livro, comprei o disco, representei a peça (naquela época da vida em que quase todo mundo acha que vai ser atriz/ator). E é dele, né? (supiro!...)

- O menino do dedo verde, Maurice Druon. Possivelmente o primeiro livro que eu li. Só isso já justifica, não?


- Cem dias entre céu e mar, Amyr Klink. Livro despretensioso, que apesar ou por isso, me enriqueceu muito. Despertou minha curiosidade por certo tipo de literatura (vamos chamar apressadamente de "literatura de aventura"), que me levou a lugares muito distantes em vários sentidos, como o Everest, o pólo sul, e me apresentou personagens fascinantes como Roland Amundsen, por exemplo. Às vezes o valor de um livro também está no fato dele servir como uma espécie de introdução a outros.


- Mothern - manual da mãe moderna, Juliana Sampaio e Laura Guimarães. Oh, sim, inevitável. O livro simboliza ''o conjunto da obra'', digamos assim, que inclui o blogue, o livro de visitas, os hiperlinks afetivos estabelecidos a partir de então... Relaciona-se também com a experiência mais revolucionária da minha vida, que está sendo a maternidade.

Não são necessariamente os melhores, ou os mais belos, nem todos são favoritos. Mas deixaram marcas indeléveis.

Helena Costa

10:53 PM


Sobre uns filmes

Os comentários a seguir são sobre filmes há muito lançados, mas que eu vi ou revi nas últimas semanas. Portanto, devem ser inúteis para a maioria dos leitores deste post.
Ainda bem que um blogue não precisa ser útil. :-D

Garotas do Calendário: uma delícia de filme, tão despretencioso e poderoso quanto a ação que deu origem a ele. Assim como quem não quer nada, sem discurso ou teoria, as mulheres do filme/da vida real interpelam com elegância e bom gosto a ditadura da juventude e os paradigmas contemporâneos da beleza. Não consigo esquecer dois diálogos:

- Você precisa resolver aquele mal-entendido com a Annie.
- Mas eu não sei o que dizer a ela!
- Você não precisa dizer nada, ela é a sua melhor amiga.

***
- Cora, nós realmente vamos posar nuas para calendário. Você topa?
- Chris, eu tenho 55 anos...
- Mas...
- ... se eu não fizer isso agora, quando é que eu vou fazer?







O Campo dos Sonhos. Revi dia desses; infelizmente já peguei do meio pro fim. É lindo, edipiado até a raiz dos cabelos. Talvez por isso mesmo fique um pouco pra piegas - mas quem não tiver um pouco de cada (complexo de Édipo e pieguice) que atire a primeira pedra. Tão bacana que até o Kevin Costner trabalha bem.




O Guru do Sexo. Eu jamais veria se soubesse o título antes. Mas fui pega pela primeira cena, a curiosidade me foi me levando, me levando, e ''quando dei fé'' (como diz minha sogra) tinha me divertido horrores. Conta a história de um indiano professor de dança que deixa Nova Delhi para ser estrela de cinema em Hollywood. Uma comédia debochada que satiriza os musicais, os americanos, os indianos, sexo, auto-ajuda - não sobra muita coisa. Excelentes atuações e uma trama bem feita e contemporânea.




Erin Brockovich: acho o filme tão feminista, tão instigante ver aquela mulher tendo um comportamento de macho (porque trabalha enloquecidamente, deixando de estar com os filhos inclusive, como qualquer homem) usando todo o arsenal de fêmea (saltos altos, minissaias e decotes, como qualquer mulher)... Uma figura que rejeita todos os escaninhos previamente determinados, deixando todo mundo desconcertado. Eu adoro.





Alguém tem que ceder: outro exemplo de comédia pode ser bacana sem ser imbecil e sem, necessariamete, defender uma tese. Ótimas atuações de Diane Keaton e do Jack Nicholson e, de bônus, o fofo do Keanu Reeves.



Helê

9:34 PM



Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Da série Favoritos das Fridas

Feios que a gente adora:


Alan Rickman, Monix


Tommy Lee Jones, Helê

8:38 PM



Que delícia, que sufoco

O grande buraco é o pós-parto... você começa a rever as relações com seus pais. A minha relação com minha mãe veio à tona, todos os limites dela como mãe.
***
Amamentei por sete meses, sem gostar. Como sou uma pessoa ansiosa, ficava louca pra acabar logo. Apesar de saber que era bom pra ela.
***
Na hora do parto, senti uma sensação de alívio (...) ... eu também esperava bater tambor, uma emoção especial de que todo muno fala mas não ocorreu...
***
Desde o pós-parto despertou em minha a consciência de que existe um ser que depende de você pra tudo. É apavorante.
***
O pós-parto é desagradável porque o neném não devolve nada, em termos emocionais. O seio dói, a cicatriz dói, você está literalmente horrorosa, não pode fazer sexo com seu marido do jeito que deseja. O neném chora, não dorme, não come, você não pode fazer nada por causa dele.
***
O grande projeto da minha vida são os meus filhos. (...) Acho que, na verdade, os filhos é que são a grande escola. Nós nos preparamos tanto para educá-los e eles é que nos educam.


Não, essa não é uma campanha anti-reprodução da espécie. Apenas mais um ataque deliberado ao opressivo MM - Mito da Maternidade. É que li recentemente um livro maravilhoso chamado ''Maternidade: que delícia, que sufoco - 30 histórias reais'', editado pela Objetiva e escrito por Maria Teresa Marques Moreira. Nunca tinha ouvido falar dele, mas achei, sabe Deus porque, que seria bom (às vezes eu ajo como franco atirador e escolho um livro pela capa, pela orelha, pelo resumo do Submarino. E, sorte ou intuição, em geral acerto). Este é muito bacana porque são depoimentos de diferentes mães contando suas gravidezes (ô plural estranho esse!) e partos. A autora parece ter procurado editar o mínimo possível, tentando preservar a fala original das mulheres. E como se pode ver pelos trechos que escolhi, são depoimentos reais e realistas, nada daquela profusão de laços cor de rosa, diminutivos e tatibitate irritante. Claro que há alegrias e emoções intensas, mas não só, porque a maternidade, como qualquer outra experiência humana, é feita de luz e sombra - embora nos ensinem que ela só pode ser ensolarada, exultante e enobrecedora. Vale a pena pra quem quer ter uma idéia da maternidade como ela é.

Helena Costa

12:11 AM



Sábado, Novembro 05, 2005

Momento-jabá




Encomende o livro novo da Fal. E vá lá:


-Monix-

11:03 PM



Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Quando eu tinha uns 17 anos, uma amiga namorava um artista plástico beeem mais velho (ou seja, não devia passar dos 25!). Um cara meio porralôca, tipo meio incômodo, meio divertido. Nunca mais ouvi falar. Mas, de vez em quando, lembro de quando ele falava, em tom de deboche, da classe mérdia. Eu, que sempre fui uma típica garota-classe-média, confesso que não gostava muito da expressão. Mas, sabem de uma coisa? É isso mesmo. Classe mérdia stinks.

-Monix-

Trilha sonora do post: Banditismo Por Uma Questão de Classe, de Chico Science e Nação Zumbi

11:09 AM



Quinta-feira, Novembro 03, 2005


Uma imagem pode provocar mil sensações.
Qual é a sua?


Duas Fridas

4:53 PM



Terça-feira, Novembro 01, 2005

A propósito

Acontece comigo, não é raro, de cair de amores por certas palavras. A ponto de ficar ouvindo e pensando nela, como quando a gente cisma com uma música, ou quando se enamora por gente mesmo. Pode ser o som, o significado, a origem, mil coisas podem provocar esse enamoramento - assim como quando a gente se apaixona ''de verdade''. Minha mais recente paixão foi por serendipity:

Serendipity: the faculty or phenomenon of finding valuable or agreeable things not sought for (Merriam-Webster Online Dictionary)
(A capacidade ou o ato de encontrar algo agradável ou valioso sem que se esteja procurando por isso. TTS - tradução tosca e safada)

Convém lembrar que a conheci entrando num blogue que parece abandonado, que constava nos favoritos de outro, no qual entrei porque o título era o mesmo de uma música de Cat Stevens. Ou seja, era um caso claro daquilo que eu lia, porque eu realmente não procurava por aquela informação. Fiquei fascinada com o som, com o sentido e com o fato de não haver correspondência em português. (Parece-me significativo que exista na língua de colonizadores). Tratei então de conhecê-la melhor, o que só fez aumentar minha admiração: a palavra serendipity tem pedigree, certidão de nascimento, pai conhecido, árvore genealógica. Numa busca simples pela internet sabe-se a primeira vez em que a palavra foi usada, por quem e baseada em que.

Encanta-me sua precisão e especificidade, porque não designa apenas o acaso, qualquer acaso, mas aquilo que se encontra de bom, sem intenção. Não é o resultado de uma pesquisa, tão pouco uma descoberta qualquer que cairá no esquecimento em curto prazo. Trata-se de algo necessariamente bom, útil, interessante ou agradável, que encontramos sem que estivéssemos procurando.

Pode ter surgido no século dezoito e vindo do oriente, mas pra mim é extremamente atual e tem tudo a ver com a grande rede, a blogosfera e tudo o que contém ou está contido nesses espaços. Porque não foi por outra força, senão por serendipity, que eu pude estar no lugar certo e na hora certa freqüentando o melhor dos botecos, redimensionando distâncias e redefinindo conceitos (como 'virtual', por exemplo). Não foi por outro fenômeno que eu (re)encontrei amigas de uma infância imemorial. Não fosse pela ação poderosa da serendipity e eu não estaria hoje aqui, escrevendo com a Monix esse blogue. Fosse Serendipity uma divindade e eu renderia graças.

Helê

7:06 PM


A internet é mesmo incrível. estava procurando uma coisa, achei outra. E gostei. E decidi dividir com vocês:
Após quatro anos de cárcere, ainda hoje ouço a pergunta quanto aos meus sentimentos. Respondo ter aprendido a não odiar os meus algozes. Não por mérito, mas por descobrir, ali dentro, que o ódio destrói primeiro quem odeia, e não quem é odiado.
Frei Betto
A íntegra está aqui.

-Monix-

2:09 PM




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