Segunda-feira, Outubro 31, 2005



Saiba mais sobre esta imagem aqui e aqui.

-Monix-

3:28 PM


Postei aqui.
-Monix-

10:26 AM


Desiderata

Siga tranqüilamente o seu caminho, por entre rumores e agitações, lembrando-se que há paz no silêncio. Sem capitular, vá tão longe quanto possível, e viva na melhor harmonia com todas as pessoas. Fale sua verdade calma e claramente; e ouça todos, mesmo os ingênuos e iletrados, pois eles também têm sua história.

Evite pessoas espalhafatosas e agressivas, que trazem inquietação ao nosso espírito. Se você se compara com outras pessoas poderá tornar-se presunçoso e amargo, porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Regozije-se com suas realizações tanto quanto seus planos. Mantenha o interesse em sua própria carreira, mesmo que humilde; é um bem verdadeiro em meio às desventuras da vida. Seja cauteloso em seus negócios porque o mundo está cheio de espertezas. Mas não se deixe cegar por isso porque a virtude existirá sempre: inúmeras pessoas lutam por elevados ideais; e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.

Seja autêntico, seja você mesmo. Jamais finja amizade. Não seja descrente do amor, pois apesar de todas as asperezas e desencantos, ele é tão perene quanto a grama. Aceite gentilmente o conselho dos velhos mas saiba ceder, compreensivo, às inovações da juventude. Cultive a fortaleza da alma que o ajudará a triunfar sobre um infortúnio repentino. Mas não se angustie por meras suposições. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão. Além de uma saudável disciplina, conserve uma como que afável solidariedade para consigo mesmo.

Você é uma criatura do Universo, não menos que as árvores e as estrelas; você merece estar aqui. E ainda que isto não lhe pareça claro não duvide, pois o Universo segue prossegue em sua marcha como devia. Afinal, esteja em paz com Deus, qualquer que seja sua forma de concebê-lo e quaisquer que sejam seus trabalhos e preocupações. Em meios às confusões da vida, mantenha paz em sua alma.

Apesar de todos os enganos, enfados e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso. Esteja alerta e procure viver feliz.

Max Ehrmann, 1927

Você pode ler o original, em inglês, aqui.

* Conheço esse texto há muitos anos e gosto muito. Para mim funciona como uma espécie de oração ¿ embora nele não se peça nada; ao contrário, a felicidade surge como algo pelo qual devemos nos empenhar, a partir de certas condutas. Quando decidi postá-lo, descobri coisas interessantes sobre ele na internet:

- Embora tenha ficado conhecido com um texto achado numa velha igreja de St. Paul em Baltimore, o texto tem data e autor conhecido. Tudo indica que, por ter sido usado numa liturgia naquela igreja, em que o papel timbrado trazia a inscrição ¿Old St. Paul's Church, Baltimore A.C. 1692.", com o tempo apenas essa referência permaneceu. Acredita-se também essa versão conferia ao texto um caráter místico. A versão que guardo comigo traz essa falsa referência, na qual eu acreditava até descobrir toda a história.

- O texto foi especialmente difundido na década de 60, quando estava em consonância com o espírito libertário daquela época.

- Desiderata é uma palavra latina que significa aquilo que se deseja, que é essencial. Em bibliotecas significa uma lista de livros desejada.

Helê, desejando uma boa semana pra nós tudim

12:39 AM



Sexta-feira, Outubro 28, 2005



28 de outubro, dia de São Judas Tadeu
Patrono das causas difíceis e desesperadas
Padroeiro do Flamengo
Rogai por nós, torcedores.


Helê, quem mais?

3:17 PM



Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Mais do mesmo ou ainda o referendo

Interferência
Agora é tarde, Inez é morta, provavelmente a tiros, mas o debate vai continuar depois do referendo. E como muita gente se queixou que o referendo foi confuso, sugiro que da próxima vez que consultarem a população sobre o assunto simplifiquem a pergunta, colocando-a em termos corriqueiros, de experiências pessoais como as que estão todos os dias nos jornais, e que qualquer um entenderá. Por exemplo: se você fosse a mãe de um rapaz morto com um tiro numa briga de torcidas, preferiria que fosse mais difícil alguém ter acesso a armas como a que matou seu filho ou que seu filho também tivesse acesso a uma arma para poder se defender? Não é uma pergunta sentimental ou injustamente armada para favorecer um lado, eu até tenho dúvidas sobre como as ''mães'' hipotéticas responderiam. Mas a questão é, ou era, simplificada, exatamente esta.
Luis Fernando Veríssimo, n' O Globo de 23/10/05

# Referendo: "sim" vence nos bairros mais violentos de São Paulo
(...) Apesar de ter vencido em 44 das 47 zonas eleitorais da cidade de São Paulo, o "não" à proibição do comércio de armas de fogo no país perdeu nas três áreas mais violentas da capital paulista. Esses bairros também apresentam os menores índices sociais do município.
No Grajaú, zona sul da cidade, por exemplo, 51,22% dos moradores votaram pelo fim da comercialização. Lá, ocorrem mais de 85 mortes para cada cem mil habitantes.
Segundo levantamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, o "não" chegou a conquistar, no Jardim Paulista (uma das regiões mais ricas da cidade), 68,34% dos votos válidos. Dados da Fundação Seade do ano de 2000 revelaram que esse bairro abriga a grande maioria dos domicílios que recebem acima de 10 salários mínimos, ou seja R$ 3 mil.
De Brasília, da Agência Notícias do Planalto, Sofia Prestes, 24/10/05


Helê

7:22 PM


Baixa-estima
No Mínimo, coluna do Sérgio Rodrigues, A Palavra É...

27.10.2005 | O anúncio do "Programa Coca-Cola de Valorização do Jovem", em meia página de jornal, começa com o pé esquerdo. Sob o título: "Auto-estima. Que matéria melhor uma escola poderia ensinar?", um pequeno texto abre com a seguinte frase: "Alunos desmotivados têm um problema pior do que nota baixa: a baixa-estima".
Não é de hoje que esse erro circula por aí, ululante, fruto da confusão entre "auto" e "alto". Jornalistas de renome já foram vistos engalfinhados com ele, o que, longe de redimi-lo, os condena. Sim, o contrário de alto-astral é baixo-astral. No entanto, mil vezes não, o oposto de auto-estima não pode ser "baixa-estima". Essa entidade é absurda. Seria como dizer que ao auto-retrato se opõe o baixo-retrato, e ao automático o baixomático.
Claro que se pode falar em "baixa estima" (sem hífen!), mas nesse caso é preciso acrescentar o que é que se considera indigno de apreço. "Tenho baixa estima a (ou por) fulana", dirá alguém. Está certo. Mas a declaração de repúdio a fulana nada revela sobre o amor-próprio do falante.
O que o anúncio da Coca-Cola gostaria de dizer, e não soube como, é que existe um problema pior do que nota baixa: a baixa auto-estima ou, para evitar o desagradável encontro baixa/auto, a falta de auto-estima. Quanto à pergunta inicial do anúncio - "que matéria melhor uma escola poderia ensinar?" -, que tal português?


Gostei tanto, que só publicando na íntegra.

-Monix-

3:57 PM


Sobre o poder e os efeitos do elogio



Talvez dois meses seja um exagero, mas que nutre, revitaliza, abastece e renova, ah, disso não há dúvidas. Um elogio sincero e direto - com ou sem intenções outras, esse não é o foco aqui - é capaz de fazer por uma pessoa o que outras coisas igualmente boas e importantes (carinho, atenção, amizade) não fazem. Pode ser minha librianice, ou apenas meus cromossomos XX, mas com um bom elogio ganho o dia e até mais. Sim, poderia ser utilizado pela propaganda de cartão de crédito: um elogio não tem preço.

Há que se observar algumas normas (como tudo nessa vida - agora é o ascendente em virgem falando, câmbio). Em primeiro lugar precisa ser sincero. Jóias podem ser falsas, obras de arte idem - elogios jamais. Até porque são como band-aid depois do banho - simplesmente não colam. É recomendável também que tenham alguma elegância, observando sempre o contexto, a faixa etária da audiência, o propósito (oh, claro, os indecentes e impúblicáveis são igualmente bem-vindos - desde que verdadeiros e ofertados na hora certa). Se ditos olho no olho e em público, pronto, corre pra arquibancada e comemora: você fez tudo certo.

Não é à toa que conquistadores contumazes fazem da observação e do elogio sua estratégia mais usada e eficaz. Você conhece o tipo, aqueles que são profissionais, seduzem até sem perceber - como o escorpião da história do escorpião e do sapo: é da natureza deles. Eles sabem o poder de um elogio sobre a pessoa humana.

Embora esse blogue seja um partidário e divulgador da prática da Gentileza, não é disso que estamos falando aqui. Gentil devemos ser com qualquer ser humano, que todos necessitamos de delicadeza e cuidado, assim somos mais felizes e... humanos. Aqui falamos em reconhecer méritos específicos, qualidades, habilidades ou - por que não? - uma roupa que caiu bem. Então não minta nem invente, apenas pra ser bacana ou supostamente gentil, porque a pessoa saberá. Um elogio, se não for convincente e verossímil, terá sido em vão. E o poder e os feitos do elogio valem, claro, para qualquer tipo, vindo de onde vier: chefa, filho, mãe, conhecido (se bem que, pra mim, esses de validade mais longa são os masculinos, confesso).

Portanto, se você tem dúvidas se a mulher na sua frente está grávida ou gorda, cale-se (lembre-se do post do metrô!). Se a cor da camisa do estagiário não combinou com a calça, esqueça. Mas se você achou que aquele corte de cabelo remoçou o cidadão, ou que o vestido da fulana deixou-a sexy, ou que seu colega de trabalho fez muito bem aquele relatório, diga, por favor! Se puder fazer um elogio, jamais deixe escapar a oportunidade. Pra você pode ser apenas uma constatação do óbvio. Pra quem ouve pode significar um esperado lustre na auto-estima, aquela necessária massagem no ego, o estímulo para uma decisão adiada... Pode significar menos três sessões de terapia, ou menos meia dúzia de lágrimas... Ou apenas resultar num sorriso iluminado de arrasar quarteirão, que vai gerar outros elogios e fazer alguém ainda mais feliz.

Este post é dedicado ao Ari, que certamente nunca irá lê-lo. Mas fez-me um elogio há quase um mês, com o qual nem concordo, mas que até hoje me faz sorrir quando lembro.


Helê

12:01 AM



Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Um almoço, quatros reações, duas versões

Como conhecer uma pessoa pela sua reação a uma tragédia
- Menina, você viu a An, sentou do lado do Bolsonaro num vôo! Ninguém merece! Eu teria colado um chiclete no banco. Ou vomitado em cima dele. Isso, vomitava e depois fazia aqueeeela cena, ''oh, eu sinto muitíssimo...''
- Cena nada, eu ia ficar verde, me fazendo de tonta, nem olhava na cara dele...
- Pois eu vomitava e dizia; ''Foi de propósito!''
- Eu avisava: ''E pode vir mais!''
Todas megeras*, digo, mulheres - entre elas, las Fridas, claro.
*cópirraite das legítimas MM
Helê

********************
Angela, seu vôo com o Bolsonaro foi tema no nosso almoço de hoje. Como vc reagiria após despejar seu vômito forçado em cima do Bolsonaro? Eu: ficaria me fazendo de passada mal, toda verde. Rê: diria que foi de propósito. Helê: Pediria mil desculpas cinicamente. Dedéia: Avisaria que pode ter mais por vir. Hahahaha! Acho que nos definimos bem, não? A vingança é que define a mulher.
Monix

11:30 PM


Liberdade, ainda que à tardinha

É raro depois de parir, mas às vezes a gente fica algumas horas, uma tarde ou até mesmo um dia inteiro sem filhos. Porque o papai agora mora em outra casa, ou mora na mesma casa e resolve fazer um passeio sozinho com eles; porque vão pra casa da vovó; ou porque alguma alma caridosa resolveu levar seu filhote num programa com outras crianças. Aí você se vê com aquela desejada oportunidade nas mãos: fazer tudo o que não dá fazer com crianças - ou o que, quando feito com elas, fica terrivelmente comprometido. Mas quais são essas coisas mesmo? Ah, é, ler aquele livro, comer sorvete (ou qualquer coisa, mesmo um pão velho) sem ter que dividir, dormir... Não, melhor ver aquela série que você não consegue porque começa na hora de colocar a pessoa pequena pra dormir... não, melhor ver o DVD ganho no aniversário, que na última vez que você tentou ver foi interrompida por uma crise de choro inexplicável... não, não, melhor responder a todos os e-mails e fazer a ronda dos blogues... não, isso a gente consegue fazer, de um jeito ou de outro... não, melhor aquele trabalho manual para desestressar que a gente anda muito nervosa pra fazer... ou arrumar o armário....
Você fica igual cachorro correndo atrás do rabo. Tem também lôcas (como nós) que começam várias coisas, e depois passam pelos cômodos e encontram uma TV ligada, um guarda-roupa aberto, o computador ligado, o livro aberto....

Relaxe. Segundo apuração recente feita pela DataFridas, faça o que fizer, escolha o que escolher, você sempre vai ficar pensando que poderia ter feito outra coisa, que poderia ter aproveitado melhor. Tenha você um ou mais filhos, seja um par de horas ou um fim de semana completo. Não tem escapatória. Tente apenas não fazer algo que faria mesmo com o pentelho agarrado na sua perna esquerda (arrumar o armário, por exemplo). Vale até sentir saudades, mesmo que só tenha 40 minutos que o gajo ou a gaja saiu - mas por favor, jogue fora aquele pedaço de culpa grudado no peito por estar feliz em ficar sozinha. E páre de se perguntar se você não está esquecendo algo ou está faltando alguma coisa - está sim, mas vai chegar logo - e aproveite a sua própria companhia. Faça, inclusive, algo realmente impossível com crianças em casa: nada. E aproveite.



Las Duas Fridas

10:54 AM


Da série Favoritos das Fridas

Nossas cenas favoritas


Indiana Jones e os caçadores da arca perdida. A cena foi recentemente citada aqui, é aquela em que o herói encontra com um inimigo que faz uma ameçadora apresentação de sua gigantesca espada - apresentação que termina com um tiro do Indy na barriga do cidadão de bem.
Helê


Casablanca, a cena em que Ilsa Lund vai visitar Rick Blaine, no meio da noite, para pedir os salvo-condutos que darão a liberdade a ela e seu marido, Victor Laszlo. A princípio ele nega, e pede a ela que fuja com ele, Rick. Depois de uma conversa difícil com seu ex-amor, ela encosta a cabeça em seu ombro e diz: não posso decidir isso. Você terá que pensar por nós dois.
Monix

10:38 AM



Terça-feira, Outubro 25, 2005

...é que eu vim do Planeta Onde Coisas Ruins Não Têm Nome, por isso.
-Monix-

10:27 PM


10 Livros e mais alguns

É só uma brincadeira, mas diz muito sobre quem responde. A pergunta é: quais foram os 10 livros que mais marcaram sua vida?

1) A Bolsa Amarela
A idéia de ter uma bolsa onde se guardavam todas as vontades, e que essas vontades inchavam até estourar... Nossa, me identifiquei demais. Minha quedinha pelos protagonistas incompreendidos começou aqui.

2) Os 12 Trabalhos de Hércules
Monteiro Lobato é fundamental, né? Eu li esse livro várias vezes. Adorava o herói, adorava as tarefas, os mitos gregos, que conheci pela primeira vez lendo o livro. Acho que foi no Psicanálise dos Contos de Fadas (ainda estou lendo, Flávia!) que entendi melhor minha paixão pelo livro: o Bettelheim diz que é fascinante a idéia de um personagem que, mesmo sendo herói, enfrenta mil dificuldades para executar as tarefas que lhe são impostas.

3) Pollyana
A menina que tinha tudo para ser infeliz e conseguia ver sempre o lado bom de qualquer situação me encanta até hoje. Talvez esse seja o livro desta lista que mais se encaixe na proposta da pergunta: aquele que marcou minha maneira de ser. Tá, eu sei que quase todo mundo acha a Pollyana uma chata, mas pra mim ela é fundamental, até hoje, com seu Jogo do Contente.

4) O Apanhador no Campo de Centeio
Mais um protagonista incompreendido. Holden Caulfield era, para mim, o alter-ego perfeito de uma adolescência inadequada. Ele fez, na ficção, várias coisas que eu achava que queria fazer na ¿vida real¿, inclusive fugir de casa. Sendo que a vida dele tinha uma tragédia que justificava toda aquela inadequação; a minha, não. Anos depois reli o livro e tive outra sensação totalmente diferente. A cada cagada que ele fazia, eu só pensava: ¿menino, liga pra sua mãe!¿

5) As Brumas de Avalon
Esse me deu uma visão feminina, uma ótica bem diferente do mundo que eu conhecia até então. Ou melhor, eu até já namorava esse ponto de vista feminino sobre as coisas, mas lendo as Brumas consegui visualizar uma das formas de usá-lo. Eu sei, é um best-seller clichezão, mas pra mim foi super importante.

6) Memórias Póstumas de Brás Cubas
Literatura brasileira de altíssima qualidade. Nem preciso explicar, o livro fala por si mesmo. Este Machado, especificamente, me marcou por ter sido o primeiro que li. E também porque tem a melhor abertura e o melhor final de romance que eu jamais li.

7) Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
Ganhei de presente de um professor de Literatura maravilhoso. Clarice é uma revelação, ela trata a língua portuguesa de uma forma muito peculiar, escreve prosa como se fosse poesia. O livro me marcou profundamente, especialmente naquela época, aos 18 anos, em que eu estava começando a perceber o quanto a linguagem é na verdade uma visão de mundo. (Um pouco depois eu estudaria isso um pouquinho mais, na faculdade, quando arranhei a teoria da semiótica.)

8) Antologia Poética de Manuel Bandeira
Eu nem gosto muito de poesia. Mas Manuel Bandeira é O poeta. Uma das poucas coisas nesta vida que eu não perdôo foi um desavisado ter emprestado o MEU livro, com as MINHAS anotações, pra um estagiário ou sei lá quem, e nunca mais eu o vi de volta (o livro, não o desavisado).

9) Reengenharia do Tempo
Esse eu li há pouquíssimo tempo. Considero leitura fundamental. Não é 'sociologuês', não, é uma linguagem bem acessível, e o livro é curtinho, fácil de ler. Um bom roteiro de como deveria ser a vida, e infelizmente, não é.

10) Mothern
Nem é tanto o livro (que, por sinal, é muito bom), é mais a ¿experiência mothern¿. Mas já que agora essa experiência virou livro, ele entra na lista, sim. E com uma posição de destaque. Porque descobrir as motherns, me descobrir uma mothern, mudou minha vida para sempre. Às vezes eu pensava que tinha mudado muito depois de conhecer o blog das mineiras. Depois, concluí que na verdade as mudanças estavam todas aqui, eu só não sabia que era possível pensar assim, viver assim, escolher assim, e encontrar um respaldo tão forte, não para os outros, mas para mim mesma. Não é que eu tenha mudado radicalmente, é que agora, finalmente, posso ser quem eu sempre fui.

Mais alguns:
* Capitães da Areia, do Jorge Amado
* As Filhas do Dr. March (ou Mulherzinhas, dependendo da tradução), da Louisa May Alcott
* A Revolução dos Bichos, do George Orwell
* O Menino Maluquinho, do Ziraldo
* Toda a Mafalda

E os seus, quais são?

-Monix-

10:52 AM


Uma jornada
Notas sobre a participação num encontro ecumênico latino-americano:

* Logo na abertura, uma ciranda. Ô coisa mais brasileira, comovente, infantil, aconchegante esse negócio de ciranda. É como um código universalmente brasileiro - todo mundo sabe, conhece, já brincou um dia.
* Uma liturgia aberta pelo Povo do Santo, que solicitou - e foi atendido - que a platéia levantasse para ouvi-los cantando para os Orixás. Ah bom, agora sim, agora é comigo esse negócio de ecumenismo.
* O povo do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto conquistou a todos da organização pela delicadeza com que pediam as coisas mais simples, pela sinceridade com que agradeciam aquilo que, na verdade, era nossa obrigação. Distribuíram chaveiros, esperanças, bonés e sorrisos. E ainda chamavam o certificado de diploma. E é, pra eles é. Uns fofos.
* A discussão era sobre intolerância religiosa, mas a pessoa iniciou sua fala informando sobre uma terrível tormenta que atingiu a Guatemala em outubro. Choveu no país durante oito dias ininterruptamente, vocês têm loção do que é isso? Uma tragédia - da qual a gente nem ouviu falar. E porque a gente lê todo o dia sobre o Iraque e ou sobre Qualquerquistão que entre em guerra? Chega dar vergonha quando estamos com outros latino-americanos (si, nós também somos!) o quão pouco sabemos sobre nossos vizinhos.
* O coordenador do Eureka, um grupo que trabalha com meninos e meninas de rua fazendo um som da pesada, em todos os sentidos, agradeceu a platéia e avisou que o grupo participaria no dia seguinte da liturgia: ''Amanhã nós estaremos na mística'. Perfeito, mais ecumênico, impossível.
* Mais ecumênico que isso só o incenso que comprei na volta: incenso São Jorge.

Helê

12:40 AM



Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Ou Não
O resultado do referendo preocupa e entristece, mas não é o mais assustador (na prática, muda muito pouco, já que o Estatuto do Desarmamento está em vigor desde 2003). O que assusta nesta vitória do NÃO é o recado que a sociedade brasileira transmite. É que, graças às campanhas mal feitas (intencionalmente ou não), o tema da discussão extrapolou uma questão aparentemente bem mais simples - a proibição da venda de armas e munição - para um debate, diga-se de passagem, oportuno, sobre segurança pública. Porém, por mais oportuno que fosse, não era isso que estava sendo votado.
E, infelizmente, no referendo que houve sem ter havido, venceu a turma do salve-se quem puder. De certa forma, o que estamos dizendo, como sociedade, é: não confiamos mais no Estado, agora é cada um por si.
Ou não. A pergunta foi tão mal elaborada, o índice de não-inclusão digital é tão alto, as urnas eletrônicas são tão confusas, que talvez o resultado desejado pela maioria da população fosse justamente o oposto. Mas isso a gente nunca vai saber.

Las Dos Fridas

Trilha sonora do post: queima de fogos ou rajada de tiros (nunca se sabe), proveniente do Morro Dona Marta, possivelmente em comemoração à vitória do NÃO ou a algum outro evento relevante para a facção dominante no momento.

9:57 AM



Sábado, Outubro 22, 2005

E só pra completar esse papo doido sobre amizades digitais, a gente queria contar pra vocês que a primeira vez que as Duas Fridas se encontraram pessoalmente (e ainda nem sonhávamos com esta sociedade que acabou se revelando tão frutífera) foi como uma mistura de blind date com amor à primeira vista. Nos reconhecemos imediatamente, e continuamos a conversa, que jamais tinha sido (e desde então nunca mais foi) interrompida.

Las Dos Fridas
PS: A gente também não está defendendo a internet como o veículo privilegiado para estabelecer relações; é apenas mais um. Só reforçamos, com base nas nossas experiências, que é possível sim, estabelecer laços reais nele; e muitas vezes o que parece uma impressão, aquilo que a gente suspeitou on line, confirma-se ao vivo.

11:08 PM



Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Pois é, Helê, quem me conhece via web há mais tempo lembra de quando eu resolvi implicar com essa história de ''amizade virtual'' e resolvi criar um termo substituto, ''amizade digital''. Porque virtual se contrapõe a real, e não é o caso. Mas só quem vivenciou a experiência de se encantar por alguém que nunca viu pode entender o sentimento de "conhecer de dentro pra fora" (como bem definiu uma pessoa de minhas relações, casada com um amor que descobriu na internet).

Os amigos offline realmente acham estranho, e quem não acharia?

Só para completar essa sensação que você descreveu aí debaixo, sobre o encontro com o Zé, queria lembrar do meu primeiro encontro com a Laura. Estávamos numa festa, e de repente ela veio em minha direção, me cumprimentou, e começamos a conversar naturalmente. As pessoas à nossa volta ficaram intrigadíssimas, mas nós nem ligamos, afinal, já éramos amigas há quase um ano. E quando a Naty veio ao Rio, eu disse que ia buscá-la no hotel pra mostrar a cidade, e simplesmente encostei o carro na frente da maranhense mais linda que vi - é claro que era ela.

- Monix -

5:42 PM


Blind Lunch* (ou um Post Esquecido)

No mês passado as Fridas encontraram, ao vivo e a cores, com metade dos Quase dois irmãos. Papo agradabilíssimo, embora, no início, ligeiramente nervoso - como em qualquer começo. Passada a fase dos contatos de segundo grau (o que você faz, onde você trabalha, como começou com o blogue), três risadas e dois chopes depois, pronto, parecia o que era mesmo: o encontro de três pessoas que já se conheciam. Há pouco tempo, é vero, mas que já se sabiam afinadas em algumas opiniões, coincidentes em certos gostos, envolvidas na mesma blogueira aventura. Como sói acontecer em encontro entre conhecidos virtuais, ninguém disse, mas no fundo todo mundo foi achando que aquilo era meio doido, arriscado até, estranho de explicar para os amigos off line- mas também tínhamos em comum a suspeita de que valeria a pena. E valeu, Zé. Volte sempre.

* 'Almoço às escuras', numa tradução livre e safada. Brincadeira com a expressão blind date, que designa encontro entre pessoas que não se conhecem, marcado por terceiros.

Helê

4:09 PM



Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Saudade, palavra da última flor do Lácio, que se não existisse tinha que ser inventada. Saudade, saudade mata a gente. Volta, Renata, volta logo, senão o próximo post deste blog será póstumo.
Las Dos Fridas, roxas de saudade

Trilha Sonora do post: Tanta Saudade, Djavan

5:27 PM



Quarta-feira, Outubro 19, 2005

É permitido proibir

Sim, sim podem ligar a sirene da patrulha ideológica (mas não vale camburão que por essas e outras é que tenho curso superior, viu?). Acontece que o pano de fundo da discussão sobre o desarmamento estampa um falso dilema sobre o poder ou direito do Estado proibir ou permitir algo. Ora, como se não fosse essa uma principais das atribuições do Estado - proibir ou permitir -, gostemos ou não! O que me irrita é ver hordas de jovens, que anseiam por liberdade a qualquer preço, embarcarem numa furada dessas. Peraí, gente, comassim? Cês não repararam que o Estado proíbe, por exemplo, que você dirija sem cinto de segurança, fume em shopping center, vote antes dos 16? Helloooou, nós vivemos assim, em sociedades, pessoas, ajeitando um punhado de ''vamo combiná''. Agora estamos querendo combinar: 'bora ninguém ter armas? Você pode topar ou não, mas dizer ''não à proibição'' é negar regras de convivência às quais estamos todos submetidos. Se você discorda das regras, ou do modo como o Estado se organiza, etcetera, beleza, bora fazer revolução - no sábado, se chover, porque se fizer sol eu vou à praia (embora eu esteja meio velha pra isso. Não pra praia, pra revolução, I mean).

******

Bastante interessante e salutar que a discussão sobre o referendo vai desarrumando certezas, obrigando todo mundo a se posicionar melhor - como quando alguém senta num banco lotado, fazendo com que todo mundo se reacomode. Mesmo alguns pacifistas ouviram o canto da sereia com o ''não ao não'', uma bandeira muitíssimo cara a determinados setores sociais, como os remanescentes da ditadura e seus descendentes - grupo no qual me incluo (O dos descedentes, lógico, que eu não tenho idade pra mais que isso. E mi papá não pegou em armas feito o Zé Dirceu (graças a Deus!), mas tomou lá suas porradas em manifestações públicas, perdeu amigos e eu conheci o Chê no fundo do guarda-roupas lá de casa - lugar que eu achava inusitado para um retrato... mas Dr., divago). Minha questão é como um trauma pode ser manipulado, distorcido e usado contra todos. Em função de 30 anos de autoritarismo, qualquer medida de cerceamento ou controle recebe logo o estigma: censura. Pronto, f*deu. Pelos poderes de Grayskull! Usada essa palavra mágica-maligna, todo mundo se arrepeia porque ninguém (ninguém segura o Kalil!) e ninguém quer se dizer defensor da censura. Acontece que ela existe - ou seria por outra razão que que não passa sexo explícito às 10hs da manhã na tv e a Sue Johanson só aparece às 23h? Devemos combater, acho eu, a censura burra, autorirária, unilateral e monolítica. Porque de resto, não passa de mais uma ''combinação social''.

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Nosotras já declaramos nosso voto, é uma questão de valores, etc, etc. Mas ainda tenho um argumentozinho amarrotado no fundo do bolso, que eu pensei que fosse uma nota de R$ 50: acho arma de fogo uma covardia sem tamanho que deixou todas as guerras e batalhas sem graça. Porque o cidadão pra matar o outro de porrada, enfiar-lhe uma faca ou ministrar um golpe de arte marcial, precisa de força, coragem, loucura ou alguma técnica (ou um pouco de cada, seiláeu). Com arma não, basta uns dedos - nem são necessários todos. Qualquer um pode fazer, até sem querer. Sabe aquela cena hilária do Indiana Jones em que o árabe folclórico faz mil firulas com uma mega espada e o Harrison Ford dá-lhe um tiro no meio da barriga? Pois é. Engraçado naquele filme/contexto, mas covarde e sem graça em qualquer outro.

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- E esse papo de "ter liberdade de me defender" fede a americanismo da pior espécie, aquela coisa de associação de portadores de rifles. Enoja. Blergh.

Helê, num momento anárquico verborrágico

1:57 AM


Gregos e troianos

Mi Sócia está coberta e recheada de razão, o post do Idelber está o fino, se me permitem o trocadilho.
Mas esta mente rebelde aqui fixou-se num trecho em especial, que não tem a ver com a discussão em destaque, mas que não pode passar despercebido. Inclusive eu disse lá nos comentários, mas preciso reproduzir aqui porque me será de grande utilidade. Quando eu quiser simplificar este mundo complexo e besta, vou apenas dizer que ele se divide entre gente com quem eu adoraria tomar várias cervejas, e [há] gente com quem eu não aceitaria tomar um cafezinho.
Não é perfeito, gente? Olha, eu posso dividir quase todo mundo que eu conheço nesses grupos. E ainda dá pra imaginar variações - o grupo com quem tomar todas as cervejas; aquele dos que não dá pra tomar nem cafezinho de copinho, aquele que queima ou o dedo ou a língua... E por aí vai...


Helê

1:18 AM



Terça-feira, Outubro 18, 2005

Depois de uma série de links interessantes sobre o referendo (modéstia à parte, acho que nosso clipping está cada dia melhor, não é não?), aí vai o definitivo.

-Monix-

3:02 PM



Segunda-feira, Outubro 17, 2005

Tô voltando

Passei uma semana fora de casa, longe da filha, out of ciberspace, sem a blogosfera e o Dufas. Na volta, quase tudo esperando ser feito, lido, resolvido, escrito e eu ainda tendo que despressurizar, porque estava em outra freqüência. Portanto, aguardem, que eu tô voltando aos poucos. Por ora, vejam só o que eu encontrei:


"Viver sem TV
Inspirado em uma iniciativa norte-americana chamada TV-Turnoff Network, foi criado o projeto Desligue a TV. A idéia é simples: todas as pessoas têm o poder de determinar que papel a televisão terá em suas vidas. Ou seja: em vez de apenas reclamar e esperar uma programação melhor, por que não desligar a televisão e viver a vida ao vivo?

Uma das iniciativas do projeto é a organização da Semana do Desligue a TV, que já acontece desde 1995 nos Estados Unidos e em 2005 contou com a adesão de mais de oito milhões de pessoas nos 50 estados norte-americanos.

Trata-se de um esforço concentrado e organizado de várias entidades para que, durante uma semana do ano, as pessoas não liguem as televisões de suas casas, optando por participar de atividades sociais com a família e a comunidade. Para isso, são oferecidos vários programas, como parques com shows e atividades esportivas, cinemas e teatros com promoções e horários alternativos, museus com programação e preços especiais, festivais de música e poesia, além de educadores falando sobre o tema, reaprendendo e ensinando a ver televisão de uma maneira mais crítica. (...)

Atualmente, os trabalhos estão voltados para a preparação da primeira Semana do Desligue a TV no Brasil, que acontece de 24 a 30 de abril de 2006. "


A matéria, da Marina Hansen, eu li no site da Rets, Revista do Terceiro Setor. Não tive tempo de entrar no site do projeto Desligue a TV, mas idéia pareceu-me tão valiosa que está aqui, para quem quiser saber mais.
Ah, e que fique claro que não vai aqui nenhum preconceito elitista-pseudo-intelectual contra a televisão, que foi minha primeira babá e ainda hoje me distrai, acompanha e ensina. Mas também sou alguém que procura mais horas no seu dia e suspeita que há algo errado em primeiro ligar e depois pensar no que vai ver.

Helena Costa

5:43 PM



Domingo, Outubro 16, 2005

Notas de Fim de Semana

Quem nunca veio ao Rio pensa que a cidade é Maravilhosa por causa da praia. Rá. Coitados. Não sabem de nada.

***

Em compensação... não sei como é na sua cidade, mas aqui tá rolando um tipo de trote do mal. É assim, você recebe uma ligação a cobrar e, do outro lado da linha, uma pessoa fingindo desespero dá a entender que alguém se acidentou e a única coisa que conseguiu dizer foi seu número de telefone. Na verade, não sei qual é o objetivo do troço (tirar dinheiro dos incautos, obviamente, mas não sei bem como, e aliás, se soubesse não diria que não tô aqui pra dar idéia pra vagabundo). Uma das minhas tias passou por isso e só quando o marido interferiu é que ela conseguiu desligar o telefone.
Enfim, seja lá como for, é uma merda e eu não estou nem um pouco a fim de ficar em dúvida sobre a integridade física de uma pessoa querida, pra, no fim das contas, ser só mais um golpe de pseudo-traficantes-pé-de-chinelo.
Por isso, na madrugada de domingo, quando o telefone tocou e teve início a musiquinha da chamada a cobrar... atendi e fiquei muda. Silêncio total. De ambos os lados da linha. Até que - clique - o bandidão desligou.
Recomendo a estratégia.

***

E o pêndulo do bem e do mal continua sua trajetória oscilante.

***

Ganhei um lápis grátis! Sério. estava entrando no prédio onde a prova ia ser realizada e fui perguntar pro vendedor quanto custava: um real. Ih, moço, não vai dar, tô vendo que só tenho uma nota de cinqüenta. Eu faço por cinqüenta centavos. Hmmmm... não. Só tenho cinco centavos, ou cinqüenta reais. (Impasse.) Moça, faz o seguinte: leva o lápis, Jesus te abençoe. Amém nóis tudim.

***

Acabei a prova discursiva uma hora e meia antes do tempo... e deixei o lápis-grátis com um amigo que só tinha levado caneta. É recebendo que se dá, ou vice-versa.

***

Aliás, no intervalo, depois de quatro horas de prova objetiva, no calor da Piedade, tendo uma hora de sono roubada pelo horário de verão e mais alguns preciosos minutos pelo susto do trote do mal, ouvir do amigo aí de cima que você está ainda mais bonita do que era quinze anos atrás, uia, vou te contar, made my day.

***

Pequenos problemas, adoro resolvê-los. Eu realmente me acho uma gênia* quando isso acontece, a sensação é de poder total, até esqueço dos big ones.

* Copirráite do filho da Gata.

***
As paredes são de papel, a vizinha é uma megera canastrona... quem precisa de novela?

-Monix-

7:31 PM



Terça-feira, Outubro 11, 2005

Embora já tenha declarado meu voto mais de uma vez, não tenho opinião formada a respeito da necessidade de se fazer o referendo. Mas uma das poucas vantagens óbvias é a oportunidade de a sociedade discutir temas como violência, segurança, miséria, exclusão, e até mesmo armas.
Infelizmente, os argumentos de ambos os lados são pobres e limitantes.
Como já foi dito no post aí debaixo, muita gente já falou (bem) sobre o assunto.
Vão aí mais duas recomendações fundamentais: a Bia Badaud, que deixou a propaganda dela nos comentários, e a Ângela, minha cientista política preferida.

-Monix-

12:05 PM



Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Declaração de voto

Hoje é dia de blogagem coletiva sobre o referendo do desarmamento. Inicialmente, nós pensamos em aderir e escrever alguma coisa sobre o tema. Mas, num almoço de negócios (sim, as Fridas se reúnem para discutir o blogue, vocês acreditam nisso?), optamos por postar apenas se tivéssemos uma abordagem diferente para oferecer, visto que muito já foi escrito (e bem escrito) sobre o assunto. Como não conseguimos achar nada de tão original para dizer, achamos melhor apenas declarar nosso voto no SIM, infelizmente restrito ao Brasil. Se pudéssemos, votaríamos num mundo sem armas.
Recomendamos a leitura da Kellen aqui e aqui (ela foi claríssima e disse o que queríamos dizer, melhor que nós mesmas). E a Giu conseguiu acertar na mosca.

Duas Fridas

PS - Não se esqueçam: quem quer que sim deve votar NÃO e quem quer que não deve votar SIM. ;-)

4:07 PM



Sexta-feira, Outubro 07, 2005

M.P.B.

A previsão era de que a semana de comemorações do meu niver (ainda essa assunto, lôca?!) seria encerrada no sábado, na Feijoada da Velha Guarda da Portela. Um tempo zangado e instável desmobilizou o programa, mas não a derradeira celebração.

No sábado à noite estive no Estrela da Lapa (que eu cismo de chamar de Dama da Noite) para o show da luminosa Paula Lima. Uma diva paulistana com uma voz bonita até dizendo 'puta merda' (que ela não disse, claro). Que ela tem um vozeirão e um excelente repertório eu já sabia - e que era linda, também. Mas isso basta aos olhos e ouvidos, para um show é preciso mais: presença de palco, carisma, interação/sedução com a platéia - além do auxílio luxuoso de uma banda competente. Pois Paula Lima esbanjou tudo isso e, como se não bastasse, ainda rolou assim, de bônus, uma canja de ninguém menos que Sandra de Sá. Resultado: todo mundo se acabando de dançar e o que era um show virou um bailão (e eu, como boa suburbana, adoro um baile). Um luxo só.

E ali, dançando horrores e cantando muito ''Sarará crioulo', dei-me conta de que, afinal, terminei a semana como o previsto: com MPB da melhor qualidade - Música Preta Brasileira.



Helê, com o Cabôclo Postadô

10:28 AM


Entreouvido
Pessoa otimista: - Ah, eu, no fundo, no fundo, tô magra...
Pessoa na dúvida: - No fundo onde, exatamente?
Pessoa compreensiva: - No fundo do coração...



Helê

12:30 AM


Uma mulher sem um homem é como um peixe sem bicicleta.

Vi a frase num imã e apaixonei na hora. Entre outras coisas porque me fez rir e eu, como reza a canção, respeito muito minhas risadas. Pensei em dar pra um casal de amigas, muito queridas, mas logo percebi que não era o caso, não exatamente. Não havia ali uma defesa da homossexualidade, mas um brevíssimo libelo contra o paternalismo e a dependência (uma via de mão dupla, inclusive, porque a frase continua verdadeira se trocarmos os substantivos de posição). O fato é que o lado feminista falou mais forte, eu comprei o imã e o colei, feliz e faceira, na geladeira lá de casa. Na manhã seguinte, ao entrar na cozinha eu encontro meu marido ao lado da geladeira, quase pregado como um outro imã. Só que a frase era: ''Quer dizer que eu não tenho utilidade nenhuma?'' Tentei argumentar, apelando pros princípios liberais e libertários dele - que não são poucos - mas não houve jeito. Ele tomou a questão como pessoal e, para o bem do casamento, eu retirei o artefato da geladeira.
Mas não me dei por vencida e decidi testar se a atenção do meu cônjuge era igualmente dirigida para afagos tanto quanto para supostas provocações. E na semana seguinte a geladeira passou a ostentar um verso de Caetano: "Seu corpo combina com meu jeito". Esperei dias, e diante do silêncio, tive que mostrar:
- Você não viu o imã que comprei pra você?
E ele, sorrindo surpreso: - Não, era pra mim?
E eu, sorrindo possessa: - Não, claro que não, evidente que era pra empregada, oras!


Helena Costa

12:09 AM



Quinta-feira, Outubro 06, 2005


Mechanical Operational Nocturnal Infiltration Xenomorph


Descubra o seu Cyborg Name


Malevolent Offensive Nightmare Inflamed by Xcess


Descubra seu Monster Name

5:04 PM


Empadalheia

Todos freqüentaram a mesma escola...
Amiga, eu tenho uma novidade super legal pra te contar: você foi programada. Sim, tem um chipzinho na sua cabeça que foi colocado quando você era criança e que determina quase todas as suas ações e pensamentos. Exatamente: tudo o que você faz é um ciclo interminável de repetições da programação primária da infância.

Mas a coisa mais interessante disso tudo é que você pode pegar esse chipzinho e aplicar o artigo 6º, do Lixo.

Você não precisa ser pernóstica pra ser inteligente.
Você não precisa falar somente rosas e perfumes: um bom palavrão tem o seu valor.
Você não precisa se tornar uma anta pra ser bonita, por que loira e burra você pode se tornar a hora que quiser.
Você não precisa bancar a boazinha pra ser querida: o reino dos céus é das Megeras.
Você não precisa aturar desaforo pra ser a Mariazinha-do-passo-certo.
Você não precisa se entupir de comida pra ser amada.
Você não precisa aceitar o que não quer só para ser educada: sem educação é quem insiste depois de ouvir não.
Você não precisa deixar de fazer o que tem vontade por medo de ser chamada de louca: as loucas são felizes, eu garanto.
Você não precisa ter celulite pra gostar de Proust, até por que ele era gay e abominava celulite.
Você não precisa apanhar pra ser castigada nem bater pra castigar.
Você não precisa passar fome pra ser admirada.
Você não precisa ser a outra sempre; tem uma hora que a ficha cai e fechar triângulos torna-se estupidez.
Você não precisa engolir o choro pra ser forte, por que só os fortes conseguem viver intensamente suas emoções.
Você não precisa mastigar sapos pra ser simpática: coloque-os no sol.
Você não precisa gritar pra impor limites, mas se precisar fazê-lo, não é feio.
Você não precisa pedir licença pra ser quem é, quem não gostar que vá pro diabo que o carregue.
Você não precisa deixar de se acabar nas pistas pra ser respeitada.
Você não precisa saber cozinhar pra apreciar um bom prato, mas se souber, abra um restaurante.
Você não precisa vestir-se como uma senhora de 75 anos pra ter reconhecimento profissional.
Você não precisa deixar de beijar muitas bocas pra gostar de crianças.
Você não precisa dizer sempre sim: o não também significa eu te amo.

Jogue o chip no cesto do lixo e liberte-se.

por Ro, às 13:59 de 04.10.2005
, no hilário e necessário Megeras Magérrimas

3:29 PM


Acredito que pra ser feliz é necessário ter um mínimo de padrões éticos. Por favor, não tirem minha fé na raça humana.

-Monix-

11:41 AM



Terça-feira, Outubro 04, 2005

Quem é a "VEJA", afinal? Quem é a "VEJA" que acha que deve opinar - ao invés de informar - em casos como este que são tão complexos? Se eu votar NÃO e um dia meu sobrinho morrer baleado pelo coleguinha da escola que encontrou a arma que o pai guardava dentro da gaveta, posso culpar a "VEJA" por ter induzido a população a manter armas de fogo por hobby? Quem é a "VEJA"? Por que eu devo acreditar que essa matéria está mais preocupada com a segurança da população do que com os cofres da indústria de armas? Quem me garante que esta matéria não é mais um tipo de "acordo" entre indústria e veículo de massa? Por que eu devo acreditar que há correção e honestidade nessa matéria? Quem será que está iludindo quem? Quem está trapaceando? Que interesses existem por trás de uma matéria tão explicitamente posicionada? Pelo menos uma resposta me parece clara: todos nós vimos, neste domingo, que revista e jornalistas não estão cumprindo com a ética e com o dever.

Dessa vez nem fui eu que falei, foi a Alê Félix.

-Monix-

4:19 PM


Politicamente incorreto

Sabe aquela veeeeeelha de chamar baixinho de 'pintor de rodapé'?
Pois é, foi atualizada. Agora chama-se 'lenhador de bonsai'.

Helê, pra bagunçar o chavão

2:17 PM


Pois eu sou tudo isso aí também. Além de flamenguista.
Ah, e debochada, claro.

Helê

2:12 PM


Sou feminista, ecologista, esquerdista, pró-desarmamento, pró-aborto, a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, a favor do perdão da dívida dos países em desenvolvimento, enfim, acho que me transformei num chavão ambulante do politicamente correto.
-Monix-

11:51 AM


A Lilli, mãe da fofa Helô, mandou pra gente uma definição sensacional deste Duas Fridas: "parece que estou dentro de uma bolsa de mulher. Entre maços de cigarro, canetas, necessaire, balas e muito papo. Sempre muito bom, diga-se de passagem."
Bacana, né?

-Monix-

10:21 AM



Segunda-feira, Outubro 03, 2005

Gentileza Gera Gentileza

O meia belga Jan Vertonghen marcou um gol involuntariamente para seu time, o Ajax II, quando pretendia afastar a bola para que o jogo fosse interrompido e um atleta machucado fosse atendido. O gol foi anotado uma partida válida pela Copa da Holanda. Nela, o Ajax II, time B do clube de Amsterdã formado essencialmente por juniores e reservas venceu o Cambuur Leeuwaden por 3 a 1.

Vertonghen, surpreso, não sabia nem o que falar. "Ofereci a todos as minhas desculpas, inclusive para o goleiro", afirmou o meia ao site do clube holandês.

Mais impressionante foi o que se seguiu após o lance inusitado. Depois de o árbitro validar o gol, o técnico John van den Brom, do Ajax II, orientou seus jogadores a ficarem estáticos em suas posições para que o adversário pudesse anotar um gol. Assim, o Cambuur conseguiu descontar, marcando pela única vez na partida, com Thijs Houwing.

(Para ler a matéria completa, acesse Uol Esportes.)

Helena Costa

6:41 PM


Meu voto no referendo sobre o desarmamento será pelo SIM, ou seja, contra a venda de armas no Brasil. É um voto de consciência, não é ideológico. Simplesmente é impossível, para mim, votar a favor de armas.
O melhor argumento foi do meu pai, que já foi assaltado oito vezes, à mão armada, e disse que se tivesse uma arma com certeza estaria morto. Com certeza estaria.

-Monix-

Trilha sonora do post:
O padre na televisão
Diz que é contra a legalização do aborto
E a favor da pena de morte
Eu disse: não! que pensamento torto!
Vamo Comer, Caetano Veloso

4:16 PM


Azeitona na empada alheia

Leia a abordagem mais inusitada e inovadora sobre a prisão do Maluf aqui.

*************************

Bicha magra quando morre vira purpurina, bicha gorda vira lantejoula!!!
Patty Caetano, que se beesha fosse purpurina seria; mas é uma ... tiara de strass!

Helê Lantejoula

2:17 PM


Boa Semana

Porque uma semana que começa com o nascimento de mais um libriano - ainda por cima sobrinho da Monix, filho da Luísa, primo do Vítor, bisneto daquela vó Fofa, etc - só pode ser boa, não é mesmo?
Parabéns, Monix, parabéns Luísa. Seja feliz, Henrique!

Boas Vindas
Caetano Veloso
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E a mãe do seu irmão
Minha mãe e eu
Meus irmãos e eu
E os pais da sua mãe
E a irmã da sua mãe
Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
Sua mãe e eu
Seu irmão e eu
E o irmão da sua mãe


(E as 'amigans' da irmã da sua mãe!)



Helê, obedecendo a Rê :-)

10:20 AM




Mothern

A Vida Escrita à Mão
Baby in Manhattan
Biscoito Fino
Bia Badaud
Bloggete
Capitão Rodrigo
Cria Minha
Dois Rios
Drops da Fal
Fazendo Gênero
Heranças
Intimidade - Parte II
Isabella Lindinha
Kaleidoscópio
Life is Life
Livro Razão
Mãe de Gêmeas
Mais Canela
Modular
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Na Cozinha da Tati
Na Mesa
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Otaviano Neto
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Reminiscências
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